Hoje é dia de


Maria Dulce Fernandes,

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Celebramos neste dia 3 de Maio O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

 

“O objectivo deste dia é sensibilizar os líderes políticos e os cidadãos em geral para a defesa da liberdade de imprensa – elemento essencial para o desenvolvimento de uma sociedade. Também se presta homenagem aos profissionais do sector da imprensa que morreram enquanto desempenhavam as suas funções.

Este dia foi criado na 26.ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris, que ocorreu em Outubro e Novembro de 1991.”

 

“Se pudesse decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último.”

( Thomas Jefferson)

 

O melhor indicador de uma democracia saudável é a sua imprensa. O jornalismo de investigação é seguramente a pedra de toque de toda a informação. A isenção, o rigor, a competência para avaliar e reflectir, e sobretudo a perspectiva de aproximação e divulgação da notícia, são os braços da  balança da democracia.

Ocorrências que chegam ao conhecimento do público do outro lado do mundo, por exemplo, em directo ou diferido em minutos, não seriam possíveis num regime totalitário onde a imprensa é controlada pelo estado, cujo crivo azula os acontecimentos à medida dos seus interesses.

Nunca me esquecerei daquele dia 17 de Janeiro de 1991, quando Peter Arnett, da varanda do seu hotel em Bagdad, transmitiu pela primeira vez para o mundo, através da CNN, a guerra em directo.

Sem grilhões e com fé no futuro, a informação continuará a espraiar conteúdos com justeza e exactidão.

 

(Foto do Google)

43 comentários em “Hoje é dia de”

  1. Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, os leitores europeus não podem consumir as notícias da RT.com, por decisão de Ursula von der Leyen e da sua camarilha. É assim que se comemora a Liberdade de Imprensa na União Europeia.

    1. Já faz quase um mês, balio. Fez parte das sanções. Também se insurgiu nessa altura ou apenas hoje devido à efeméride?
      Deixo o repto : qual o nível de isenção das chamadas ” armas de propaganda?”

      1. Já faz quase um mês

        Na prática, só faz pouco mais de uma semana. Eu lia a RT.com todos os dias. Só desde há uns dez dias é que deixei de poder alcançá-la.

        Também se insurgiu nessa altura ou apenas hoje devido à efeméride?

        Insurgi-me desde logo, embora até há dez dias tivesse julgado que “era só fumaça”, porque continuei a conseguir conectar à RT.com.

        qual o nível de isenção das chamadas ” armas de propaganda?”

        O nível de isenção atual dos media europeus é muito baixo.

        Lendo a RT.com já há anos, posso afiançar que (1) não publica notícias falsas (tudo o que lá vi noticiado acabou por também ser noticiado alhures), (2) é extremamente isenta na informação (embora não nos artigos de opinião, mas esses estão devidamente assinalados como tal).

        1. É muito engraçado considerar a RT.com, uma das mais mais manipuladas redes de tv, isenta e os ” media europeus” com um nível de isenção muito baixo.
          Mais não seria de esperar do balio, um homem visceralmente ” do contra”.

          1. RT.com, uma das mais mais manipuladas redes de tv

            Eu não via a televisão. Lia as notícias pela internet.

            Mas questiono: a Dulce alguma vez viu a televisão ou leu as notícias da RT.com? Ou somente fala por ouvir dizer?

            os ” media europeus” com um nível de isenção muito baixo

            Todas as semanas compro o Economist, supostamente um dos melhores órgãos de informação europeus. A sua falta de isenção é total, atualmente. Eu leio, e é isso que observo.

          2. Ultimamente nem por isso. Mas lia as notícias em espanhol através de um site que agora não funciona.
            A “falta de isenção” no The Economist , como em outras publicações mais transparentes é apenas a discordância que os leitores sentem para com o seu ponto de vista em relação aos recentes acontecimentos na Europa. Sendo contra a opinião de 80% do mundo civilizado é natural que se sintam defraudados com as notícias.

      2. “Deixo o repto : qual o nível de isenção das chamadas ” armas de propaganda?”

