Gestão do curto prazo


escafandro,

Senão vejamos: quando pegamos nas medidas tomadas pelo governo em 2017 e excluímos as rubricas de “poupanças nas despesas de funcionamento” que nunca são explicadas, e portanto são extremamente genéricas, temos que, sem o efeito da poupança dos juros, o défice estrutural em 2017 manter-se-ia igual a 2016 (cerca de 2%) e não em 1.8% apresentados pelo governo. Com a redução dos juros, o défice estrutural reduz-se em cerca de 0.1 p.p..

[…]

E para 2018? Para 2018 vamos assistir a uma manutenção do défice estrutural em 2%, novamente à custa da redução dos juros. Repetindo o exercício anterior, em 2018 as medidas tomadas fazem a receita cair 100 M€ e a despesa aumentar 460 M€. Isto daria um agravamento do défice estrutural em 0.3 p.p. Contudo, uma poupança de juros na ordem dos 400 M€ permitirá manter o défice estrutural estável (mas não reduzi-lo como o governo afirma).

Note-se, assim, que sem a redução dos juros o défice estrutural em 2018 atingiria um valor próximo de 2.5% (sendo que em 2016 estava em 2%). As medidas tomadas por este governo representam já um agravamento do défice estrutural em mais de mil Milhões de Euros. Por agora não se nota: o crescimento económico permite esconder esta realidade. O problema vai ser quando tivermos de enfrentar uma nova recessão.

Da análise de Joaquim Miranda Sarmento, no Eco.

7 comentários em “Gestão do curto prazo”

  1. Só uma questão :

    A diminuição das taxas de juro devem-se às políticas do governo, ou isso só sucede quando elas aumentam ( bem sei que era o argumento da oposição ao governo anterior)….?

  2. Aqui há uns tempos a direita explicava o sucesso governamental com as cativações. O défice descia porque o governo estava a cativar de mais, dizia ela. Agora o disco virou, o défice desce devido à poupança nos juros.

    Eu gostava que me explicassem uma coisa. Os juros que o Estado português paga são juros combinados à partida nas emissões de obrigações que o Estado fez. Ou seja, são juros essencialmente fixos. (O Estado, tal como as grandes empresas, não pede dinheiro emprestado a taxas indexadas à Euribor, ao contrário daquilo que os cidadãos fazem. O Estado pede dinheiro emprestado a taxa fixa.) Como é que, então, os baixos juros fazem o Estado português poupar dinheiro? Não fazem!

  3. “O problema vai ser quando tivermos de enfrentar uma nova recessão.”

    Com uma dívida pública, como a nossa, que levará 500 anos a ser saldada penso que estamos todos lixados a médio -longo prazo. No curto prazo emborquemos.

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