Quem é que anda por aí a despachar velhas G3 – velhas mas operacionais – para o Sudão do Sul? Bom, não estou à espera que alguém ponha o dedo no ar, mas que elas apareceram lá, apareceram. Foram descobertas no fim do ano passado pela UNMISS, a missão da ONU no país, mas escaparam aos média aqui. A denúncia está no Jirenna, blogue do jornalista e missionário José Vieira, com oito anos passados na jovem república, há 18 em guerra civil. Foi postada ontem, com o título G3 portuguesas matam no Sudão do Sul, e remete para factos com datas frescas. Cálculos por alto apontam para pelo menos 50 mil mortos no conflito. O papel de Portugal no comércio mundial de armamento é notícia antiga. Sabemos é pouco sobre ele. Talvez as provas encontradas agora, relatadas pela Small Arms Survey, sirvam para alguma coisa. Na segunda foto são nítidas as letras FMP – Fábrica Militar Portuguesa. Que tal se a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias se debruçasse um pouco sobre o caso?



Não são necessariamente armas comercializadas por Portugal. Podem ter sido armas do nosso exército caídas em poder dos movimentos guerrilheiros de Angola ou Moçambique. Ou armas de outra forma desviadas do nosso exército e depois contrabandeadas.
Sim, é possível, Luís. É possível. Mas pode também haver outra explicação, que é o que a priori incomoda.
Claro que não. A fábrica portuguesa de armamento foi fechada por cavaco silva quando ele era primeiro ministro. Portanto, antes de 1995 .
E que tal chamar o ministro da Defesa a uma daquelas sessões de chá requentado na AR e exigir-lhe um relatório exausto-cansativo sobre o armamento das forças armadas? Seria bonito…
Ele ou outro alguém há-de dizer alguma coisa. Porém bonito nunca será, com chá ou não.
O que o artigo diz é que uma das 134 armas era composta por elementos de uma G3 feita em Portugal com elementos de outra feita no Irão.
Curiosamente é indicado o número da arma mas não são dadas as outras indicações constantes da mesma foto (mas estão lá para quem as quiser ver).
G3 feitas em Portugal não é nada que não se encontre por esse mundo fora e só quem não fez a tropa porque era muito novo ou se baldou é que pode achar que não seja assim.
Três meses antes do 25A havia 298.395 distribuídas e, tendo eu atravessado 1973, 1974 e 1975 como oficial miliciano, só consigo sorrir à ideia de que terão sido todas devolvidas à DGMG…
Então já somos dois a sorrir, mg, pois as armas não andam sozinhas.
Como já vi – pelos comentários que faz aos comentadores – que tem uma ideia sobre o assunto dada como muito provável para si, não me parece s.m.o. que as razões porque sorri sejam as mesmas que as minhas.
Eu não vejo a coisa como algo de suspeito mas sim como algo de muito terra-a-terra, nesses tempos nem sempre a desmobilização de efectivos foi feita com todos e mais alguns cuidados (por razões óbvas para quem os viveu) e decerto armas e munições terão ficado espalhadas pelo “império” (o Luís Lavoura já o disse).
De resto e como diz o relatório original só foi encontrado um bocado de uma G3 velhíssima (há que ler a placa toda, repito) com referências à FMBP e como parte de um conjunto pois é uma reconstrução feita com peças de 2 origens (o relatório original o diz, José da Silva Vieira escreve como se ninguém soubesse ler o original).
Se tivessem encontrado nem que fôsse 3 ou 4 inteirinhas eu veria a coisa decerto de outro modo.
Mas sorrir é sempre bom.
Uma boa noite para si
Nota- http://en.wikipedia.org/wiki/Heckler_%26 _Koch_G3
Obrigado pelo seu comentário, rmg. Não estou em desacordo consigo, repare. Tudo o que conta é absolutamente razoável e plausível. Apenas achei que onde se encontra um pedaço de G3 da FML pode haver mais, senão armas inteiras. O armamento usado na guerra do Sudão do Sul não foi todo destruído, pelo que sobra naturalmente a hipótese de haver mais espingardas de assalto de fabrico nacional. A única pequena diferença entre a sua argumentação e a minha é que no seu caso só ficaria preocupado se aparecessem três ou quatro inteirinhas e a mim basta-me a parte de uma. Um excesso meu? Também admito que sim. Também admito que sim. Mas esta parte pode ter ajudado a matar. Enfim, a explicação que me chegou de si, e que agradeço pois ajuda a esclarecer as pessoas, poderia, ou deveria, chegar de algum gabinete, pois não estamos a falar de tremoços. Não acha?
