Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Clarisse Lispector, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Disponível em edição Relógio d’Água.

Belo Post
Obrigado, Rita. Nem sempre a Clarisse é fácil de entender mas, quando se entende, só se pode concordar (e quando não se entende, continuar a tentar).
Gafe ou imaturidade. Ou apenas uma grande e inútil chatice.
Pois, talvez a sociedade se baseie numa versão light (para não ser muito agressivo) da hipocrisia. Quanto a chatice, não concordo. Há tanta coisa que importa. Mas preferimos quase sempre falar do tempo.
Considero que nunca o pudemos fazer tão bem como nos nossos dias. Agora, resta saber as razões pelas quais não o fazemos. Levanto algumas hipóteses, mas porventura muitas hão-de faltar.
H1: As pessoas têm medo;
H2: As pessoas não estão para se chatear;
H3: As pessoas são falsas;
H4: As pessoas, mais do que serem verdadeiras,
querem sobretudo agradar a terceiros.
…
Quanto à frase “Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.”, depende do contexto. Parece-me tratar-se mais de uma questão de “inconveniência”. Será?!
Cristina Silva
Todas as anteriores, Cristina, estou inteiramente de acordo. Quanto à “inconveniência”, não será um sinónimo de “gafe”?