Guerras de tarifas


joaomsandre,

Há um aspecto curioso desta guerra de tarifas que trump está a iniciar: ele provavelmente ganhá-la-à a não ser que os democratas ganhem a maioria no Congresso em Novembro. Note-se, não acredito em guerras de comércio/tarifas e penso que só há perdedores absolutos, mas em termos relativos os EUA irão quase de certeza vencer este conflito.

 

A questão é que os EUA são o país mais poderoso do mundo, com a maior economia do mundo e com a maior capacidade de absorver estes choques. Irão certamente sofrer (as tarifas irão causar estragos nos EUA, como noutros países) mas os outros países sofrerão mais. Quando a poeira assentar, o que veremos serão provavelmente situações piores da parte de todos os países, mas menos no caso dos EUA, que têm um mercado interno que lhes permitirá repôr os produtos perdidos (mesmo que a custos mais elevados e de forma menos eficiente).

 

Ou seja: os países perderão todos nesta guerra de tarifas, mas perdendo menos (provavelmente muito menos) que os outros, os EUA acabarão por reforçar a sua posição dominante no panorama económico mundial. O risco que correm – além de perdas em termos não-relativos – é que o resto do mundo deixe de depender deles. No longo prazo os EUA poderão acabar por perder, mas nessa altura Trump já terá o segundo mandato no papo…

8 comentários em “Guerras de tarifas”

  1. Não me parece muito correto designar pautas aduaneiras por “tarifas”, mas isso sou eu que não sou dado a anglicismos.

  2. O PIB da China, medido em dólares, não é muito inferior ao dos EUA. Se a China impuser impostos alfandegários sobre o mesmo valor de produtos americanos que os EUA impuseram à China (como parece que fez), o sofrimento económico para os chineses não será portanto muito inferior ao para os americanos.
    É que, ao contrário dos países europeus, que se acobardam de impôr taxas aduaneiras equivalentes às que os EUA lhes impuseram, ou seja, que estão à partida dispostos a perder a guerra, a China tem tomates para o fazer.

    1. Não apenas tomates mas também arroz e carne para canhão, que as leis laborais não se importam se os chineses trabalham a dormir contanto que produzam.

    2. Já está na hora de os europeus deixarem de estar de rabinho voltado para o imperialismo americano. Em particular os portugueses.

      1. …. Para Anónimo a 18.06.2018 às 18.35

        ” Em particular os portugueses”
        Meu caro, é para essa razão que o nosso Marcelo vai à Casa Branca… não pense que é só por causa de selfies…. Ele vai puxar-lhe as orelhas !

        Artur Mendes

  3. Mas Trump sempre geriu no curto prazo. Aí nada de novo.

    A questão é se o eleitorado continua a preferir os resultados imediatos ou preferirá compromissos de equilíbrio com o longo prazo.
    O eleitorado de lá, mas também vale para o de cá.

    Afinal, tivemos a segunda metade do séc. XIX e todo o séc. XX para percebermos o que implica o longo prazo, e chegámos ao séc. XXI com uma tecnologia a contrariar parte do que aprendemos. O carvão e o aço antes, a nano-indústria agora… o petróleo já só entra nas contas de alguns. Os do curto-prazo, exactamente.

  4. Está mais do que na hora de dar uma lição à tramp* do Trump:

    Expulsar os EUA da Nato e das bases militares sediadas na Europa….
    Aí ele e os americanos esgotavam o papel- higiénico.

    Força Merkelina!… Podes contar com o apoio da Ti Catarina e do Jerónimo.

    Amendes

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