        Todos os órgãos de comunicação social são armas de propaganda(e espionagem) por isso é que existem. Ou julga que é para informar?
        Não há nível de isenção algum na BBC, na CNN, no El Pais, no Publico, no Expresso, Fox etc etc.
        Qualquer meio de comunicação censura e deturpa o que não concorda e promove notícias com factos favoráveis ao que concorda.
        Tivemos excelentes exemplos de “armas de propaganda” nos jornais Portugueses em relação ao Covid, em relação à Dívida Política, em relação ao 25 de Abril, em relação às agencias de rating na altura da dívida, em relação a Trump, em relação à guerra no Vietname etc etc.
        Ninguém vai para jornalismo para informar, vai para mudar o mundo, vai para fazer proselitismo da sua moral.

        1. “Ninguém vai para jornalismo para informar, vai para mudar o mundo, vai para fazer proselitismo da sua moral.”
          Para isso não precisava ir para jornalismo, bastava argumentar nas caixas de comentários dos blogues.

          1. As caixas de comentários não têm a influência e o formalismo de um orgão de comunicação social, quer pelo nível de audiência quer pela proximidade cultural que o jornalismo foi criando formando um verdadeiro complexo cultural jornalista-politico.
            Aliás o que se está verificar muitas vezes é que um político governa mais para os jornais do que para quem vota nele.
            Foi elucidativo como a antiga líder do CDS se queixava que os jornalistas só davam relevo às suas intervenções que iam de acordo com os valores desses mesmos jornalistas.

            Isso não é informação. É propaganda.

          2. As caixas de comentários são o que se chama de influencers.
            Os jornais que são coniventes com certas doutrinas, partidos e clubes de futebol, por exemplo, não são isentos o suficiente para noticiar sobre eles ou sobre o que quer que seja relacionado com política ou futebol. Há sempre um certo grau de subjectivismo, que não é forçosamente propaganda.

  2. estive sempre fora da manada.
    sigo Mme Stael no que respeita à tirania
    esforço-me por transmitir outra visão da sociedade
    por isso não esqueço hoje
    « Três de Maio de 1808 em Madrid, Os fuzilamentos da montanha do Príncipe Pío ou Os fuzilamentos de três de Maio, nome pelo qual é habitualmente conhecido, é um quadro do pintor espanhol Francisco de Goya. O quadro, de 266 x 345 centímetros, foi realizado em 1814 e encontra-se no Museu do Prado, em Madrid.

    1. Qual, a CNN PONTO. PT?
      No que toca aos jornalistas, não certo.
      O que é certo é que muitas das grandes cadeias informativas têm “patrões” ou são politicamente afectas a facções, mas ainda há muito bom jornalismo.

  3. 1 – Num país onde a Liberdade fosse a lei suprema, a primeira coisa que acontecia era ser dominado pelas máfias e pelos mais fortes.
    2 – A Liberdade é um joker. É um vazio sem limite, que tanto serve a maldade como a bondade.
    3 – Livre é o que mata, e reivindica a liberdade para fazer os seus crimes. Tanto como o que faz o contrário.
    4 – Dada a Liberdade ao ser humano, foi necessário impor-lhe os “10 mandamentos”, para lhe a retirar parcialmente, e obrigá-lo a uma moral e uma ética. Porque o ser-humano mostrou que, com ela, se mata e se chacina a si próprio sem dó nem piedade.
    5 – O ser-humano ainda não chegou a um patamar da evolução que possa, por si próprio, usar a Liberdade.
    6 – Ainda é necessário impor à Liberdade um conjunto de normas éticas e morais, para que o ser-humano não se mate a si próprio, e não impeça a sua Continuidade.
    7 – Jefferson, está errado. Fala da cadeira de quem tem o poder, esquecendo os milhões de seres humanos anónimos, não publicitados, que sofrem a arbitrariedade e as consequências nefastas dessa Liberdade total. Basta olhar para o grau de assimetria e pobreza existente no mundo actual.
    8 – Acresce que, como vemos neste conflito no Leste, quase todos os Media estão comprados pelos poderes de ambos os lados, e são parciais. Uma vergonha, a que todos assistimos impotentes.

