Gestão de expectativas


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José Silvano confirmou a já esperada candidatura de Suzana Garcia à presidência da Câmara da Amadora. Já esperada porque, após toda a discussão, mais ou menos séria, a propósito deste assunto, seria caricato que o convite que lhe havia sido dirigido fosse agora retirado.

Para atenuar as polémicas decorrentes das indignações inflamadas da candidata, José Silvano deu uma explicação titubeante sobre o processo de castração química a que a senhora candidata se havia referido e rematou o assunto com uma afirmação, quanto a mim, surpreendente: Suzana Garcia é candidata a uma autarquia e não à Assembleia da República e que se o fosse o partido “teria outro crivo de análise”.

 

Ora, vejamos:

  1. Quer isso dizer que, para o PSD, nas autarquias, os parâmetros de análise são como? Flexíveis? Para todas as autarquias ou só para a autarquia da Amadora?
  2. Para a Assembleia da República o crivo seria diferente? Só eu é que tenho a forte impressão de que as ambições da senhora candidata vão muito além da Amadora? Aliás, isso ficou bem explícito quando ela declarou que, tendo “sido convidada pelo PSD, em novembro de 2020, e disse ter preferência pelas autarquias da Amadora, Loures ou Sintra”. Não há ligação territorial, não há projecto estratégico. Há apenas o desejo de uma visibilidade que complemente a exposição mediática e que catapulte o seu nome para um lugar elegível na Assembleia da República, lugar onde, finalmente, poderá influenciar o curso deliberativo e legislativo das questões que lhe são caras.
  3. A reacção (ou falta dela) de Suzana Garcia a esta menorização das suas capacidades (ou como diz o povo, para o que é, bacalhau basta) vem, na minha opinião, confirmar isso mesmo. Bater com a porta seria deitar tudo a perder agora. Ser eleita pelo PSD ou pelo Chega é bem diferente, porque o primeiro oferece-lhe a legitimidade de integração no “sistema”, ao passo que o Chega é equivalente a estar sentada em cima de um vulcão.

 

Se Suzana Garcia não for eleita (o que me parece como o mais provável), tudo poderá resolver-se apenas com a passagem do tempo. Mas se a eleição acontecer, José Silvano bem pode começar a pensar numa estratégia para desdizer o que ontem disse. A não ser que a estratégia seja “quem vier atrás, que feche a porta”.

11 comentários em “Gestão de expectativas”

  1. Quer isso dizer que, para o PSD, nas autarquias, os parâmetros de análise são como?

    Quer dizer (em minha opinião) que as opiniões da sra Garcia sobre a castração química são irrelevantes quando ela é uma presidente de Câmara e não uma deputada da Assembleia da República, porque uma deputada pode apresentar projetos de lei sobre esse tema (ou outro qualquer tema melindroso), mas uma presidente de Câmara não pode.
    Portanto, em minha opinião, a argumentação de José Silvano faz todo o sentido. E faz sentido para um(a) presidente de qualquer Câmara do país.

  2. Eu confesso que não entendo que raio de importância as opiniões de seja quem fôr sobre a castração química possam ter. É que, a castração química é um não-assunto: algo que não se aplica a ninguém e que jamais será aceite e aplicado. É como saber a opinião de uma pessoa sobre se é boa ideia a humanidade instalar uma colónia em Marte ou não: tal opinião é irrelevante, porque não está em causa instalar qualquer colónia em Marte.

    1. “É como saber a opinião de uma pessoa sobre se é boa ideia a humanidade instalar uma colónia em Marte ou não”
      Há tipos que têm a mania que são uma reencarnação de Napoleão. Gostava de ter um desses como presidente da sua Câmara ou preferia que fosse internado num manicómio?
      É irrelevante defender a pena de morte? E a castração? E dizer (como eu ouvi S. Garcia dizer) que mesmo a castração física não lhe repugnaria?
      As opiniões não são irrelevantes e dizem muito sobre o carácter da pessoa.

