Comemoramos a 18 de Abril O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

A data visa promover os monumentos e sítios históricos e valorizar o património português, ao mesmo tempo que tenta alertar para a necessidade da sua conservação e protecção.
Hoje decorrem várias iniciativas para celebrar a data, como visitas e entradas gratuitas nos monumentos. Ao longo da semana, também se realizam comemorações por todo o país, cada ano com um novo tema.
A data foi instituída a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), associação de profissionais da conservação do património, e aprovada pela UNESCO em 1983.”

Considero-me uma pessoa de sorte. Nasci rodeada pelos mais notáveis marcos da nossa história e pelas suas próprias histórias.
Por exemplo, depois de escolhida a ordem de S. Jerónimo para ocupar o Mosteiro assim que terminado, foi fixada uma cláusula que dizia que “os monges deveriam orar diariamente pelo Príncipe Henrique, o Navegador. Também, pelo rei da época e todos aqueles que ocupassem o trono português.”
Ou que o Padrão dos Descobrimentos foi construído duas vezes.
Ou que no Beco do Chão Salgado, local onde se ergue o Pelourinho com o mesmo nome, esteve anteriormente edificado o Palácio dos Duques de Aveiro, e que após o processo dos Távora foi destruído, arrasado e salgado o chão para que coisa alguma pudesse ali germinar.
Ou que a rua do Palácio Calheta se chamava Pátio das Vacas, porque ali se situava a Vacaria Real.
Estas e outras histórias contava a Tia Adelaide com os seus óculos escuros e Panamá encarrapitado no alto da cabeça, três bolachas Maria embrulhadas num guardanapinho branco e um saco cheio de pão duro que atirávamos aos peixes e aos patos que nos aguardavam a grasnar, sentadas num banco de pedra, debaixo de uma sombra frondosa no Jardim do Ultramar.

(Duas fotos do Google)
Comemora-se també hoje, 18 de Abril O Dia Mundial do Radioamador.
Este dia comemora a formação, em 18 de Abril de 1925, da IARU – International Amateur Radio Union, em Paris.
Apesar de se achar, na altura, que a denominada onda curta não tinha qualquer utilidade, os radioamadores foram os primeiros a concluir que suportava comunicações a longa distância.
Assim, com a vista à utilização comercial desses menores comprimentos de onda, os radioamadores ficaram em risco de ser colocados de lado, ou seja, sem espectro…
Com vista a evitar tal situação, um grupo de pioneiros do radioamadorismo juntou-se em Paris e formou a IARU, constituindo-se num grupo de pressão organizado.
O trabalho deu frutos e, apenas dois anos mais tarde, na Conferência Internacional de Radiotelegrafia – que precedeu as WRC’s dos nossos dias -, foram atribuídas as bandas de 160, 80, 40, 20 e 10 metros aos radioamadores.
Desde então a IARU tem-se batido na defesa do espectro dos radioamadores, tendo-se verificado a expansão das alocações de faixas de frequência que são conhecidas.”

Estávamos nos finais dos anos 70.
O meu irmão tinha trabalhado nos três meses de férias para poder comprar o rádio. Um despretensioso mas extremamente eficaz President Grant, com uma antena que quase deu um chilique à minha mãe quando viu o filho empoleirado na varanda a partir de onde, com a ajuda do vizinho da frente, montou uma antena Ground Plain de um quarto de onda, de sua própria autoria.
Tudo começou com os Radiostars, cinco curiosos aficcionados da CB, Banda dos 11 metros, baixa potência (10 watts em bandas laterais), beneficiando da fantástica propagação ionosférica que se verificava na altura.
Eram o Osíris, o meu irmão (para quem desenhei um QSL que tinha um egípcio empunhando um microfone com as pirâmides de Gizé como pano de fundo), o Alvega, um glorioso maluco das máquinas voadoras cujo nick foi claramente inspirado no mais famoso piloto luso da BD, o Chacal, o Vangelis e o Arena.
A competição dos DX era grande. Falar para o outro lado do mundo era excitante, os serões eram surpreendentes mas também frustrantes quando a chamada “cq cq cq dx” seguida da identificação do caller tinha fraca ou nenhuma resposta.
Eu assistia, mas não era uma Radiostar. Aquilo era quase um clube do Bolinha, mas ainda me aventurei na onda, principalmente quando, o esparadrapo e os macanudos não estavam por perto, ou descomprimiam como verdadeiros pernetas à volta de uma loura suada.
“CQ DX Lisbon. Portugal“… e logo a seguir “here ZKA Christchurch”. Eu. Euzinha, sozinha e apardalada, nem soube bem o que dizer… 88 e 55. Mas fiz DX para NL, caramba.
Como aparvalhei um bocado, fiquei proibida de tocar no aparato sem supervisão de feiticeiro.
Continua e ser um hobby espectacular!

