Grécia antiga (19)


Pedro Correia,

«Alexis Tsipras transformou-se no rosto da esperança de que a União Europeia ainda consiga operar a viragem coperniciana que a poderá salvar dos seus próprios abismos. Enquanto os “astrónomos” ptolemaicos de Berlim e Bruxelas continuam a inventar centros geométricos imaginários para continuar a manter a ficção de que não é o Sol que ocupa o centro do nosso sistema planetário, o Syriza irá obrigar os europeus a fazerem a pergunta fundamental: por que razão, depois de cinco anos de austeridade, a dívida pública continua a aumentar nos países intervencionados?»

Viriato Soromenho-Marques, na Visão (29 de Janeiro de 2015)

0 comentários em “Grécia antiga (19)”

  1. «As autoridades gregas estão a ultimar um conjunto de alterações ao plano de medidas apresentado na semana passada ao Grupo de Bruxelas. A reunião entre os ministros das Finanças da Alemanha e da Grécia foi “amigável e produtiva” e o ministro francês adianta que a saída da Grécia do euro “não será um drama”.

    A Grécia está a reformular o plano de reformas proposto na semana passada e rejeitado pelas instituições credoras. De acordo com o jornal grego Kathimerini, depois de não ter sido alcançado um acordo com os credores, as autoridades helénicas decidiram redefinir o plano de medidas apresentado há uma semana ao Grupo de Bruxelas.

    Confrontado com a necessidade de ver desbloqueada a última tranche de 7,2 mil milhões de euros prevista no programa grego em curso até ao final deste mês, o governo liderado por Alexis Tsipras estará a concentrar esforços para se aproximar das metas orçamentais exigidas pelas instituições credoras.»

  2. Haja alguém que nos explique, sobretudo á grande maioria de analfabetos em matéria de economia e finanças nos quais me incluo.

    1. No caso de Portugal, é simples:
      O déficit orçamental diminuiu ou houve mesmo superávit primário, isto é sem contar com juros. O serviço da dívida, esse aumentou.
      Imagine que em 2011 e 2012 gastou muito acima das suas posses, que comprou a prestações uma quantidade de coisas (úteis ou inúteis). Imagine ainda que conseguiu um período de carência, só tendo de pagar a 1ª prestação passados 3 anos, em 2015.
      Imagine que, logo nos finais de 2012 caiu em si, deixou de gastar a crédito e conseguiu equilibrar as suas despesas e os seus proventos. No entanto, embora não se tenha endividado mais, a dívida está lá e em 2015 vai ter de pagar a 1ª prestação: embora já não gaste mais do que tem, a sua dívida aumentou porque tem os juros e amortização… Terá de poupar muito mais ou gastar muito menos para que, com as prestações anuais, a sua dívida diminua.

  3. O Syriza pergunta e com toda a razão. O que interessa a determinados europeus é continuar a explorar e a massacrar os países de sul. Não resolveram nada e com toda a austeridade, puseram os países mais pobres e isto, não é digno de gente que se diz moralista. Estamos rodeados de falsos moralistas que estão mais interessados na subserviência dos povos intervencionados que em ajudá-los a reerguerem-se.

    1. Sim, não há direito. Os botos de cada umzinho dos gregos que botaram no Syriza balem pelo menos umas cem mil vezes mais que os votos dos restantes energúmenos dos restantes países da UE.

      E está pior que mal que se aceda à Wikipedia e se leia este rol de mentiras:

      Actualmente, a Grécia é um país democrático e desenvolvido com uma economia avançada e de alta renda, um alto padrão de vida e um índice de desenvolvimento humano (IDH) considerado muito alto pelas Nações Unidas. A Grécia é um membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), é membro do que é hoje a União Europeia desde 1981 (e da Zona Euro desde 2001), além de ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) desde 1952. A economia grega é também a maior dos Balcãs, onde a Grécia é um importante investidor regional.

  4. Dito de outro modo: o Obama afinal não quer nada com aquela história, o Putin só quer aproveitar umas privatizações por lá (os bons clientes dele são a Alemanha e a Holanda, nunca esquecer), os chineses idem para as privatizações e já vão mais adiantados do que se julga, a geoestratégia mudou-se toda para o Báltico porque o problema ali chama-se Turquia e sempre se chamou.