  3. É um erro subestimar a Senhora. Tem grandes hipóteses de ganhar pelo que ela representará e não pelo PSD.
    Tivessem os incomodados filhos/filhas pequenos, violados por um malandro qq se não aceitavam sem pestanejar castração química.
    A Assembleia está cheia de idiotas fora da realidade.

    1. Exactamente Sr.Anónimo.
      No nosso país os violadores e pedófilos assassinos são
      uns coitadinhos, as vítimas passam ao segundo plano e até
      provavelmente foram elas que os provocaram.

  4. Ah! O perfume irresistível , “lá de fora”, ainda por cima , do “pulhiticamente ” correcto…
    Continuamos Salcedes, hipnotizados pelo “chic” que o lacaio, servil e bem pensante dos nossos dias – o esgoto televisivo – nos serve pressurosa e interessadamente , formatando aquilo que o rebanho pensa ser “a sua” opinião…
    JSP

  5. Deve haver em algum lugar uma ideia que diferencie castração de inibição.
    Recordo que me diziam que na tropa usavam cantáridas para acalmar a rapaziada.

    O empenho pelo vigor dos pedófilos é algo que me confunde, e suspeito que uma qualquer perversa excrescência do corretês, faz dos pedófilos um novo ‘género’ a ser protegido.

  6. PNR – o pai ideológico do Chega, para quem Portugal ficou pior depois de 1974.

    PSD – a barriga de aluguer para fascistas ganharem visibilidade sob o escudo protector (e falso do início ao fim): “se está no PSD não se lhe pode chamar facho, é só um moderado do centro).

    CDS – a mãe adotiva dos fachos após 1974, que lhes deu mama até eles crescerem e encontrarem finalmente a mãe biológica no Chega.

    IL – os lunáticos para quem Thatcher+Pinochet sim senhor, mas ai ai ai que proteger direitoslaborais, pagar impostos, aumentar salários, e ter serviços públicos bem financiados é “xuxalismo”. O lunático que foi às Presidenciais até Passos Coelho incluiu nisto…

    E pronto, é este o resumo da atual recomposição da Direita portuguesa. Nem um pingo de democracia cristã, nem um pingo de seriedade, nem uma proposta com conteúdo que se aproveite.

    Se o país estivesse bem governado, o suicídio da Direita era para onde eu dormia mais descansado. Mas não, isto é durante o DESgoverno de Costa. É portanto trágico!

    Com amizade, quem vos avisa vosso amigo é. De um Social-Democrata (Esquerda, Modelo Nórdico, sem Euro) que não tem outra alternativa senão votar BE em Portugal.

    No dia em que o PSD se afastar do Passismo, e tiver propostas realmente sociais democráticas e moderadas, como acabar com o off-shore da Madeira, ou ter legislação laboral que proteja o trabalhador, talvez eu pense em mudar o voto.

    Até lá, a quem convive tão bem com fachos só desejo o desaparecimento, e a quem ainda suspira pelo radicalismo NeoLiberal de Passos só desejo o fracasso.
    NÃO PASSARÃO!!

  7. Pelos vistos a candidatura da doutora Susana Garcia vai incomodando algumas ideias progressistas deste país que com tais ideias gradualmente defendidas ou postas em prática têm levado este país a perder os seus valores morais e a uma insegurança de tal forma que dá a entender que para certos “humanos” a vida de uma pessoa pouco ou nada vale perante os desejos ou prazeres de outros. Ainda bem que vão havendo algumas poucas vozes que se insurgem contra este estado de coisas.

  8. O meu comentário foi censurado. Bastou-me dizer a palavra “facho” para descrever a gentalha com quem o PSD se anda a amigar, e a gentalha que tem andado a sair em manada do CDS para o Chaga. E isto é a censura só um blog contra um comentário educado em que me limitei a chamar os bois pelos nomes… Agora imagine-se quando chegarem ao poder graças a uma coligação PSD+facharia igual à dos Açores.

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