Há sempre várias leituras para um mesmo facto


Sérgio de Almeida Correia,

1) Aqui pode-se dizer que o Governo anterior se limitou a gastar dinheiro e fazer propaganda, inaugurando obras por concluir e sem o mínimo de condições. Noutra perspectiva dir-se-á que o Governo que lhe sucedeu é profundamente incompetente e em três anos mostrou-se incapaz de concluir a obra, não havendo sequer perspectiva do prazo em que tal ocorrerá e do custo final que será pago pelos contribuintes. Agora, os pais e responsáveis pela Junta de Freguesia querem que seja a Assembleia da República, que não tem competências executivas, a fazer o que dois Governos, em quatro anos, não conseguiram concretizar: construir uma escola básica necessária para os alunos de uma freguesia de Lisboa.

O facto: o Presidente da República apela ao consenso entre os principais partidos mas ainda não percebeu que os partidos são avessos a uma visão monocromática da incompetência.

 

2) Nesta segunda situação, a oposição dirá que a conclusão óbvia é que o Governo PSD/CDS-PP não serve aos portugueses porque a sua acção ao longo do tempo é causa directa de um aumento exponencial das fraudes. As gentes da maioria, numa visão mais benigna, dirão que a acção do Governo no combate às fraudes levou os vigaristas a criarem novos esquemas para a realização de ganhos fáceis. Os chicos-espertos verão aqui uma oportunidade de negócio e o apoio do Governo ao empreendedorismo.

O facto: os portugueses estão exauridos, não sabem como fazer face aos seus gastos básicos e procuram formas alternativas para aumentar os seus parcos rendimentos, sujeitando-se a esquemas duvidosos promovidos por oportunistas sem escrúpulos.

 

Conclusão: enquanto se mantiver este estado de coisas, com ou sem tutela da troika, não iremos a lado algum.

0 comentários em “Há sempre várias leituras para um mesmo facto”

  1. O facto: os portugueses estão exauridos

    Não. O que acontece é que, face à descida brutal das taxas de juro pagas pelos depósitos bancários, os portugueses estão abertos a todo e qualquer esquema que prometa dar-lhes uma boa remuneração pelas suas poupanças.
    Os portugueses que poupam estão exauridos de verem as suas poupanças remuneradas a 1% ao ano.

  2. os pais e responsáveis pela Junta de Freguesia querem que seja a Assembleia da República, que não tem competências executivas, a fazer o que dois Governos, em quatro anos, não conseguiram concretizar

    Se fosse na minha terra os próprios pais meteriam, com a ajuda de alguns industriais e beneméritos, as mãos à obra e, com os seus donativos – que não seriam tão poucos, pois a zona do Parque das Nações é das mais ricas de Lisboa – acabariam de construir a escola, pouco a pouco.

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