
Segunda, 10 de Maio (manhã)
155 imigrantes impedidos de atravessar a cerca sanitária nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve para trabalhar em Odemira. Dezenas destes trabalhadores chegaram a fazer testes rápidos à Covid-19, na berma da estrada, com a GNR a assistir. Mesmo assim, foram impedidos de avançar pela burocracia estatal: faltava cumprir uma alínea do despacho n.º4697-A, de 2021, do ministro da Administração Interna e da ministra da Saúde – em vigor desde o dia 8 – que obriga as entidades empregadoras a comunicar a lista de trabalhadores à Direcção Regional da Agricultura do Alentejo, que por sua vez deve remetê-la GNR… que já estava no local. Pormenor fundamental: sem trabalhar, estes imigrantes não recebem salário.
Segunda, dia 10 (tarde)
O presidente da Câmara Municipal de Odemira e os presidentes das duas juntas sob cerca sanitária contestam todo este processo, considerando-o absurdo. José Alberto Guerreiro exige o «fim imediato» daquela cerca. Lembrando que aquele concelho é o mais testado do País e está hoje abaixo dos 240 casos por cem mil habitantes.
Terça, dia 11
O primeiro-ministro reúne um “Conselho de Ministros electrónico” e altera a agenda oficial ao início da tarde para se deslocar a Odemira, onde anuncia o fim da cerca sanitária naquelas freguesias. As restrições à circulação no concelho são levantadas a partir da meia-noite.

E novidades? Sempre foi assim o seu modus governatis.
Mais do mesmo. Tudo menos novidade.
É esta a sina a que estamos condenados: o direito ao trabalho é roubado pelo Governo. Agora, só trabalha quem o Governo permite, só se desloca quem o Governo permite, só labora a empresa que o Governo permite, e só recebe subsídios para compensar a falta de laboração quem o Governo decide favorecer.
Às vezes penso que o António Costa (que não é estúpido) deve levar as mãos à cabeça com as atitudes deste seu (des)governo. É o que dá colocar amigalhaços totalmente incompetentes em lugares de decisão. É o Cabrita, é o Galamba, é a Constança, é a Van Dunen, é a Leitão, é a Graça. Todos a competirem pelo absurdo. Mas o prémio vai sem dúvida para o Cabrita. Não parece possível alguém atingir esse nível de estupidez.
Discordo da Susana em atribuir estupidez a toda essa gente. António Costa é inteligente e muitas das pessoas referidas pela Susana também o são – embora ocasionalmente sejam desastradas ou altaneiras.
Descobrir a origem do big bang é mais facil que perceber o que vai na cabeça desta gente.
Boa fotografia. Até parece que acabaram de ouvir o Jerónimo a dizer que ia votar contra o orçamento para 2022.
Tem algo de premonitório, nunca se sabe.
Circo…e concomitantes palhaços.
Quanto aos espectadores…
JSP
Eu diria mesmo que é governar à “Bosta”.
Quarta, dia 12
O primeiro-ministro reafirma a sua confiança política no Cabrita assumindo que tem “um excelente ministro da administração interna” e tudo está bem quando acaba bem…
Frase redundante, que soa a auto-elogio. Quando um PM enaltece assim um ministro, está apenas a elogiar-se a si próprio como autor da escolha.
O contrário é que seria notícia.
Só agora me apercebi que MRS, antecipando-se ao propangandístico anúncio do levantamento da cerca sanitária em Odemira, pelo PM “in loco”, anunciou-o ele aos jornalistas em jogada de antecipação. Como se cercas sanitárias fossem do seu pelouro.
Será que o conselho de ministros recebeu alguma ordem directa de Belém?
Costa percebeu que o “excelente” ministro da Administração Interna e a “excelente” ministra da Agricultura e o “excelente” ministro do Ambiente somavam asneiras atrás de asneiras neste processo e lá tratou de corrigir o tiro. Pressionado (em ano de autárquicas) pelo presidente da Câmara e pelos presidentes das duas juntas de freguesia.
Para tirar Odemira das manchetes da imprensa. Nada de bom viria dali para ele. E não se enganava.