    Talvez cada vez mais gente por esse mundo fora tenha percebido que quando Tsipras e Varoufakis pedem para que não humilhem a Grécia, o que eles de facto estão a pedir é que não os humilhem a eles os dois, que se meteram por um caminho no mínimo complicado julgando que eram favas contadas.
    E não me refiro ao caminho na Europa e no mundo, refiro-me ao caminho dentro do próprio partido.

    O Syriza está apenas refém das suas contradições internas advindas do facto de ser um conjunto de 13 partidos (“Syriza” é precisamente um acrónimo de “Coligação da Esquerda Radical”) a que se juntaram pessoas que vão dos sociais-democratas e cristãos que se opõem aos privilégios da Igreja Ortodoxa aos maoístas e trotskystas.

    Se nos dermos ao incómodo de ler a imprensa internacional, mesmo a que é afecta ao Syriza, em vez de nos ficarmos pelos jornais locais, verificamos que hoje mesmo se tornou um pouco mais evidente que Tsipras só não chegou ainda a um acordo honroso em que ambas as partes cediam nas suas “linhas vermelhas” porque a sua própria esquerda não o deixa (no meio daquilo tudo convém não esquecer nunca que Tsipras e Varoufakis são uns moderados, senão não conseguiríam fazer as necessárias “pontes” lá dentro).

    Espero bem que isto se resolva pois 75% dos gregos não querem saír do euro e eu compreendo bem porquê, no lugar deles também não quereria (como também não o quero aqui).
    E não creio que os outros 18 países do euro estejam todos cheios de má vontade com a Grécia só para embirrar…

    Mas há mínimos a cumprir sob pena de mais ninguém lhes emprestar dinheiro, pelo menos a taxas de juro suportáveis.
    E um país com as características económicas e industriais da Grécia é risco que não pode correr de modo algum no mundo globalizado de hoje.

    O que vejo é que muitas pessoas à nossa volta ainda não perceberam que o mundo mudou mais nos últimos 10 anos que nos 30 anteriores e, não conseguindo acompanhar essas mudanças (ninguém o consegue de facto), prefere fazer raciocínios de quando “ainda compreendia” o mundo que as cercava porque isso lhes dá talvez alguma paz ao espírito.

    1. Também Martin Schulz, social democrata e presidente do Parlamento Europeu, tem uma posição crítica em relação à atitude da Grécia. “A teimosia do governo grego é irritante”, disse Schulz, que considerou que a União Europeia já tinha ido muito longe na tentativa de acomodar as pretensões de Atenas que, agora, “devia caminhar em direcção a um compromisso”.

        1. Ó ventosidade, já te expliquei que podes pôr para aí links à vontade, flatulo-me para eles e não lhes ligo sequer a ponta de um chavelho… Vê-se mesmo que és o típico militante partidário.

          1. No teu partido gostam muito de menininhos, já toda a gente sabe.

            Daqui só levas manguitos e louça das Caldas.

          2. Tá bem, menininho. Não gostaste do som? Da próxima vez arranjo-te um filme com sonoridade de Formula 1.

            Agora tens de ir nanar.

  5. Bem, as razões por que a dívida pública portuguesa tem aumentado nos últimos anos são do mais básico domínio público , se VS-M o ignora, temos pena.

  6. Por andavam estas cabeças iluminadas antes do colapso grego? Que não previram até onde chegaria o regabofe ?

    Válido para o sacrossanto PS dos Costas! Com as PPP / Estudos de aeroportos/ aeroportos às cegonhas ( moscas alentejanas) Festa no Parque Escolar…
    Onde estava o professor doutor politólogo Soromenho Marques?

    1. Foi só o colapso grego? Então e nós não colapsámos? Já liquidámos tudo? Não devemos nada? Com que então foi só o sacrossanto PS dos Costas? Então e as auto-estradas começaram quando? O arrancar das oliveiras e das videiras, a troco de dinheiro dado a quem as arrancasse. O peixe pescado a mais tinha de ser deitado fora, assim como o leite tirado das vaquinhas, se fosse mais que o permitido ia para o lixo e a seguir, vinha leite de outros países da CEE, para os portuguesinhos comprarem… E os dinheiros que vinham da CEE para formações que foram para tudo, menos para formar gente? Tudo isto, obra do nosso querido amigo Cavaquinho como primeiro ministro e como Presidente foi tal o seu sucesso que ficará na história como o pior dos piores…..

      1. E tudo o que até agora esteve escondido debaixo do tapete e teve de passar a constar da dívida, não conta? O Marques saíu-me cá um cábula…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *