Francisco José Viegas pediu a demissão do cargo de Secretário de Estado da Cultura, cujas funções deixará de exercer no final deste mês.
Isto, sim, é um empobrecimento sem retorno.
Trabalhou diligentemente e sem queixumes com um orçamento franciscano.
E deixa agora a marca profunda da sua forma de ser discreta, activa e determinada.
A mesma com que aceitou representar um pelouro formalmente diminuído e com que soube ignorar inteligentemente os flatos dos fundamentalistas ofendidos e a soberba das Castafiore petulantes, cortando cerce os golpes de opereta que, sim… também pululam pelo pelo meio do trigo da cultura nacional, como todos sabemos.
Isso mesmo: Francisco José Viegas combateu várias coisas importantíssimas, mas guerreou como ninguém o vácuo enganador das aparências.
Esperemos vê-lo de retorno à blogosfera de autor, depois de uma recuperação rápida, que bem merece.


Ao submundo da consciência…
… depois da consciência do submundo.
Aplaudo o regresso de FJV ao seu meio natural, que acredito lhe tem feito falta. É ingrato e inglório ocupar um cargo da responsabilidade que ele tinha sem que depois se tenha meios para as mais modestas iniciativas. Ele merecia mais.
É de lamentar que FJV tenha seguido a política desastrosa de José Sócrates na área cultural.
Abdicou e lavou as mãos de assuntos sobre os quais era o principal responsável (o caso da barragem do Tua, por exemplo), dizendo que não era nada com ele.
Lamentável!
Fica no pódio dos piores governantes da área da cultura desde 1980, acompanhado de Isabel Pires de Lima e Elísio Sumavielle.
Em Agosto, no Le Monde, desabafou:
“Eu, o editor feliz, o escritor sem preocupações, cometi este erro de aceitar um cargo político. Mas, não vamos falar disso pois não?”
Agora, amargamente, passará as noites de Inverno, olhando o fumo do charuto a enovelar-se pela sala, a já vazia chávena de café, um resto de conhaque no fundo do balão e a pensar como é que embarcou nesta nave de loucos e incultos.
D. Ermelinda, sua porteira, murmurou pela vizinhança: vaidade!
Um perfeito desastre, quis mais e mais poder para os políticos e para o estado.
As melhoras na sua saúde.
Um grande defensor dos interesses brasileiros – onde tem também os seus.
Mereceria, tal como o ervas, ser cidadão honorário do rio de janeiro.
Gostei dos motivos que o FJV invocou quando aceitou o desafio, e muito lamento que não tenha saúde para continuar. Espero que se ponha bom.
Quanto mais o tempo passa, mais respeito os que se chegam à frente. Mesmo – se calhar, sobretudo – quando as coisas acabam por não correr tão bem quanto se desejaria.
O Francisco é quase membro honorário do DELITO DE OPINIÃO. Um dia destes vamos elegê-lo, Laura. A ele e a alguns outros.
Se não me engano foi este Secretário de Estado que quase fez com que o D. Maria deixasse de ter peças, passando só a pagar ordenados; e que ia provocando o encerramento do D. Carlos. Sim, grande homem, bons cortes, só espero que quem venha não seja ainda pior.
tó Zé, está enganado, foi este SEC que teve uma carta de louvor do Teatro e dos actores por “lhes ter devolvido um sentido de dignidade”.
E passo a citar com o documento na mão, para não ser acusada de ser imprecisa, já que a frase sobre a devolução da dignidade a ouvi a um actor. “No dia 24 foi conhecida uma carta de agradecimento da comissão de trabalhadores do Teatro Nacional D. Maria II (CT-TNDM) ao secretário de Estado da Cultura, pela “reposição do respeito pela história deste teatro”. O texto, ao qual a agência Lusa teve acesso, dizia que, “apesar das preocupações e da discordância dos trabalhadores deste teatro nacional para com a política de esvaziamento da Cultura em Portugal”, a CT-TNDM agradecia “a reposição do respeito pelos trabalhadores deste teatro nacional”.
