Há asfixia democrática em Portugal, como acusa Manuela Ferreira Leite?


jorgeassuncao,

Há. E Pedro Santos Guerreiro tem um excelente texto sobre o assunto no Jornal de Negócios:

 

Mas há quem tenha medo e faça auto-censura. E há ameaças de represálias. Ferreira Leite foi pouco específica, mas subentende-se que falava daqueles que trabalham ou têm relações com o Estado: a Administração Pública, as empresas públicas, as empresas privadas que, numa economia tão estatizada, dependem de uma licença, autorização ou beneplácito do Governo. Vários casos de represálias foram sendo tornados públicos. Do processo disciplinar da DREN a um professor que faz piadas de mau gosto, a Paulo Azevedo que assume que a Sonae perde negócios por causa da linha editorial do "Público". […] Sim, o Estado é retaliador, sim há um clima de desrespeito pelo livre funcionamento da economia, da igualdade de oportunidades entre as empresas, da liberdade de crítica e de imprensa. Nunca foi tão mau? Enquanto a sociedade se amochar, será cada vez pior.

 

O exemplo de Paulo Azevedo e da SONAE talvez ajude a explicar as "razões económicas" que  fundamentaram o fim do Jornal Nacional à sexta-feira na TVI.

4 comentários em “Há asfixia democrática em Portugal, como acusa Manuela Ferreira Leite?”

    1. Carlos,

      se é certo que MFL não olha para a Madeira, não é menos certo que Sócrates olha e muito, ao ponto de fazer copy-paste dos processos utilizados por Jardim, aplicando-os a uma escala nacional. Pena é que quem olhe para a Madeira, não olhe para Portugal.

      1. Dou-te toda a razão, Jorge. Aliás, creio ter sido aqui que glosei sobre o assunto e afirmei que Sócrates tinha aprendido muito com Jardim. No entanto, isso não confere a MFL o direito de falar de asfixia democrática. E digo-te mais… muito do que está escrito no teu post é pura verdade, mas sempre aprendi que não devemos atirar pedras ao telhado do vizinho, quando temos telhados de vidro…

        1. “isso não confere a MFL o direito de falar de asfixia democrática.”

          Pelo contrário, quem quer e pode vir a exercer o poder em Portugal, não só tem o direito, como deve falar do que se passa no país. Se os lideres partidários deixassem de falar a verdade aos portugueses devido a qualquer telhado de vidro, muito mal estaríamos. E, convenhamos, a situação na Madeira é culpa de Jardim (não de Ferreira Leite, que não nutre simpatia pelo sujeito), mas a situação em Portugal é culpa de Sócrates.

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