    1. Se não houvesse códigos de conduta, leis que regem a sociedade, os chamados mandamentos da era moderna, a Democracia era uma anarquia, o caos total.
      Jefferson pode ter falado de sofá, mas , SAP3i, V. Exa fala-nos de onde?
      Estes teóricos são giríssimos. Criticam tudo. Não há nada, nada, nada, nada, que lhes escape, caramba . E depois debitam metros de filosofias sobre a liberdade de expressão.
      Dou-lhe a alínea 8 com alguns reparos.

      1. Não há volta a dar-lhe… estamos todos condenados a transformarmo-nos (ou a ser transformados por alguém de fora).
        No sofá, no bidé ou num iate a apanhar sol… disso não escapamos.
        Essa condenação, a sermos um ser inferior, limitado e pouco evoluído, é a nossa Liberdade.
        Apenas somos “Livres” para sermos o que somos.

        1. Ainda bem! Olhe bem se eu fosse livre para ser um comentador casmurro deste blogue, em vez de seu eu própria!?
          E se não nos tivéssemos transformado por força externa e adaptado ao que nos rodeia, ainda não tínhamos chegado a Neanderthals, quando mais semi-sapiens.

  4. Quanto maior for a liberdade de imprensa maior é a propagação de notícias falsas.
    Liberdade de imprensa sim, mas com regras.

    1. Mas isso das regras é uma pescadinha de rabo na boca ou mais selectamente um ouroboros. Quem controla a isenção das regras e dos legisladores, fazedores das ditas regras? Pois.
      A ética jornalística existe. É uma espécie de juramento de Hipócrates ao rigor, à transparência, em suma, à verdade.
      Cumprir ou não depende de cada um.

      1. ” Cumprir ou não depende de cada um.”
        Pois, mas não devia depender de cada um, ou há moralidade ou comem todos.
        Não haja confusão entre liberdade de imprensa e liberdade de expressão, são liberdades diferentes.
        A liberdade de imprensa tem agrafada a responsabilidade da manipulação, se for mal intencionada pode prejudicar as liberdades individuais nomeadamente a liberdade de expressão. Tivemos variadíssimos exemplos no caso da pandemia em que muitas pessoas foram pura e simplesmente censuradas por órgãos de informação ditos livres.

          1. Um órgão de informação nunca pode ser livre na verdadeira acepção da palavra, depende sempre de várias situações e é independente da liberdade do jornalista. Se não houver regras a liberdade de imprensa fica sempre condicionada às notícias que captem uma maior audiência.

          2. Mas há o código deontológico. Não deveria ser necessário impor regras.
            1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

            2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

            3. O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

            4. O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público e depois de verificada a impossibilidade de obtenção de informação relevante pelos processos normais.

            5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e atos profissionais, assim como promover a pronta retificação das informações que se revelem inexatas ou falsas.

            6. O jornalista deve recusar as práticas jornalísticas que violentem a sua consciência.

            7. O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, exceto se o usarem para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

            8. O jornalista deve salvaguardar a presunção de inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, direta ou indiretamente, as vítimas de crimes sexuais. O jornalista não deve identificar, direta ou indiretamente, menores, sejam fontes, sejam testemunhas de factos noticiosos, sejam vítimas ou autores de atos que a lei qualifica como crime. O jornalista deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.”

            9. O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da ascendência, cor, etnia, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social, idade, sexo, género ou orientação sexual.

            10. O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos exceto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade, dignidade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

            11. O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios suscetíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesse.

      2. Já leu o código deontológico dos jornalistas portugueses? Onze artigos pífios, alguns sobre a liberdade da informação (deles jornailstas) sobre o tratamento da mesma, sobre as fontes, sobre a reserva de privacidade, etc.. NENHUM sobre o dever de informar.

  5. gosto da isenção. Espero reformar-me dentro de 6 anos; então terei mais tempo para ler e andar de bicicleta

    1. Isso é lá coisa de agora! É milenar! Sempre houve alguém mais… qualquer coisa do que os outros! Por inteligência, aptidão ou apenas desembaraço.
      É dentro da nossa cabeça que a liberdade começa.

