
Era difícil os cardeais terem escolhido para Papa alguém mais diferente de Bento XVI. Enquanto Ratzinger era um intelectual, avesso a multidões, Bergoglio demonstrou logo na sua primeira aparição pública que se movimenta nelas como um peixe na água. Foi impressionante a empatia que criou junto das centenas de milhares de fiéis que enchiam a Praça de São Pedro. E, embora tivesse pedido duas orações pelo Papa Emérito Bento XVI, ficou claro para todos que a partir deste momento é ele e só ele quem enverga o anel do pescador e que as coisas vão mudar muito no Vaticano. A escolha do nome Francisco é todo um programa de reorientação da Igreja no sentido de missionação universal e de apoio aos pobres, em contrariedade precisamente ao nome de Bento que representava antes a tradição intelectual da unidade da Europa em torno da Igreja. Não é por acaso que Bergoglio tinha sido o preferido no anterior conclave por aqueles que se opunham à escolha de Ratzinger. Com Francisco I a Igreja Católica vai abandonar o seu eixo romano e andar pelos confins do mundo onde os cardeais foram buscar o novo Papa.
É impossível ignorar o peso político que tem a escolha de um novo Papa. Embora Estaline tivesse uma vez perguntado quantas divisões tinha o Vaticano, é evidente que é enorme a influência de alguém que é o chefe religioso de centenas de milhões de pessoas. E, ou muito me engano, ou, ao contrário de Ratzinger, este novo Papa vai ter uma intervenção pública constante de defesa dos mais desfavorecidos perante a crise económica que assola o mundo. Há uma nova realidade no Vaticano com que os governantes mundiais passam a ter que contar.

Ó Luís, caramba, escreve-lhe o nome direito…
Fui enganado pelos primeiros sites que surgiram. Já corrigi o nome.
“E, ou muito me engano, ou, ao contrário de Ratzinger, este novo Papa vai ter uma intervenção pública constante de defesa dos mais desfavorecidos perante a crise económica que assola o mundo”
Esta frase mostra só pode significar que não esteve atento ao que Bento XVI disse e escreveu. Ou então tinha algum tipo de preconceito para com o anterior Papa. Uma sugestão: leia a encíclica Caritas in Veritatis e a última mensagem para o Dia Mundial da Paz
Estive atento e considero que foram documentos importantes. Devo dizer que tinha grande admiração intelectual pelo anterior Papa. O que me parece é que este vai ter muito mais influência política.
De acordo, Luís. É claramente uma página que se vira – muito para além da simples mudança de titular no Vaticano. Como dizes, vislumbra-se todo um programa sob as nove letras do nome escolhido pelo novo líder da Igreja Católica, a maior comunidade humana do planeta.
Bergoglio tinha sido o preferido no anterior conclave por aqueles que se opunham à escolha de Ratzinger
Como sabe?
Que eu saiba, aquilo que se passa nos conclaves, e os resultados das votações, são absolutamente secretos.
Não acredito que algum cardeal do anterior conclave tenha andado a divulgar isso.
Segundo informaram os jornais houve um cardeal que referiu nas suas memórias o resultado do conclave anterior. Estando em causa mais de uma centena de cardeais é muito difícil guardar segredo. Os livros de história referem abundamentemente as discussões nos diversos conclaves.