General Solnado


Pedro Correia,

 

Treze dias depois, o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas quebrou um pesadíssimo silêncio sobre a pilhagem do paiol de Tancos.
Para dizer afinal uma frase que bem poderia constar de um dos inesquecíveis monólogos do Raul Solnado: «Os lança-granadas foguete roubados, provavelmente, não poderão ser utilizados com eficácia porque estavam seleccionados para serem abatidos.»

Apetece recordar o Solnado genuíno: «Então o capitão perguntou-me se eu trazia espingarda e eu disse que não trazia e que até pensava qu’a ferramenta davam lá eles. E também disse: “Eu trago é uma bala que um vizinho meu guardou de recordação da Guerra dos Cem Anos.” E diz-me o capitão: “Como é que tu vais matar só com uma bala?” E eu disse então: “Disparo a espingarda e vou lá buscar a bala.”»

36 comentários em “General Solnado”

  1. Curiosa relação entre: objecto letal, ou não, e o seu preço de mercado.
    Um bisturi pode custar 3 € quer seja para curar ou para matar. Baratinho.
    Felizmente, estejam descançados, aquele armamento também era do que há de mais baratinho no mercado….

  2. “Olha, a guerra acabou!

    Acabou !?!?

    “Acabou. Olha que veio cá o fiscal e não tínhamos licença de porte de armas.”

    … e se calhar, com toda a burocracia, ainda não temos.
    Nem de transporte, porque dá a ideia que temos subcontratados a tratar dos nossos transportes de armas e munições.

  3. E aquilo só “valia pouco mais de trinta mil euros”, como se o problema estivesse no valor monetário.
    Valha-me Deus.
    Todos sabem que de uma simples caneta das mais baratas se pode fazer uma pistola que mata pessoas.
    Já não se consegue distinguir entre gestão danosa e gestão de danos.

    1. Até com um par de naifas e um carro descontrolado é possível matar dezenas de pessoas, como nestes anos infelizmente temos visto.
      Mais valia o general ter continuado calado.

  4. Dêem-lhes mais uns dias e afinal até foi “bom” terem roubado o material. Poupou-se no espaço e no dinheiro que aquilo iria custar ao ser desmantelado.

    Mais umas semanas e aquilo nem sequer dava para caçar javalis, quanto mais carros blindados.

    1. E bem necessário é fazer de vez em quando umas montarias aos javalis, que se vêm expandindo descontroladamente por não terem predadores naturais em quase todo o País.
      Ao menos ponha-se a tropa a tratar disso. Enquanto não surripiam o que resta das munições de Tancos.

  5. Por falar em palhaços, olhe-me para este:

    O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, disse hoje que a União Europeia “bem pode esperar sentada” se reclamar ao país uma fatura “extorsiva” pela saída do bloco europeu.

    http://www.msn.com/pt-pt/financas/negocios/brexit-ue-%E2%80%9Cbem-pode-esperar-sentada%E2%80%9D-se-cobrar-demasiado-diz-ministro-dos-neg%C3%B3cios-estrangeiros/ar-BBEf0b2?li=AA56Yp&ocid=spartandhp

  6. Isto só serve ridiculizar mais os governantes, militares e Presidência da R.

    Depois de tanto alarido , bastou uma jantarada bem regada com tintol, para se chegar à conclusão que o que foi roubado até na Feira da Ladra se encontra à venda!

    A noticia estava carimbada de TOP SECRET para que o louros fossem oferecidos ao nosso primeiro…Amanhã, depois de mais uma almoçarada em Belém o que nos será dito?

    Ao ponto a que chegámos!!!

  7. Pelo que ouvi, acho que foi um “roubo” bem virtuoso, que levou o governo e o exército a poupar no abate do material. Por isso, também muito proveitoso para os contribuintes…tanto mais que António Costa, como me pareceu ter ouvido, generalizou a inoperacionalidade a todo o equipamento desviado…

    1. Meu caro: gostaria muito de enviar-lhe um convite mas não consigo deixar mensagem no seu blogue para o efeito. Peço-lhe que me deixe o seu endereço electrónico nesta caixa de comentários (não será publicado) ou no meu e-mail (que está associado ao meu perfil).
      Desde já lhe agradeço.

  8. A extraordinária peça do Solnado só se chamou a guerra de 1908 porque a censura não admitiu que se criticasse a desastrada participação portuguesa na guerra de 1914. Em 1908 ainda havia monarquia e a crítica passava. Com um bocadinho mais de esforço nestas operações de branqueamento, o regime actual ainda se consegue assemelhar ao anterior.

    1. Um efeito involuntário da censura: conseguiu aprimorar o humor do Solnado. Tem muito mais graça aludir à “guerra” de 1908, o que adicionou um toque Monty Python a esta divertidíssima rábula.

  9. Essas ridículas declarações (as armas roubadas até eram baratinhas, e já não faziam mal a ninguém) deram condições para o Sr. Presidente da República, na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, mostrar que não serve só para boas “selfies”: devia, já hoje, exonerar o CEMGFA. Aguardemos (sentados).

  10. El PAIS ( de hoje)

    …” Una vez mas si hay comprovado que El CR7 de las Financias portuguezas hay acertado 100% em la mouche….

    El custo de la vedacion e los vídeos mas las balas de las patrulhas tienen um precio estimado em 365.000 E … El custo d´’el furto fuera de cercano 30.000 asi el Portugal hay ganhado 335.000 E! Solamente d’un verdeadero campeone…

    Sr Rajoy puenga el orro neste ombre!

  11. TIMES

    “Estado Islâmico culpa ladrões portugueses pela derrota no Mossul (Iraque):
    .— ” As ultimas armas vendidas estavam obsoletas”

  12. Cada povo tem os políticos que merece.
    Por isso, os nossos políticos não são melhores nem piores que nós mesmos.
    Todos eles.
    A única diferença é se estão ou não no governo, ou se nunca lá estiveram.
    Qualquer um de nós justificaria o sucedido pelo desinvestimento, pelos buracos na rede, pela falta de videovigilância…
    Até porque ainda não ouvi ninguém (se aconteceu, peço já desculpa) fazer a pergunta:
    – Ora vejamos, se tudo estivesse na devida ordem e, nessa medida, tornasse impossível qualquer invasão, então para que serviria todo o pessoal encarregado de vigiar a coisa e que nós pagamos a peso de ouro?!…
    Se A Mosca (não sei de quem) ouvisse tal pergunta, talvez respondesse naquele seu jeito inocente:
    – Só se fosse para tornar possível o impossível!…
    João de Brito

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