      1. 1 – Liberdade? “Sermos Livres”? Ora, ora…
        2 – Enquanto necessitarmos do “social” para fazer evoluir o “individual”, jamais a nossa Liberdade (e aquilo a que chamamos «ser Livre») não deixará de estar condenada à de um “Outro”.
        3 – O que nos têm dito os vários autores?
        3.1 – “Só através do outro de si mesmo se pode ter o si mesmo…. Com esta estrutura do duplo que liga o portador do papel à figura do papel, acreditamos ter encontrado uma constante. A estrutura do duplo (Döppelganger) torna possível toda a auto-compreensão.” (Helmuth Plessner, 1928).
        3.2 – “Conhecer, é ser capaz de dizer pelas suas próprias palavras” (P. Valéry, 1937).
        3.3 – “Je suis un Outre” (Brecht).
        3.4 – “Compreender um texto é encadear um novo discurso, no discurso do texto” (P. Ricoeur)
        3.5 – “Um sistema estocástico evolutivo, em que duas ou mais espécies inter-actuam, de modo que as alterações na «espécie A» preparem o caminho para a Seleção Natural de alterações na «espécie B». Por sua vez, as alterações posteriores na «espécie B», preparam caminho para a seleção de alterações semelhantes na «espécie A».” (G. Bateson, 1979/1987, “Mind and Nature”/”Natureza e Espírito”, Lisboa, Dom Quixote, pág.197).
        3.6 – “O Outro é um heterónimo do Mesmo” (SAP3i, 2006, “A Ignominia do Outro”, Lisboa: IGAC).
        3.7 – “Pensava dentro de outras cabeças, e na sua, outras cabeças pensavam. É este o verdadeiro pensamento.” (B. Brecht in Augé & Colleyn, 2007, pág.86).
        3.8 – “(…) we daily take the ideas of others and put our own twist on them, adding one modification after another, until we end up with something new and very complex (…) such technological achievements arise from the creative insights of generations of inventors (…) the ability to pass on knowledge from one individual to another (…) worked collaboratively – talking among themselves, offering encouragement and showing one another the right way to do things (…) equipped with these social skills and cognitive abilities, our ancestors could readily transmit knowledge to others – a key prerequisite for cultural ratcheting (…) ratcheting process and push H. sapiens to new creative heights in Africa some 90,000 to 60,000 years ago and in Europe 40,000 years ago (…) large connected populations who can ‘infect’ one another” (Heather Pringle, march2013, Scientific American, “Evolution of Creativity: the rise of the innovative mind”, pp. 28-29).
        3.9 – “It’s not how smart you are. It’s how well connected you are” (Mark Thomas, University College London, march2013, Scientific American, “Evolution of Creativity: the rise of the innovative mind”, pág.28)
        3.10 – “(…) Ethics is figured as a process of becoming-with constitutive others” (Sarah Kember, 2014).
        Etc., etc.

        1. Nós somos gregários. Todos precisamos de todos. Todos somos livres e de algum modo atados a viver essa liberdade. Não preciso de mais um duplo para me conhecer melhor. Nem você. Nem ninguém. Acredito que só em situações extremas atingimos o pleno. Mas não tenho interesse algum em lá chegar.

          1. Tem a certeza absoluta que sem o duplo de si mesma, por o Outro lhe permitir ser o espelho que o vê, podia ter consciência de si, e escolher o caminho que escolhe?
            A sério, que tem essa certeza?
            Aqui, que não nos vemos uns aos outros, esses “duplos” não são os nossos nicks, avatares e textos?
            Não é essa premissa exterior a nós próprios que os “duplos” nos permitem?
            Não é essa “exterioridade de nós” (daquilo que somos) que os “duplos” permitem, que é o nosso único “ponto de fuga” do estádio evolutivo que somos?
            Logo, a nossa única tábua de salvação, para essa tal “Liberdade”?

          2. Não sei se reparou, mas aqui com ” duplos”, só os comentadores.
            Depois certezas absolutas são tão míticas como a fada dos dentes. Pôr tudo em causa é do seu pelouro, com ou sem doppelgangers. E compete-lhe a si provar.
            Eu já me provei qb.

  6. Ouvi há pouco tempo, tenho de verificar onde para anotar o seu autor, que em vez dos governos se preocuparem em zelar pela verdade, deviam apenas preocupar-se em zelar pela liberdade. Havendo liberdade (de imprensa) a verdade acaba sempre por ser revelada. Quando há uma verdade oficial é sempre a verdade a que sai derrotada.

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