“Devemos ser muitos cuidadosos para não fazer declarações que enfraqueçam a posição nacional.” Palavras do ministro da Traulitada, Augusto Santos Silva. Só em aparente resposta à entrevista de Pedro Passos Coelho hoje publicada no Expresso. No fundo, Santos Silva visava seguramente o seu colega Luís Amado, que há duas semanas declarou ao mesmo jornal: “O País precisa de uma coligação já”, sob pena de Portugal “sair da zona euro”. Visava também o seu colega Teixeira dos Santos, que há 12 dias confessou ao Financial Times existir um “elevado risco” de o País pedir auxílio financeiro ao FMI. E talvez visasse ainda o secretário de Estado da Justiça, João Correia, há um ano apresentado como trunfo do recauchutado governo socialista e que afinal surgiu hoje de malas feitas, por opção própria, antecipando a inevitável remodelação que aí vem. No momento da saída, entre outras frases dignas de realce, em entrevista ao i, deixa esta admirável farpa a José Sócrates: “Eu mal conheço o primeiro-ministro.”
Fantástico. Por uma vez, o Governo está em sintonia com o País: foi invadido por uma massa de ar muito fria.

Não existe escravatura na política, diria mais tarde ASS, com expressão sorridente ou inconsciente.
Lamento que não sejam apenas episódios de ar frio, mais parecemos um iceberg bem fundo.
Se a temperatura no Governo estiver em sintonia com a que se sente aqui em Braga, o frio é de… cortar à faca, Pedro.
Lá por São Bento parecem esquimós, Rui.
Há gente que está mesmo a pedi-las. Devia ser fechada num iglô e apanhar umas traulitadas à maneira.