O presidente da Câmara de Lisboa diz, repetidas vezes, que gostaria de retirar cada vez mais carros da cidade. É pura hipocrisia. Os veículos são uma fortíssima fonte de receitas da autarquia – nomeadamente através do estacionamento e das multas, por exemplo, já para não falar nos impostos indirectos que geram através dos combustíveis.
De resto, sabendo nós como funciona a caótica rede de transportes públicos da capital, se por absurdo metade dos utentes que entram diariamente em Lisboa ao volante dos seus veículos particulares passassem a fazê-lo por transportes fluviais, rodoviários e ferroviários, o sistema entraria de imediato em colapso. Como bem sabem aqueles que, como eu, utilizam essa rede todos os dias.

Capital museu. Lugares de estacionamento livres para recolher frotas de famosos, colecionadores, e respirar salpicada de estaleiros de sucata.
Má dona.
hipócrita é muito…………. lisonjeiro.
António Cabral
Admito que sim.
No início desta semana dei conta, algures, de uma reportagem sobre as empresas que se dedicam ao “serviço público” de guardar os carros de quem viaja a partir do aeroporto de Lisboa. A reportagem denunciava a aldrabice de duas empresas nesse negócio que, “vendendo” um estacionamento coberto, se limitavam a levar os carros para a Av. Gago Coutinho, ali à mão, e deixá-los aí estacionados na via pública.
Os autores da reportagem reclamavam regulação para o exercício da actividade, no que entenderam consultar a Câmara de Lisboa, que lhe respondeu de imediato que o problema estava a ser tratado. Que tudo está resolvido porque, em 2019, os cerca de 2 quilómetros daquela avenida que ainda estão em regime de parqueamento livre irão passar para estacionamento pago. Ora aí está…
Pois. Mais uma prova do que digo: é uma hipocrisia despudorada fazer o discurso anticarros enquanto se ganha rico dinheirinho à custa desses mesmos carros. E enquanto o sistema público de transportes piora a olhos vistos – designadamente a Carris, agora sob a responsabilidade do município.
Se por hipótese académica Lisboa deixasse de receber mais de 400 mil carros diários, o sistema de transportes colapsava, o tecido económico da cidade sofria um abalo sísmico e a Câmara de Medina perdia uma das suas principais fontes de financiamento.
Poupem-nos, portanto, a tanta demagogia.
o sistema entraria de imediato em colapso
Naturalmente que sim. Todos os sistemas (de transporte, ou seja do que fôr) estão adaptados ao número de utilizadores que têm; raros são os sistemas que têm uma grande capacidade de reserva disponível. Um sistema que tenha uma grande capacidade de reserva, sem utilização, é estupidamente caro e ineficiente.
Então deixem-se de hipocrisias e de declarar guerra aos automobilistas.
Laboram todos em erro.
O Sr. Autarca (talvez futuro PM, quem sabe? afinal esta república já tem parido gente pior para PM – bem, talvez não exactamente “pior”) pretendeu referir as bicicletas e os burricos.
Faltou a exegese do Sr. Comentador Marcelo, actualmente tão ocupado com o superior interesse da criança, perdão, da Nação, O Beijo, O Abraço, e o Pastel de Nata (os Três Pilares da Felicidade dos Tolos).
Bem haja caro Pedro. Já restam poucos não situacionistas por estas bandas.