As peças jornalísticas de Ernest Hemingway no Toronto Star, de que foi repórter e correspondente internacional entre 1920 e 1924, estão finalmente disponíveis aqui. O que é um prazer enorme para todos os apreciadores da obra do autor de Adeus às Armas e O Velho e o Mar. Até porque a prática jornalística é indissociável da sua técnica como escritor.
(via Der Terrorist)


Ainda ontem ( e hoje) me lembrei de Ernest Hemingway por causa de um post meu sobre o suicídio. Hemingway, que não deixa de ser grande, enorme, por causa do seu “ato final”.
Tantos escritores se suicidaram, incluindo escritores portugueses. Já escrevi sobre o assunto.
” Um homem destruído mas não vencido
Meio século depois da publicação, O Velho e o Mar, de
Hemingway, mantém toda a capacidade de seduzir o leitor.
….
Santiago, um homem no limiar da pobreza mais extrema
e praticamente escorraçado da sociedade, tem apenas
como amigo um rapaz chamado Manolín. Só esta
criança – única personagem do género na obra
novelística de Hemingway – mantém toda a confiança
nas capacidades do velho pescador que se prepara
para enfrentar o derradeiro desafio da sua vida no mar
das Caraíbas. Por isto, O Velho e o Mar também
constitui um hino à amizade.
….
Pedro Correia, in “Diário de Notícias”, Janeiro, 2003
🙂
Plural, manual de Lingua Portuguesa do 9º., Elisa Costa
Pinto e Vera Saraiva Baptista. Foi neste livro que o
encontramos, agora mesmo… A minha filha é uma
rabicha, um desassossego, estava a estudar , e gritou,
mãe, olha o Senhor do Delito!, está no meu livro!
🙂 Obrigada, continue a escrever, nós gostamos de ler.
Beijinhos do norte
Desconhecia, Ilda. E gostei muito de saber por si, desta forma tão bonita. O melhor que há em escrever nos blogues são estas boas surpresas que por vezes vêm ao nosso encontro.
Vou ver se descubro o livro e reencontro esse meu texto de que não cheguei a conservar cópia.
Um beijinho à sua filha. Com votos de que ela concretize todos os sonhos, nos estudos e na vida.
Correspondente internacional e correspondente de guerra em Madrid, durante a Guerra Civil espanhola, foram apenas partes da vida cheia e vibrante de Hemingway.
«Politicamente, foi exemplo vivo e premonitório do rompimento de relações entre Washington e Havana. Na sua eventual ingenuidade política, a sua provável frustração perante o rápido endurecimento da política ditatorial de Fidel foi por certo profunda. Mais a mais por o próprio Hemingway ter sido espião do FBI (através do embaixador dos EUA em Cuba) desde 1940, durante a II Guerra Mundial e o regime de Fulgencio Batista — o que lhe rendia 500 dólares mensais (bem pouco, por sinal).
Hemingway era o agente 08 e reuniu um grupo de informadores na ilha, que passou a coordenar. Durante a Guerra, encarregou-se de vigiar os simpatizantes da ditadura de Fulgencio e procurou convidar para sua casa alguns dos mais influentes, sobre os quais passava informações ao governo norte-americano. Ainda durante a Guerra e nas suas voltas ao largo de Cuba, usava o iate ‘Pilar’ (que conseguiu arranjar e renovar com dinheiro que recebeu dos EUA expressamente para o efeito) para tentar localizar submarinos alemães.
É quase impossível que Castro não tivesse sabido do papel do agente 08. Isso talvez explique a “benevolente compreensão” que o novo ditador dispensou à viúva do escritor quando entendeu chamar seus a propriedade, o recheio e o iate.»
(Comentário recuperado daqui: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/17 71661.html)
Ficaram-lhe com a casa, o iate, os livros (excepto cerca de uma centena, que o ‘benevolente’ ditador autorizou Mary a transportar para os EUA) e pelo menos um quadro. A casa, transformada em museu, serve hoje de fonte de financiamento ao “estado cubano” (o mesmo é dizer, ao exército e ao partido, as duas únicas entidades que mandam em Cuba, sob o mando de uma só pessoa, o general Raúl Castro). Uma excelente amostra do “socialismo” cubano.