À borda da pista, num baldio coberto da erva túrgida de uns dias de chuva, uma velhota frágil, de óculos, segava-a com uma foice. Parei. Boa tarde. Boa tarde, respondeu. Está a cortar erva para os seus coelhos, aposto, disse com um sorriso – a velha parecia simpática. Estou, disse ela com um molho de ervas numa mão e a foice na outra, levantando-se. E tem muitos?, perguntei, a pensar que nem sequer um cesto trazia, dali não levaria grande coisa. Não, disse ela, só quatro coelhas e um coelho. Morreram-me cinco, não sei o que deu nos filhos da puta, e já larguei o coelho às coelhas mas nada. Se daqui a uma semana estiver igual mato-as. A elas?, perguntei. E ele? – se calhar a culpa é dele. Olhe que tem razão, vai-se a ver é paneleiro, o grande caralho.
Às vezes gosto do meu povo.

Ela que mude de coelho para ver o que acontece. Pode ser que as coelhas sejam feministas e o considerem um machista. Ou então ele está inibido por tantas quotas preenchidas na coelheira. Cada vez que vou a um supermercado vejo mais elas que eles. Parece-me que as quotas estão a ser ultrapassadas. Mas também vejo-as menos a varrer o lixo nas ruas, e ali na estiva portuária não vejo nenhumas. E menos ainda a carregar malas para o porão dos aviões. Na construção civil nem uma. Será que esta porra das quotas é só para administrações?
Essa do coelho lembra-me a história recente de um tal Smith que terá dado uma estalada num apresentador de óscares. Cá para mim pode ser um acto racista por o tal Smith ter esbofeteado outro negro. Mas parece que se entretêm a divagar sobre uma simples estalada quando a moda é racismo. Vá lá um gajo entender estas mariquices.
Tão simpático por gostar do seu povo.
O seu postal nem para o seu povo serve.
Apenas ridículo e rude.
Lindo. Que pérola! E que bem sabe rir. Só porque sim.
Que delícia
Essa mania de morrerem de morte súbita é que lixa a criação de coelhos.
A verdadeira questão aqui é saber como é que o galo sabia que tinha essa opção sem ter frequentado aulas de “encontra o teu género” na 3ª classe.
Uma pérola.
(a ser inventada, a modernice dos óculos misturada com o segar erva é incongruente)
Abençoado Humor!

O que eu me ri…
A gente anda por aí a ver se lê algo que nos preencha, com graça, com os condimentos todos, pois a vida já vai tão insípida…
Só no Delito é que nos dão textos “quanto baste…”
Há tanto tempo que não soltava umas gargalhadas!