Hoje é dia de


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje celebra-se a Quinta-Feira da Ascensão  

“40 dias após a solenidade da Páscoa, celebramos a solenidade da Ascensão do Senhor

Nesta solenidade, a Igreja convida-nos a termos os olhos voltados para o céu, nossa Pátria definitiva. Como tão bem diz São Paulo: “Vós que ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde está Cristo (Col 3,1)”. Em nossa profissão de fé, rezamos que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. Por isso, na Ascensão, celebramos Jesus dando por completa a sua missão. Ele veio do Pai, revelou-nos o rosto Misericordioso do Pai, ensinou-nos a amar o Pai e a fazer em tudo a Sua Vontade. Ele cumpriu até o fim a missão que o Pai lhe confiou. Agora Ele volta para o Pai, após ter-nos ensinado a percorrer o caminho que nos levará de volta para Deus, e Ele próprio se faz ao caminho – “ninguém vai ao Pai, senão por mim” (Jo 14,6). Por isso, seguindo Jesus, que é o Caminho, a Verdade e Vida, chegaremos ao coração do Pai; sendo assim, como bem rezamos na liturgia: “A Ascensão do Senhor já é a nossa vitória”. Mas o caminho que leva de volta à glória do Pai passa pela cruz, pela capacidade da entrega da vida: “Quando eu for elevado na terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32) – a elevação de Jesus na cruz significa e anuncia a sua elevação ao céu.”

A Ascensão de Cristo é o coroamento da sua Ressurreição. Quem acredita em Deus e acredita em Cristo, crê no divino e nos ensinamentos do homem. E tem fé.

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Dia 26 de  Maio celebra-se a Quinta Feira da Espiga 

“A Quinta-Feira da Espiga simboliza a excelência das forças da natureza, assumindo de forma clara os auspícios da Primavera. Designa-se como Ascensão, remetendo para a festividade religiosa, ou Espiga adquirindo um carácter pagão e intrinsecamente ligado ao ciclo da natureza. É nesta data que se comemora o “dia da espiga” ou “quinta – feira da espiga”, que as pessoas vão para o campo apanhar espigas de vários cereais e flores campestres para formar um ramo, designado de espiga. Tradicionalmente, o ramo deve ser guardado algures dentro de casa e só poderá ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As diversas plantas que compõem o ramo têm um valor simbólico profano e religioso:

 

Espiga = pão

Malmequer = ouro e prata

Papoila = amor e vida

Alecrim ou rosmaninho = saúde e força

Raminho de oliveira = azeite e paz

 

Este hábito, mais comum no centro e sul de Portugal, pode ter nascido de um antigo ritual cristão de bênção aos primeiros frutos. No entanto, pela sua forte ligação com a natureza, julga-se poder recuar ainda mais no tempo e ligá-lo a antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora (deusa das flores na mitologia romana) que se realizavam por esta altura do ano.”

 

Festa pagã associada à deusa romana, foi como tantas outras absorvida pelo Cristianismo, sendo celebrada no mesmo dia em que se celebra a Ascensão de Cristo. 

Ter um ramo de espiga significava ” pão e prosperidade”.

Fui muitas vezes, quando era miúda, com a minha Tia Adelaide pelos campos da Outurela apanhar espiga, com as “raparigas” da idade dela, tudo velhotas alegres e cantadeiras.

 

” Combinámos ir à espiga

Quinta feira da Ascensão

Combinámos ir à espiga

Quinta feira da Ascenção

Combinámos , mas não fui

Assim em combinação 

Era a meias o farnel

Davas o vinho eu o pão

Mas se quebraram as meias

E foi-se a combinação 

Mas se quebraram as meias

E foi-se a combinação 

Agora até tu te zangas

Mangas, fazes caras feias

Agora até tu te zangas

Mangas, fazes caras feias

Mangas da combinação 

E mangas das próprias meias

Mangas da combinação 

E mangas das próprias meias”

 

Em casa fazíamos e atávamos os molhinhos e cada uma levava o seu. Enquanto a Tia Adelaide foi viva, nunca me faltou espiga em casa. Depois desapareceu durante um tempo e agora a tradição foi reavivada e até já se vendem aos molhos nas grandes superfícies comerciais. 

16 comentários em “Hoje é dia de”

  1. na escola primária tive uma colega chamada Maria da Ascensão. à neta deram o nome de Sandra.
    no dia da espiga faziam a minha festa predilecta numa capela campestre onde benziam o gado e distribuíam
    leite e queijo mole pelas crianças, só um colega lamentava as ovelhas não darem vinho

    1. Tenho tantas saudades! Tinha um cestinho da ráfia entrançada onde levava um pãozinho com manteiga, cerejas e um copo que me tinham trazido da Alemanha, daqueles que se desmontam e ficam uma caixinha redonda, e lá toda feliz de chapéu de pano, apanhar espigas. Devia ter os meus 6 anos. Corria um ribeiro e a água bebia-se e era fresca.

  2. Já foi feriado e hoje é feriado municipal em vários concelhos. No Ribatejo, de Vila Franca de Xira a Santarém é quase tudo. Já não me lembro se era dia Santo de Guarda (Missa obrigatória) mas lembro-me das cerimónias da benção do gado. E também das cantorias, uma que deu refrão numa letra de fado e sempre tive dificuldade em perceber porque me parecia uma inversão de valores.
    Era na Lisboa antiga
    Quinta feira d’Ascensão
    Dia de consagração
    Por ser dia da espiga.

    1. Quando ia com a Tia e as amigas ” à espiga” não podia ser em dia de escola. É também por isso que penso que deve ter sido feriado andes do ” embaralha e volta a dar” das festividades, Francisco. Aquele “poema” que escrevi no post era o da cantiga que se cantava na apanha da espiga.

  3. A Quinta-Feira de Ascensão é um dia que me traz as recodações mais bonitas da minha meninice. Para o meu pai era um dia sagrado. De farnel bem aviado e recheado de amor lá iam as seiras repletas de petiscos e doces tapadas com um pano garrido aos quadrados. Também apanhávamos a espiga com certeza. Uma bela recordação.
    Bem gostosa a emoção que o seu post me proporcionou, M.Dulce.
    Gostei muito.
    Maria

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