«A eleição do Syriza na Grécia e o consequente processo negocial iniciado pelo governo grego com as instituições europeias deita por terra o mito do aluno disciplinado. Afinal, a Grécia, país periférico do sul da Europa, resgata para si o direito à sua cátedra, cuja origem da palavra significa cadeira, assento. Face a isto, o governo português reage como o aluno que faz queixinhas ao professor.»
Renato Miguel do Carmo, no Diário Económico (5 de Março de 2015)

O Tsipras arranjou uma cadeirinha muito cómoda. Segundo a sua progenitora, agora come e dorme muito malzinho e 32 deputados sirizos já o mandaram dar uma volta ao bilhar grande por ter aceitado fazer uma austeridade porreira demais para o gosto deles…
http://observador.pt/2015/07/18/mae-de-t sipras-alexis-come-mal-e-dorme-mal/
Esta parece-me ainda mais interessante, vinda de alguém oriunda da ala ultra-esquerdista do Syriza: liki-valavani/grecia-mae-de-ex-ministra-l evantou-200-mil-euros-antes-de-bancos-en cerrarem
http://www.tvi24.iol.pt/internacional/a
Ele foi obrigado a aceitar. Há una diferença entre aceitar e ser obrigado a fazê-lo. Uma coisa ele já conseguiu que foi a reestruturação da dívida e nós, como bons alunos com uma dívida, também ela impagável, nada de reestruturação da dívida. Assim é que é, somos ricos, não precisamos de reestruturação, nem aliviar, só precisamos de fazer sacrifícios.
Ele “conseguiu a reestruturação da dívida”?!
Boa tentativa de fazer uma piada, mas mal sucedida.
O que ele “conseguiu” foi somar mais 85 mil milhões à dívida grega. A alternativa era mergulhar num buraco muito fundo de onde nunca conseguiria sair.
Não, não foi ele, mas todo o ambiente criado. Já todos sabem que a dívida deles é impagável, assim como a nossa, já não é tabu, é a realidade. Os iluminados, viram que não dava continuar no mais do mesmo que isso, só levava ao massacre. Agora, a reestruturação já tem de ser, coisa impossível até há pouco.
Os gregos, que já receberam 200 mil milhões em assistência financeira externa, preparam-se para receber agora mais 86 mil milhões. Não terão de fazer qualquer amortização destes empréstimos nos próximos 20 anos. Só terão de devolver tudo daqui a muitas décadas, algures entre 2075 e 2095. A juros irrisórios.
E ainda chamam “terroristas” e “assassinos” a quem lhes confia estas quantias milionárias. Resta ver durante quanto tempo os contribuintes europeus acharão bem continuarem a pagar as dívidas de quem os insulta com o dinheiro dos seus (nossos) impostos.
É assim porque a reestruturação não foi feita, logo, a economia não cresceu ou desapareceu e assim sendo, só vai com empréstimos. Hoje, Junkcker disse, sem problemas que Portugal não quis ajudar a Grécia, o que revela, o calibre da personalidade dos nossos políticos. Sinto vergonha, de ter governantes que não querem ajudar os outros e como consequência não querem ajudar, o seu povo. Que nome se dá a alguém que vê o outro a morrer, deixa-o morrer e ainda assiste impávido e diz: não te ajudo. Certamente não será um nome bonito, além de ser crime.
Sente vergonha por cada contribuinte português já ter contribuído com 253 euros para os fundos de resgate da Grécia? Eu não. Sinto orgulho. Mas não me apetece rebentar de orgulho: já chega de mandarmos para lá dinheiro que muita falta nos faz cá.
Ainda por cima – não esqueçamos – os gregos vetaram durante quatro anos, na década de 80, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. Por mero egoísmo: queriam os fundos estruturais só para eles. Fundos estruturais que não tardaram a desbaratar.
A situação já era o que era, o Syriza veio com a bravata de que mudava tudo mas afinal, coitadinho do Tsipras, foi obrigado – OBRIGADO – a aceitar algo muito pior. Bater com a porta no Euro é que não foi com ele, que isso mete um medo dos diabos.
Entre a morrer e ser suicidado, qual a escolha? Foi isto que lhe foi imposto e para mão morrer ou não haver suicídio optou por um tratamento altamente doloroso porque não lhe deram hipótese dum tratamento mais suave. São os factos nus e crus. Afinal temos governos para quê? Para imporem ordens da UE? Então é melhor não haver governos, são dinheiros poupados.