![csm_Guida-Maria_site_860429ac65[1].jpg csm_Guida-Maria_site_860429ac65[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21915677_9mhZo.jpeg)
«O meu maior pesadelo é ter de aturar estes gajos todos que falam nas televisões e só dizem mentiras em que o povo continua a acreditar»
Foi uma das mulheres mais atraentes que conheci. E era uma actriz muito talentosa, tanto no drama como na comédia. No dia em que a entrevistei, sublinhou várias respostas com gargalhadas contagiantes. Assim lembrarei sempre a bela Guida Maria, falecida cedo de mais, a 2 de Janeiro de 2018. Deixou saudades.
Tem medo de quê?
De tudo aquilo que não controlo.
Gostaria de viver num hotel?
Não. Preferia antes viver numa casa minha mas tendo os funcionários que costumo encontrar num hotel.
A sua bebida preferida?
Água – da torneira, de preferência. Sou totalmente abstémia.
Que número calça?
Calçava 36. Mas já vou no 37,5.
Que livro anda a ler?
Ando a ler o último livro do Miguel Sousa Tavares, o Rio das Flores.
E que tal?
Estou a gostar bastante. É completamente diferente do Equador, de que também gostei. Admiro a escrita do Miguel Sousa Tavares: mal começamos a entrar num livro dele, não conseguimos parar.
A sua personagem de ficção preferida?
Talvez as personagens das Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Gosto muitos dos livros dela, sobretudo dos primeiros.
Rir é o melhor remédio?
Com certeza. Devemos passar tudo a desenho animado ou ao registo Monty Python. Seja com quem for, seja sobre o que for.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzida?
Não gosto nada de conduzir. E cada vez tenho mais medo de ir no carro com outros a conduzir.
É bom transgredir os limites?
É a melhor coisa que há.
Qual é o seu prato favorito?
Sou um óptimo garfo. Gosto de tudo quanto seja leve – feijoada, cozido à portuguesa… Só não como nouvelle cuisine. Detesto pagar para ter fome.
Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
Acho que são todos.
A sua cor preferida?
Normalmente é o preto.
Costuma cantar no duche?
Não. Porque tenho dó dos vizinhos. Não canto em sítio nenhum.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Não. Apesar de tudo, é um marco para os portugueses. E até o acho bonito.
Com que figura pública gostaria de jantar?
Com o [Francesco] Alberoni. Sou fã dos livros dele.
As aparências iludem?
Infelizmente, cada vez mais. Mas só iludem se uma pessoa não estiver atenta.
Qual é a peça de vestuário que prefere?
Leggings. Uso-as há 30 anos. Voltaram agora a estar na moda.
Qual é o seu maior sonho?
Já os tive, mas acordei antes de os realizar.
E o maior pesadelo?
Ter de aturar estes gajos todos que falam nas televisões e só dizem mentiras em que o povo continua a acreditar.
O que a irrita profundamente?
A estupidez e a mediocridade.
Qual a melhor forma de relaxar?
Emigrarmos todos.
O que faria se fosse milionária?
Comprava este país, dava uma indemnização a toda a gente que quisesse ir embora, fechava-o para obras e tentava fazer um país mais apetecível.
Casamentos gay: de acordo?
Não tenho o direito de me pronunciar. A vida é de cada um.
Um homem bonito?
Sou profundamente vulgar. O George Clooney enche-me as medidas.
Acredita no paraíso?
Não.
Tem um lema?
Entrar e sair de qualquer sítio sempre de cabeça levantada.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (3 de Maio de 2008)

Exclente lema de vida.
Bom fim-de-semana, Pedro.
Para si também, Isabel. Obrigado.
Não conheci a Guida Maria. Gostava dela como pessoa pública e como a excelente actriz que era. Acredito ter sido uma pessoa frontal e desempoeirada. Conheci o pai dela, o Luis Cerqueira, que era amigo de um amigo do meu pai e que cantava a canção dos ratinhos da Cinderela com vozes giríssimas todas diferentes.
Concordo plenamente que “Ter de aturar estes gajos todos que falam nas televisões” dá vontade de … é mau demais. Boa entrevista. Next!
É verdade, Maria Dulce. O tempo vai passando mas há coisas que não mudam.
Descobri Guida Maria nos filmes do António de Macedo. Por ela também vale a pena revê-los.
Julgo que a terei visto pela primeira vez num desses filmes, “A Promessa”. Era uma mulher linda. E talentosa.
É um bom filme, extremamente bem filmado. Mas o meu preferido, também com Guida Maria (e com Sinde Filipe, com quem contracenou em “A Promessa”), é “O Princípio da Sabedoria”.
Não me lembro desse. Julgo nunca o ter visto.
O meu filme preferido de António de Macedo é o primeiro dele, ‘Domingo à Tarde’. Como aliás tive ocasião de lhe dizer, nuns correios electrónicos que trocámos.
Excelente lema de vida e uma excelente saída na pergunta :
“O que faria se fosse milionária?
Comprava este país, dava uma indemnização a toda a gente”
Muito “Brechtiana”.
Tem razão, meu caro: muito “brechtiana”.
Bom fim de semana. Um abraço.
Foi uma menina prodígio (tal como a Maria Dulce), começou a representar muito cedo, filha de actor e mãe de actriz, era uma mulher lindíssima e partiu demasiado cedo.
Gostei muito desta entrevista.
🍁
Maria
Curiosidade: devo o meu nome ao Frei Luis de Sousa.
Beijinho, Maria. Bom Outubro🍂
Coincidência: também a entrevistei. Antes de estar no DN. Uma longa “entrevista de vida” que lhe fiz quando a actriz tinha um bar ali na zona da Rua da Palma, em Lisboa.
Era uma grande Senhora. Ainda lhe fomos apresentados, eu , a homónima, e os rapazes de “olhos de água ” como lhes chamava . Há quase 50 anos. 🙂
Obrigada, igualmente, Maria Dulce.
Beijinho.
🍁🍂
Maria
Filha de Luís Cerqueira (que era presença habitual nas antigas “Noites de Teatro” da RTP a preto-e-branco) e mãe de Julie Sergeant (o pai da Julie, Mike Sergeant, é meu vizinho).