Alguns comentadores da blogosfera afectos ao PSD não escondem a sua decepção pelo facto de o partido ter viabilizado o Orçamento de Estado para 2010 apresentado pelo ministro Teixeira dos Santos, que está definitivamente desprestigiado. Nenhuma conta que o titular da pasta das Finanças apresentou até agora foi confirmada pelos factos e ninguém imagina que alguma operação de aritmética que emane do seu gabinete do Terreiro do Paço passe a bater certo a partir de agora. Apesar disso, o presidente da bancada parlamentar laranja não teve a mínima dúvida em considerar que seria "uma leviandade e uma falta de maturidade" a mera hipótese de os sociais-democratas poderem votar contra o mais decisivo instrumento da acção governativa. Uma réplica evidente àqueles que, como José Pacheco Pereira, andaram desde Outubro a pregar no deserto, bradando que "não é sadio considerar que pode ser objecto de negociações o núcleo fundamental que diferencia o PS e o PSD."
Motivo de espanto? Nenhum. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial" a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.
Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates está a construir a sua nova maioria no Parlamento.


Com ‘este’ PSD e sem Alegre, Sócrates ainda acaba por angariar uma maioria parlamentar mais confortável do que já teve.
Isso não vai acontecer porque, para o mal dos seus pecados, Sócrates ainda via ter que “levar” com o dito alegre…para o BONHEUR e tranquilidade (eleitoral) do actual PR!
…Onde se lê “via ter”, leia-se (como é lógico):
VAI TER. As m/desculpas.
Só não desculpo essa mania de GRITAR.
Cuidado! às vezes isso dá 10 dias antes de bater-bota!!
“Alguns comentadores da blogosfera afectos ao PSD não escondem a sua decepção pelo facto de o partido ter viabilizado o Orçamento de Estado para 2010 apresentado pelo ministro Teixeira dos Santos, que está definitivamente desprestigiado.”
eu não pertenço a tal grupo! acho muito bem que tenha optado pela neutralidade…você ja imaginou o que diriam se a Drª Manuela Ferreira Leite, não tomasse a posição que tomou…o que andariamos a discutir por esta altura seria…não sei o quê, mas uma coisa era certa, a Drª Manuela Ferreira Leite era a culpada…
A Drª Manuela Ferreira Leite transportou o país politico para a realidade da situação economica…se estivessemos à espera dos jornalistas para exercerem a sua função natural, bem podiamos esperar…lol
veja-se o caso de mais um acto de censura que o “jornalismo” português vai assobiar para o lado, como das outras vezes…lol asfixia democratica não existe rsrs eu so sei é que a mensagem vai passando de uma maneira muito soft…ai de algum jornalista que trabalhe para o OLIVEIRINHA que critique o Socrates Madoff…é por isso dadas as reservas mentais que tem em criticar Socrates é muito mais facil e seguro se virarem para a Drª Manuela Ferreira Leite lol A Grande Manuela Ferreira Leite !!!!
PS-
Já percebi que a moda do ‘lol’ passou a ocupar-lhe a mente («lol asfixia» incluído, pelos vistos). Agora a faculdade de assinar pelo PS é que não lhe conhecia.
“Agora a faculdade de assinar pelo PS é que não lhe conhecia.”
foi um engano, puro engano! pois acredite que eu não sou jornalista…
Nem precisa de dizer.
No melhor pano…
…do Oliveirinha, é claro lol
Olhe, lol p’ra si também.
Com esta aprovação do OE e uma nitida época de tréguas patrocinada por Cavaco, é chegada a hora de governar!É disso que o País precisa, o resto é para entreter.
Eis a crónica de Mário Crespo que devia ter sido publicada hoje no JN e foi censurada, à “boa” maneira do antigamente:
«Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.»
Supreendente, o JN não traz na primeira página o carimbo que se usava há coisa 40 anos: “Visado pela Censura”. Modernices…
Ou pós-modernices.
Pois é, Pedro…
Não sei se já aqui colocou uma canção de uma banda, já não me lembro o nome, dos anos 60, com um refrão assim: “… so happy together…” (a frase sobe de tom, lembra-se?)
Mas é realmente a banda musical para este post!
Esta foi uma das minhas últimas ingenuidades: o PSD afirmar-se finalmente, mas há ali uma lógica medíocre e mesquinha de que não se liberta… pelo menos com os actuais responsáveis.
É uma cultura política de corredor e de gabinetes que me irrita profundamente. Mas está “in” no país. Arruma-se tudo entre dois cafés ou entre duas fumaradas. É assim que eu agora vejo a cultura política portuguesa.
Não temos uma cultura verdadeiramente de e para um colectivo. E estamos muito longe de uma maturidade democrática.
A banda – Turtles – a canção http://www.youtube.com/watch?v=BBb-O0sfz j0
Desculpem a intromissão, não resisti…:))
Concordo consigo, Ana, o bolo e a banda sonora ficariam muito bem , a condizer…
É isso, Maria!
Como é que sabe estas coisas todas?
Obrigada!
Ana
Já cá andam há muitoa anos e não só…:))
Vivi sempre rodeada de amigos e familiares músicos.
…”ando há muitos anos” – até já estou “taralhoca” ;))