Goodfatellas


Rui Rocha,
Uma determinada “organização” decidiu contratar um cobrador surdo-mudo para receber o dinheiro das suas “atividades”. Assim, se alguma coisa desse para o torto, manter-se-ia calado. Na primeira semana, o cobrador conseguiu recolher uma quantia apreciável mas decidiu ficar com ela e escondeu-a em lugar seguro. Dias depois, percebido o desvio, o “pessoal” da organização encontrou o surdo-mudo mas não lhe conseguiu arrancar uma palavra. Desesperados, recorreram a um intérprete de linguagem gestual. Pergunta-lhe  onde está a dinheiro, ordenaram-lhe. Por gestos, o intérprete fez a pergunta ao surdo-mudo. O homem respondeu, também por gestos: não sei do que estás a falar. O intérprete traduziu. Um dos membros da “organização” puxou uma 38, apontou-a à cabeça do surdo-mudo e disse, dirigindo-se ao intérprete: pergunta novamente! O intérprete fez a pergunta. Assustado, o surdo-mudo respondeu por gestos: desculpem, foi um momento de fraqueza, o dinheiro está num buraco junto da terceira árvore a contar do portão da Quinta do Montado. O intérprete virou-se para os membros da “organização” e disse-lhes: ele continua a insistir que não sabe do que estão a falar, diz que vocês são um bando de meninas e que ninguém aqui é machão o suficiente para puxar o gatilho.

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