História de uma criação


jmmcc,

Acaba aqui a história da criação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Quer dizer que termina também a tournée de uma dramatização que percorreu o País. É o fim de uma peça teatralizada sobre negociações irredutíveis e irredutibilidades negociáveis. A partir de agora, voltamos à história antiga e vale a pena fazermos duas perguntas.

Primeira pergunta: quantas vezes um Orçamento foi chumbado no passado? Resposta: nenhuma. Segunda pergunta: quantas vezes um Orçamento foi cumprido? Resposta: nenhuma. Orçamentos rectificativos, Orçamentos suplementares, desorçamentações, receitas extraordinárias e por aí fora, manobras à vista e esquemas escondidos — o cardápio é longo e conhecido.

Em toda esta história com mais de três décadas, a conclusão possível é apenas uma: o OE para 2011 é imprescindível que venha a ser aprovado e era impensável que chumbasse, mas não se sabe bem porquê. Só se sabem duas coisas: que a criação não será cumprida e que a sua execução permanecerá nas mãos dos criadores, que já levam anos a mostrar a maior incompetência para executar e cumprir.

Por outras palavras: continuamos bem entregues. O OE é essencial…

10 comentários em “História de uma criação”

  1. Para quê tanta?…

    Dessa redita insistência,
    num discurso tão enfadado,
    revela-se a impotência
    de um regime malfadado.

    Qual mistura tão explosiva
    de números mal amanhados,
    numa fixação evasiva
    por rumos assaz definhados…

    De podridão em podridão,
    de dolência em dolência,
    é tamanha a lassidão
    a caminho da falência…

    À mesa do orçamento
    é farta a ladroeira,
    neste abjecto momento
    de um regime sem eira.

  2. …Orçamentos rectificativos, Orçamentos suplementares, desorçamentações , receitas extraordinárias e por aí fora…

    Um orçamento é uma previsão feita a partir dos dados disponíveis na altura em que é feito. Trabalhei 10 anos para uma das mais bem sucedidas empresas internacionais. Todos os anos se fazia (ao meu nível), um orçamento anual que era corrigido trimestralmente. Nunca fui chamado de desonesto nem incompetente por, a cada trimestre, apresentar valores diferentes.

      1. Obrigado, Sr. João Carvalho, pelo cumprimento. A minha ausência deveu-se exactamente a um erro de previsão, desta vez pela própria Morte. Já nem Nela se pode confiar: disse aos médicos que eu morria em Agosto e depois não apareceu para me levar. E o pior é que não marcou nova data.

        1. Redobro o gosto em tê-lo de regresso. Espero que esteja recuperado depressa, antes de mais nada, e que volte a deixar-nos contar consigo.
          Um abraço e votos de rápidas melhoras.

  3. Caro JC

    A porteira de um prédio contíguo ao que serviu de teu refúgio em Lisboa, perguntou-me quem era “o Orçamento do Estado que falam tanto dele na televisão”. Respondi-lhe que era um primo do Alberto João Jardim… gasta que se farta.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *