«Temos já duas boas notícias: o acordo de governo com o Anel e a nomeação de Yanis Varoufakis como Ministro das Finanças. Sobre esta segunda notícia, a escolha parece-me incontroversa. Varoufakis tem sido um incansável e qualificado defensor da restruturação da dívida e o homem certo para conduzir o que será um processo dificílimo, do ponto de vista técnico e político.»
José Gusmão, no Ladrões de Bicicletas (26 de Janeiro de 2015)

Gusmão = Pureza?!
Podia ser, mas não é. Lapso já corrigido.
Pedro:
Varufakis (sem o, é desnecessária a sua transcrição antes do u) fez a única proposta coerente ao directório do Syriza: criar uma moeda interna transitória ao mesmo tempo que se mantinha a Grécia no euro.
Um nó cego ao não menos radical Schäuble.
Que foi recusada.
Daí a sua demissão.
Quando se enceta um caminho radical de afrontamento (e duro nas consequências) tem de se ir até ao fim.
E o Syriza borregou, ficou a meio, pelo que só lhe restou continuar a fazer mais do mesmo.
Ou bem que ia até ao fim ou então era inútil aquele nível de provocação.
Daqui por alguns meses volta a falar-se da hipótese do Grexit.
O único problema neste momento é que ninguém quer assumir a paternidade do inevitável: a Grécia não tem condições de continuar no euro.
E a seguir seremos nós, eventualmente: aberta a avenida, tem de se lhe dar uso.
Essa é a velha tese do dominó, que já foi invocada vezes sem conta a propósito das instituições europeias.
Também a tivemos por cá há dois anos, quando tantos agitavam o espectro da “espiral recessiva”. A começar no Presidente da República. Depois veio o espectro do “programa cautelar”. E não faltaram as aves agoirentas a garantir a iminência de um “segundo resgate”.
Afinal aconteceu na Grécia. Não o segundo, mas o terceiro.
Fakis foi o homem certo para espetar uma faca nas costas do Tsipras. Como estava escrito na cara dele.
Como a picareta de Ramón Mercader espetada no crânio de Trotski.
Ladrão de triciclos.
Título de um belo filme italiano com cenas que se revivem na Grécia de hoje.
Tão cheio de razão. A pena é que os bons são sempre afastados, não interessam porque incomodam. Foi por isso que puseram o Varoufakis fora. Ele demitiu-se porque o obrigaram a fazê-lo.
Obrigaram? Quem é que obrigou? Só pode ter sido o primeiro-ministro Tsipras. E pensava eu que você, anónimo, apoiava o Tsipras. Afinal estava enganado.
Não desconverse. Sabe perfeitamente que as instituições o queriam fora e não só ele, como o Tsipras. Tanto um, como o outro, foram humilhados até ao tutano. O anónimo, apoia e apoiará os gregos que sofrem pelas asneiras dos anteriores governos.
Humilhado foi o povo grego. Por Tsipras. Convocou um referendo para dia 5/7 em que defendeu o voto “não” a um acordo com as instituições europeias que já nem existia pois tinha sido denunciado unilateralmente pelo Governo de Atenas. Dez dias depois, e perante um acordo muito mais severo, o mesmo Tsipras defendeu o voto “sim” no Parlamento e levou 75% dos deputados do Syriza a votarem com ele.
Humilhando assim os gregos que dez dias antes tinham votado “não”.
Estamos entendidos ou tem ainda alguma dificuldade em reconhecer estes factos?
Não vejo o povo grego zangado com Tsipras, em contrapartida vejo-os cada vez mais zangados com Bruxelas. Ou aceitavam o que eles queriam ou seria a morte da Grécia. São tão mesquinhos que o plano que tinham antes foi aumentado. A isto chama-se maldade pura. Viu-se ontem a atitude de Merkel com uma jovem palestiniana, vergonhosa. Nunca estaremos entendidos porque ambos temos posições opostas. Eu apelo a olharmos o outro, como nos olhamos a nós mesmos, o Pedro põe o dinheiro à frente do humano.
Argumentação típica dos eurocépticos e/ou eurofóbicos: a culpa é sempre do estrangeiro.
Zangados com Bruxelas?
Julgo que não.
Todas as sondagens, sem excepção, indicam que a grande maioria dos gregos prefere manter-se na zona euro. Só os comunistas da linha mais ortodoxa e os neonazis defendem o contrário.
Sem o apoio europeu os bancos gregos continuariam fechados.
Sem o apoio europeu a Grécia não receberia imediatamente o empréstimo de transição de 7 mil milhões de euros que vai receber para aguentar o terceiro resgate.
Sem o apoio europeu o BCE não tinha aumentado, como já fez, a linha de liquidez de emergência destinada a recapitalizar a banca grega.
Um deputado da Aurora Dourada rasgou uma cópia do acordo estabelecido entre a Grécia e os parceiros europeus em plena sessão parlamentar. Se você acha que esse deputado representa a maioria dos gregos estamos conversados…
“Sem o apoio europeu os bancos gregos continuariam fechados.”
E porque é que fecharam? Não terá sido por falta do apoio Europeu?
Fecharam sobretudo pela falta de confiança dos gregos no sistema financeiro do país. Entre Janeiro e Junho foram levantados cerca de 40 mil milhões de euros dos bancos da Grécia.
A minha pergunta mantém-se.
A minha resposta está dada.
Uma medalha para o l. rodrigues , lá se foi a dignidade… é preciso estar dependente.
“Sem o apoio europeu os bancos gregos continuariam fechados.
Sem o apoio europeu a Grécia não receberia imediatamente o empréstimo de transição de 7 mil milhões de euros que vai receber para aguentar o terceiro resgate.
Sem o apoio europeu o BCE não tinha aumentado, como já fez, a linha de liquidez de emergência destinada a recapitalizar a banca grega.” Está a ver, diz e contradiz. Ou aceitavam o que eles queriam ou iam morrendo aos poucos. Dá relevo a um deputado e desvaloriza os outros. Vergonhoso, o cúmulo da pouca vergonha, quando se humilha, esfarrapa, zomba dum povo que não têm culpa, dos erros, dos que os desgovernaram. Nada, justifica o injustificável quando todos sabemos que eles, não conseguem pagar e como sabem isso, infligem mais tortura. Tudo porquê? Primeiro a banca, o dinheiro, depois se verá… Não, os direitos humanos primeiro, depois o resto porque nada, mas nada, é mais importante que os humanos.
900 milhões de linha de emergência do BCE.
7,1 mil milhões de empréstimo imediato para fazer face às despesas inadiáveis.
85 mil milhões de pacote financeiro no âmbito do terceiro resgate (já aprovado pelos parlamentos da França, da Finlândia e da Alemanha).
Tudo em 48 horas.
Se isto não é cooperação e solidariedade da Europa à Grécia…
“Ou aceitavam o que eles queriam ou iam morrendo aos poucos. “
Então afinal o dracma e o socialismo já não é a salvação?
Patético sem vergonha.
APV ainda rodará um filme intitulado Fakis, o Bom da Fita.
Com a deputada Isabel Moreira no elenco, porra.