Hoje, dia 2 de Abril, comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantil e também o Dia Mundial da Conscencialização do Autismo.

Dia Internacional do Livro Infantil
“Esta data é celebrada por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que em Portugal é representada pela Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil (APPLIJ).
O IBBY criou o Dia Internacional do Livro Infantil em 1967, para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo), cujo aniversário do nascimento é assinalado a 2 de Abril.”
Ler. Que melhor poderemos encontrar no mundo dos sentidos do que um livro que nos encha as medidas? Assim que aprendi a ler, comecei a folhear tudo o que havia à mão. Mais tarde, li e reli toda a colecção dos livros dos Cinco da Enid Blyton. Um pau de virar tripas com 8 anos a imaginar-se em barcos, em túneis, no circo… e a fome ? Eles comiam tanto e com tão boa descrição, que lhe sentíamos o sabor e o cheiro. O simples facto de a minha mãe não saber fazer scones era para mim um sacrilégio.
Agora, é com indescritível felicidade que oiço a minha neta ler para mim. Nem me interessa o quê, ela gosta, eu entendo e a emoção brota às catadupas. É um privilégio tê-la na equipa dos leitores.

Dia Mundial da Conscencialização do Autismo
“O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo comemora-se anualmente a 2 de Abril. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de Dezembro de 2007.
Com o objectivo de informar a população e ajudar a derrubar preconceitos, são promovidas diversas actividades a nível mundial.
Várias câmaras municipais de Portugal costumam aderir a esta iniciativa de consciencialização e iluminam os seus monumentos de azul, algo que é repetido pelo mundo inteiro.”
Havia uma menina que vivia com os avós numa casinha com horta em frente ao externato onde fiz a instrução primária. Chamava-se Cristina. Era a “Maluquinha” porque gritava, mordia, atirava pedaços de couves às pessoas e passava horas sentada a abanar-se de trás para a frente num movimento cadenciado que ninguém entendia, durante o qual parecia entrar em transe. Um dia, uma senhora que ia todas as tardes ao Jardim Botânico deu-lhe uma Tabuada Nacional e deve ter-te explicado os rudimentos da aritmética. A partir daí era ver paredes cheias de números e contas feitas com riscos de pedaços de tijolos velhos.
Naquele tempo ser autista não nos dizia nada. Apenas constatávamos as diferenças. A má, a dos gritos e das pancadas, e a boa, que era a “Maluquinha” saber mais de aritmética do que a classe inteira junta.
Apesar de ser incurável e dependendo dos graus, existem mecanismos que ajudam à integração social e familiar. Acredito que hoje a Cristina seria considerada genial independentemente das crises mais violentas.

Adorei. Obrigada.
Sou eu que agradece, Mena. Bom Domingo.