Geny Catamo


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(Sei bem que este não é um blog de futebol. E ainda mais sei que vozes de burro não chegam ao céu… Ainda assim aqui boto este postal, feito para o esconso Nenhures, na utopia de que aposto no muito mais lido DO isto possa chegar ao José de Alvalade).

 

***

 

Há dois anos que clamo “Hoyo-Hoyo, Geny Catamo“, torcendo para o jogador se firme no plantel principal do meu Sporting. Nas últimas décadas têm escasseado os jogadores moçambicanos no nosso clube – nos já longínquos 80s vieram Calton, um grande jogador mas então no ocaso da carreira, e Aly Hassan, um médio elegante que não teve grande sucesso. Pouco depois foi Chiquinho Conde, apenas uma fugaz época de notoriedade. E há 20 anos veio Paíto, um bom lateral-esquerdo mas que não conquistou a titularidade.

 

Agora há Catamo, um jovem no Sporting desde 2019 e que tem vindo a ser emprestado, “para rodar” como se diz na gíria. O menino cresceu e já tem 21 anos. Antes da pré-temporada foi logo anunciado como excedentário. Mas nestes jogos de preparação tem entrado e marcado. E ontem, na apresentação já em Alvalade contra o Villareal (3-0), entrou a meia-hora do fim. Jogou e encantou, atrevido, sem medo a querer mostrar que o lugar dele é ali, dono de drible mágico, lesto a escapar-se aos adversários, rijo a opor-se-lhes, levantando ovação nas bancadas. E dando golo a marcar. 

 

Geny Catamo não engana, é daqueles jogadores “alegria do povo”. Espero que não o remetam para mais uma época “emprestado”, num qualquer clube secundário que não lhe dê espaço para arriscar, brilhar, crescer, como antes aconteceu. Em nome de uma qualquer solidez “táctica”. E que assim fique no plantel. Para que nós agora no estádio possamos gritar “Ó Rúben, mete a opção!“…* E o resto, a titularidade, ver-se-á depois…

 

(* Alusão a uma velha expressão dos benfiquistas: nos 1970s – em jogos com mais dificuldade para abrir os “ferrolhos” defensivos adversários – gritavam ao então treinador, o luso-moçambicano Mário Wilson (dito “Buda”), “Ó Buda, mete a opção!”, isto para que ele fizesse jogar Jorge Gomes, o ponta-de-lança brasileiro que foi o primeiro estrangeiro a jogar por aquele clube.)

5 comentários em “Geny Catamo”

  1. Concordo totalmente e comentei o mesmo em várias oportunidades em épocas anteriores. Geny Catamo é uma daquelas pérolas com que Moçambique volta e meia brinda o futebol português. Geny Catamo foi escondido dos adeptos, de um momento para outro e após exibições muito boas nas equipas de formação do Sporting. Esperemos que tenha chegado para ficar, porque desbarata qualquer defesa adversária, tem potência, tem drible, tem remate e tem golo. Só se surpreende quem nunca o viu jogar. A mim não me surpreende nada. SL

    1. Obrigado. Só receio esta mania de fazer recuar os “alas” (“interiores”, “extremos”) para laterais-direitos, estrafegando as suas características ofensivas – e Catamo parece-me estar a ser experimentado assim, neste último jogo substitui o Esgaio. Nisso muitas vezes se tornam belos extremos em medianos ou sofríveis laterais. Por outro lado há este predomínio da táctica, do “modelo de jogo”, que também cerceia as liberdades dos extremos. No Sporting temos tido isso, depois de terem aparecido excepcionais alas (Figo, Sabrosa, Quaresma, CR) foi-se desvanecendo o impacto de jovens com essas características -. da formação ou encontrados em miúdos. Não se firmam: o Gelson Martins quis-se ir embora, o Bruma quis o seu “empresario” que se fosse embora. Mas tipos como Matheus Pereira, que veio a brilhar em Inglaterra ou Raphinha que chegou ao Barcelona não serviam para o clube?

      1. Viva, bom dia. Obrigado. Tem toda acravai. O futebol hoje está amarrado. O jogo é igual e repetido por todas as equipas. É ver como se cobram os pontapés de baliza, naquelas trocas entre GR e defesas. Tudo igual. Hoje neste Sporting Figo e Quaresma ou aprendiam a defender ou eram despachados. Mas o “novo Eusébio”, que todos os anos aparece um no Seixal pela pena dos bajuladores e promotores do comentário futebolístico, está muito mais presente em Geny Catamo do que nessas pérolas de cultura. É um belo jogador. Ainda bem que é do Sporting. Vamos ver é se o negócio não se sobrepõe mais uma vez ao futebol. SL

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