Concordando já com o Pedro e com a Laura, acrescento o seguinte: FJV foi para um cargo com um objectivo que não conseguiu cumprir. Bocas sobre o Brasil, os charutos ou outras coisas só dão vontade de rir, pois lá estamos nós na mesquinhez que tanto odeio. Alguém se lembra do que o Vasco Pulido Valente enquanto SEC? Pois, já ninguém se lembra que o foi. E o Lucas Pires? Ai, desculpem, também não se lembravam? Pois, a memória tem destas coisas. Há pessoas que acreditam em ideias e fazem por as seguir e só isso é louvável, o resto é trampa e eu, pelo parte que me toca, estou farta de ouvir e ler pessoas que pontificam, criticam mas não fazem nada. A não ser dizer mal. Dizer mal é uma opção tão fácil, tão cómoda. O FJV mexeu-se e integrou um governo por achar que podia fazer algumas coisas. Pode ter chegado à desilusão, mas uma coisa é certa: ganhou muito menos em um ano do que ganhava (financeiramente) e não colheu a simpatia de muitos. É pena que as pessoas sejam vistas só numa perspectiva bidimensional, eu cá achava que tínhamos aprendido alguma coisa com o Renascimento, afinal parece que não. E o Francisco merece ser visto – por todas as razões – numa perspectiva alargada (e não, não estou a brincar com a sua figura, caramba!). Neste país, como diz o meu filho com 13 anos, há muita parra e poucas uvas. E vozes de burro? Muitas. Mas não chegam ao céu. E agora, por favor, batam-me que eu vou de fim-de-semana depois de ter ido cumprir o meu serviço público a escolas em Castelo Branco, à borla, em prol da cultura e dos livros. E não, mais uma vez, caramba, não foi para fazer dinheiro, os livros que escrevo não estavam à venda nas escolas. É caso para perguntar: o que fizeram vocês pelo país esta semana? Eu cá sei o que fiz:) FJV também e não apenas como SEC e não há meia dúzia de dias. As pessoas têm um percurso, uma história. É preciso ter memória. Nas farmácia vendem-se coisas que ajudam.
Talvez esteja a enfiar uma carapuça, mas gostaria que a Patricia Reis ficasse a sabers que o meu comentário não tinha em vista denegrir a pessoa, o poeta e escritor, o diyulgador cultural, Francisco José Viegas,
Os meus princípios não incluem ofender e achincalhar seja quem for.
Conheci-o, superficialmente, através de um amigo, nos almoços nos Beirões, na Estrada de Benfica, trabalhava ele no Círculo de Leitores. Li alguns dos seus livros, o primeiro foi “Regresso por um Rio”, edição da Europa-América, perdido não sei em que andanças, acompanhei-o, com gosto, quando esteve na revista semanal do Diário de Notícias, ainda hoje faço ovos estrelados como ele deixou escrito na crónica em que se despediu da revista
O comentário apenas teve a ver com o sentimento de tristeza que senti quando tomei conhecimento que aceitara ser secretário de estado de um governo que, nem nos meus piores pesadelos, admitia que viesse a ser o que hoje é.
Desconheço por completo os propósitos que Francisco José Viegas tinha quando aceitou o cargo governativo. Pelo menos devia ter lido o programa no que à cultura dizia respeito, penitencio-me agora. Mas Viegas é um homem com vasta experiência em diversos campos e deveria saber que não ia ter dinheiro fosse para o que fosse e, lamentavelmente, nem lugar teve no conselho de ministros, onde houve decições importantes sobre a cultura, por exemplo, foi decidido o caso das Fundações.
Os cronistas de artes e cultura do “Público”, fazendo o balanço da passagem de Francisco José Viegas pela secretaria de estado, escreveram que ele ficava “associado a vazio e indecisão: mais do que haver dinheiro ou não, uma ausência de visão para a cultura.”
Foi, pois, um amargo, uma ponta de tristeza, que me levou a fazer o comentário.
Venho aqui diariamente, comento muito pouco e, quando o faço, tento, sempre, fazê-lo com lisura.
Gostaria imenso que todos os meus amigos fossem de esquerda e do Benfica. Nem todos são, mas continuo a gostar muito deles.
Bom fim-de-semana.
Um abraço
Se porventura fui incorrecta ou percebi mal o seu comentário, apresento desde já as minhas desculpas. Muitas vezes sucede que os comentários na blogsfera não são tão perceptíveis quanto seria desejável. Compreendo o seu ponto de vista e respeito-o, evidentemente. Desejo-lhe um bom fim de semana.