51, 55, 73 e 88 para todos. Going QRT.
A memória é uma coisa do arco da velha. 😍
Roger!

está a sonhar com um país de fantasia.
devia saber que a afundação deste rectângulo se iniciou a 25 da abril.
antes havia aqui uma quinta onde o intestino das vacas, por serem vegetarianas transformava a celulose em metano, que hoje vai ser aproveitado para cozinhar
Estou a sonhar com um passado distante que longe de ser melhor, era muito mais bonito. Gostava que os meus netos tivessem memórias bonitas, assim assim.
E há uma besta quadrada, quadrada não, elevada à máxima potência, que sugeriu derrubar aquele monumento que comemora o feito dos nossos antepassados navegadores.
Creio que haveria uma insurreição popular aqui em Lisboa das sérias.
Não se deve destruir coisas que servem para atrair turistas.
Não se deve destruir arte, balio. Ponto.
O problema é saber o que é que é arte… Sobretudo em arquitetura.
Pois, é capaz de ser o problema de todos, inclusivamente do balio.
A Tia Adelaide, se possível, seria esfolada viva pela esquerda pro-igualitária.
Eu tive um Tio Manuel, irmão mais novo de minha mãe, meu padrinho de baptismo e solteiro até tardíssimo. Levava-nos todos os anos fogo-de-artifício que o meu pai, com seis filhos não poderia comprar, deu-me o primeiro relógio – um “Longines” – o primeiro fraque, calças de flanela duma qualidade hoje inexistente, casacos de “tweed”, tudo coisas que, por um motivo ou outro, deixara de usar. Mas, sobretudo, livros escolhidos que depois exigia discutir, visitas a museus e lugares históricos. Também me ensinou a jogar xadrez com algum êxito. Sobretudo, deu-me todos os dicionários escolares – de português tinha em casa – e incutiu-me o hábito de os consultar (coisa que não repliquei nos meus filhos que, ainda hoje, com tudo facilitado pelo “Google” preferem perguntar-me).
Enquanto os marxistas não conseguirem criar o “homem novo”, tias Adelaides e tios Manuéis, continuarão a surgir em algumas famílias, oferecendo vantagens exclusivas aos seus sobrinhos. Ou seja, em liberdade, nem sequer a igualdade de oportunidades é possível. A esquerda insiste nesse objectivo e vai restringindo as liberdades em vez de aceitar o facto e minimizá-lo com todos os apoios possíveis, bolsas de estudo, créditos a estudantes por actividades culturais praticadas, etc.. Mas, pelo sim pelo não vai colocando os filhos no Colégio Alemão ou, pelo menos, no Colégio Moderno.
A Tia Adelaide não era perfeita. Era Sindicalista e Socialista dos quatro contados. Foi ela e o tio Marcelino que me levaram para o PS em 77 quando eu ainda era ” levável”.
Mas adorava a família era paciente e fazia o melhor doce de tomate do mundo e arredores.
Actualmente seria contra toda a destruição da arte. Mesmo ordenada pelo PS.
O dia do radioamador devia ser também o nosso dia, bloguistas, que deles somos o sucedâneo
Tem muita lógica o que diz jpt, mas para os bloguistas convencionou-se 31 de Agosto
Lamentávelmente, o castelo da sede do meu concelho Santiago do Cacém, é o cemitério municipal. Tem umas vistas espectaculares sobre a mar e a planície mas está tão morto como os que lá estão dentro.
Já me esquecia. Como todos os santiaguenses são descendentes do Conde Bracial, referência imortal para Santiago por ter trazida para Portugal o primeito automóvel, o castelo é o único sítio digno para serem enterrados.
Não é o único, á vários cemitérios dentro das muralhas dos Castelos.
o de Sesimbra também tem vista para o cemitério.
Já visitei e é ao mesmo tempo tétrico e deslumbrante
‘Como todos os santiaguenses são descendentes do Conde de Bracial, referência imortal..’
Todos? Então o Conde nasceu em Ourique e só apareceu em18.. em Santiago para casar com uma descendente de ricos lavradores santiaguenses de origem francesa?
E o santiaguense Martim Soares Moreno (nasc. 1586) fundador do actual Estado do Ceará (Brasil) que teve grande mérito no reconhecimento de países europeus do Tratado de Tordesilhas?
Parece que se esqueceu de mais uns bons milhares de descendentes de outras famílias santiaguenses.
Santiago do Cacém é um espectáculo , isso é que é uma grande verdade.
Senhor X, isso é demais sabido. Mas não deixa de ser verdade que a mentalidade dessas épocas ainda prevalece em Santiago do Cacém, hoje o seu castelo deveria servir para muitas e outras coisas, como por exemplo criar ambiente que valorizasse esses e muitos outros santiaguenses esquecidos por muita gente, e não para um cemitério.
Concordo em absoluto
Maria Dulce Fernandes
Um Pelourinho é uma coluna levantada em lugar público, onde outrora se expunham e se castigavam os criminosos, não é o caso que refere sobre o a coluna que está no Beco do Chão Salgado.
Aquela coluna é um Padrão-Memória, mandado erigir pelo Marquês de Pombal em memória da condenação do Duque de Aveiro e do Marquês de Távora pelo atentado ao Rei D. José I.
Tem muita razão no que diz, apesar de sempre o termos conhecido por pelourinho. Nem foi posta a definição em causa exactamente por “Um Pelourinho é uma coluna levantada em lugar público, onde outrora se expunham e se castigavam os criminosos” e aquele lugar tinha sido palco disso mesmo. Mas como diz o X tem muita lógica.
Os martirizados no Processo dos Távoras nunca estiveram expostos num Pelourinho, que em Lisboa estava no actual lugar, seguiram directamente para das prisões para um palanque-cadafalso levantado nessa zona de Belém.
Este Padrão é de construção posterior, e nunca serviu de Pelourinho.
Tem lógica sim senhor. Vou aproveitar para me esclarecer nesse particular. Obrigada.
Cumpri da maneira que me pareceu melhor, indo a um monumento. No caso, o Palácio de Mateus, monumento nacional desde 1911 onde houve uma representação de um texto de Almada Negreiros por ocasião dos 420 anos da publicação de Os Lusíadas
Estive lá há cerca de 13 anos. Fizemos uma bela passeata pelo Douro Vinhateiro e ficámos numa quinta mesmo ao lado do palácio.
Boa iniciativa João Pedro.