“Holy fuck!”


Paulo Sousa,

Em primeiro lugar tenho de explicar que usei para o título deste post as palavras com que no passado dia 16 o JN iniciou um artigo, no qual um doente nos EUA com 70 anos foi tratado durante 62 dias contra a doença do coronavírus e cuja conta do hospital ultrapassou os 1,1 milhões de dólares.

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Antes de dizer que este valor foi coberto pelo sistema Medicare o “jornalista” deu largas à sua interpretação da realidade dizendo que o paciente e os seus amigos “reflectem perplexos e banzados sobre o bizarro sistema de saúde dos Estados Unidos da América que, ao contrário da Europa e da maioria do mundo civilizado, não possui um Serviço Nacional de Saúde, como existe há décadas em Portugal, que proteja os seus contribuintes, mas está antes orientado em sistemas de seguros privados que não existem para tratar da saúde como um bem universal e um direito primordial, mas para dar lucros abissais numa lógica puramente capitalista que rende milhões às grandes corporações.”

Ainda acrescenta que o sistema Medicare foi “criado na presidência de Barack Obama e que o actual presidente republicano Donald Trump ainda não conseguiu aniquilar.”

O facto de o referido sistema Medicare ter sido fundado em 1966 é um detalhe que estragaria a narrativa e talvez por isso não é referido na “notícia”.

Estamos perante uma desonestidade que confirma o grau da lacaização de alguns jornalistas ao poder que, numa atitude bem socialista, preferem o lado confortável da actualidade ao lado certo da história.

 

Este assunto foi pescado no Insurgente.

14 comentários em ““Holy fuck!””

  1. Mais uma prova da ignorância que medra por todo o sistema de ensino.
    Mas também o google ajuda nesta era da pós-verdade ao eliminar Winston Churchill da lista de PM britânicos.
    Já uma muito conhecida historiadora chegou ao ponto de dizer / escrever que a melhor série documental sobre a 2ª guerra foi esta :

    http://www.rtp.pt/programa/episodios/tv/p25878

    Quando esta:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/The_World_at_War#Recep%C3%A7%C3%A3o

    é mais completa, educativa e só tenho pena que não esteja disponível no youtube e nas salas de aulas das nossas escolas.

    Até eu que não sou jornalista conheço o Medicare e o Medicaid mas também conheço o Freddie Mac e a Fannie Mae …

    E está esta gente a produzir noticias e isto não é uma questão de socialismo. é uma questão de se ser verdadeiro e isento como deveria ser qualquer jornalista que quisesse reconhecer como tal.

    Na minha opinião hoje quem quer estar informado tem de confrontar diferentes fontes e mesmo assim é enganado como se comprova amiúde analisando a história muito recente a começar pela maior mentira deste século que foi a razão da invasão do Iraque com as suas armas de destruição maciça ou massiva conforme se goste.

    WW

    1. Subscrevo que a a informação válida tenha de passar por vários filtros e que confronte várias fontes.
      Efectivamente esta desonestidade informativa não é um exclusivo socialista mas este caso é claramente uma tomada de posição ideológica. A forma enviesada como o faz enfraquece o que defende, mas o grande público gosta de mensagens simples e assim lá vão fazendo durar os mandatos dos que lhes pagam antecipadamente publicidade institucional.

    2. O jornalismo é Marxista.

      As armas de destruição maciça existiam no Iraque. O que não existia era um programa de desenvolvimento activo. As grandas de artilharia e rockets que existiam eram dos anos 80 e 90 em termos militares as quantidades não eram significativas para um exército de centenas de milhares de soldados mas em termos de terrorismo seriam sempre.

      Agora se quiser maiores mentiras temos os jornais portugueses a nos dizerem e darem a entender que os EUA eram um dos grandes fornecedores de armamento ao Iraque. Quando foram a URSS/Russia, China, França. Até o Brasil vendem mais armas ao Iraque.

      lucklucky

      PS: quantos jornais portugueses e TV’s vão noticiar o que se passou em Estugarda?

    1. Uma lista das despesas realizadas pelo SNS poderia de facto ser entregue a cada utente após receber alta, de forma a que houvesse a percepção de que um serviço mesmo que aparentemente gratuito pressupõe um custo. Mas isso não pode acontecer porque podia abalar o conceito instituído de que existem coisas de borla.

  2. Um pouco de ignorância com uma pitada de má-fé, temos artigo jornalístico.
    Verdade, as pessoas lêem o que querem ler.

    1. Não faço ideia, mas já ouvi que os transplantes de órgãos em Portugal rendiam bom dinheiro para os especialistas que os faziam, o que não me parece mal dado a delicadeza e especialidade de tal intervenção exige.

    2. “O medicare pode ter pago a conta. Mas o valor continua a ser absurdo para um tratamento de 62 dias à Covid.”

      Concordo, 18000 dolares dia. É possível que o valor o seja por causa do medicare…

      Outra coisa que chama a atenção é como é que só é noticiado 1 caso.

      lucklucky

  3. – «(…) Escrevesse “mein kampf” e não “main kampft”.»
    – «(…) já agora “escreve-se” (e não “escrevesse”) “Mein Kampf”, visto que (…)
    – Excerto de um “diálogo” recentemente travado num fórum de comentários aberto por um artigo num jornal “online”

    Eu até poderia dizer, parafraseando o Paulo Sousa (PS), que o artigo (mesmo apesar de até o terem colocado sob um “tópico” que o JM resolveu intitular de “Insólito”) é um perfeito exemplo da «desonestidade que confirma o grau da lacaização de alguns jornalistas ao SISTEMA que, numa atitude bem RACISTA, preferem o lado confortável da actualidade ao lado certo da história»… Porquê? Porque o José Miguel Gaspar resolveu escrever «NEGRO quadro clínico»…

    É evidente que o PS se serviu de uma gafe idiota. Sim, o Medicare foi fundado em 1966, naturalmente, não pelo Democrata Obama mas sim pelo Democrata Lyndon B. Johnson… falta-me é perceber é como isso até pode (deve) ser entendido como «um detalhe que estragaria a narrativa»… «bem socialista» (se bem que, mais tarde, ele até venha a dar o dito pelo não dito, esclarecendo que a «desonestidade informativa não é um exclusivo socialista» MAS que «este caso é claramente uma tomada de posição ideológica»… é como diz um dos “habitués” aqui do blogue: « O jornalismo é Marxista»!!!» Aliás, só mesmo um “marxista cultural” poderia descrever como «bizarro (o) sistema de saúde dos (EUA)» e insistir nessa outra “posição ideológica” de o dar como «orientado em sistemas de seguros privados que não existem para tratar da saúde como um bem universal e um direito primordial, mas para dar lucros abissais numa lógica puramente capitalista que rende milhões às grandes corporações»).

    Mas mais, PS, o artigo não diz que o «valor foi coberto pelo sistema Medicare» mas sim que «Como Flor possui seguros, incluindo o Medicare, não precisará de pagar a grande maioria da gigantesca fatura», ie, ele é apenas um daqueles 9 em cada 10, dos cerca de 15% da população dos EUA que para além de terem a irrisória protecção do Medicare, ainda têm outro plano de Saúde através de uma companhia de seguros.

    Para os interessados, fica aqui a ligação onde se pode ver o que cobre o Medicare: https://www.medicare.gov/what-medicare-covers/your-medicare-coverage-choices/whats-medicare. Em português, existe informação em formato PDF aqui: https://www.medicare.gov/sites/default/files/2020-04/11306-Portuguese-Medicare-Medicaid.pdf.

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