Agradeço a sua resposta.
Não me parece que seja uma pequena diferença que separa as nossas argumentações, 2 peças de uma G3 com 50 anos feita na FBP a que juntaram 2 peças de outra semelhante feita no Irão (decerto na mesma época, ainda era um país “amigo”) não são exactamente o mesmo que encontrar de facto (não presumir que existam de facto e partir daí) muitas armas completas feitas cá.
Claro que pode haver centenas de armas ou bocados delas como pode não haver mais nenhuma, isso eu não sei, não sou um especialista em armas nem nunca me passaria pela cabeça ser.
Ontem já tentei apresentar o meu ponto de vista, dizendo minímamente porque me “atrevia” a falar no assunto e não vou insistir.
Não estamos a falar de tremoços, pois não, mas também não me parece que para já estejamos a falar de algo que uma entidade oficial tenha que esclarecer forçosamente (esclarecer o quê exactamente?).
Mas claro que é apenas uma opinião minha.
Como é uma opinião minha que podia ter evitado devolver-me o “inteirinhas” das armas naquele contexto em que o fez, foi uma figura de escrita e não de menosprezo meu pela situação, se o tivesse não me tinha dado ao trabalho de vir aqui escrever longos textos.
Fico-me assim pela esperança de que uma indicação que lhe dei aqui, talvez há um ano, lhe tenha sido útil.
Se fôr para indicações genéricas pode contar comigo.
Um bom fim de semana para si
Obrigado de novo, rmg.
Não tenho qualquer apetite por milicos e armas.Estas só para defesa pessoal.
Quanto a negócios afins,além deste,alguém pode investigar de onde procede a
pandemia de AK47.s?
Não há muito para investigar, meu caro, quando não vêm do fabricante vêm de alguém que as monta sob ou sem licença, até de uma garagem de Lisboa segundo uma notícia que li há uns anos…
Um inquérito de uma comissão sobre G3 no Sudão? Num arremedo de país onde há mais armas de assalto que gente e onde o estado de guerra civil é a situação normal, alguém acha mesmo que há que ir apurar responsabilidades por um número não especificado de G3 anciãs numa ridícula apreensão de pouco mais de cem armas ao todo ? E o que é que habilitaria a Comissão de Direitos , Liberdades e Garantias a pronunciar-se sobre um eventual caso de tráfico internacional de armas?
Bem, Jorge, ninguém sugeriu que uma comissão fosse tão longe. Sobre a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, foi ela que, em Junho de 2002, se debruçou sobre um relatório do SIS dando conta do aumento, aqui, do mercado de armas ligeiras oriundas do Leste europeu, Balcãs e Sul da Europa…
Tinha uma ideia diferente das competências e organização da Comissão , fui esclarecer-me , http://www3.parlamento.pt/sites/COM/XIIL EG/1CACDLG/Apresentacao/Paginas/Competen cias.aspx
Vejo que se podem debruçar sobre praticamente tudo , já vi o que os habilita a isso . Quanto às G3 do Sudão , compreendo os sentimentos de um português que lá vive e trabalha , vê o drama de perto e faz daquilo um caso sério , mas não creio ser por aí que se vá encontrar o fio a uma das meadas do tráfico de armas em português.
Obrigado, Jorge. Bom, ainda bem que há pessoas no terreno preocupadas com pormenores, pois é neles que o diabo se esconde, como concordará. Certo?
Certíssimo
Quando acabei o serviço militar em Angola 61/63 (finais) troquei uma G3 por um cacho de bananas e 4 ananases…. e mais qualquer coisinha … ( não digo o quê)
A AR vai mandar exumar Rosa Coutinho para responder a mais uma CI.
Portugal nos anos 80 ainda produzia a G3 e vendia para muitos países entre os quais o Irão na altura em guerra com o Iraque.