Futebol e política.


Luís Menezes Leitão,

 

Hoje em dia, perante a desgraça em que se afundaram os países europeus, o único vislumbre de orgulho nacional a que os cidadãos podem aspirar é algum sucesso da sua selecção. Não admira, por isso, que os políticos se metam abundantemente nas questões do futebol. Quando Cristiano Ronaldo foi objecto de piadas de gosto duvidoso por parte de Blätter, Marques Guedes não hesitou em saltar em defesa do ídolo nacional de Portugal. Agora é Marine Le Pen que, depois da derrota da selecção francesa na Ucrânia decidiu chamar aos jogadores “rapazes rebeldes mal-educados sem orgulho nacional“. A mensagem sub-liminar é evidente: François Hollande é um mole, incapaz de educar os jogadores franceses e obrigá-los a terem orgulho nacional. Estivesse lá Marine Le Pen e outro galo cantaria.

 

Pessoalmente acho ridículo este tipo de intervenção política. O futebol é um jogo em que só pode ganhar uma das equipas e as vitórias dependem de inúmeros factores, alguns deles puramente aleatórios, como a infelicidade momentânea de um guarda-redes, a marcação ou não de um fora-de-jogo, ou a precipitação de uma falta na grande-área. Mas não há dúvida que as vitórias contribuem imenso para elevar o moral de um país, enquanto que as derrotas são altamente depressivas. É por isso que se Portugal conseguir passar amanhã na Suécia, o povo sairá feliz às ruas, a crise económica será esquecida e o Governo estará de parabéns. Mas, se não passar, será mais uma desmonstração da incompetência nacional, ficando o povo português plenamente convencido de que isto não tem solução, e que precisaremos seguramente de um segundo resgate ou até mesmo de um terceiro. Esteja o Governo atento que a sorte do país joga-se afinal é num campo de futebol em Estocolmo.

9 comentários em “Futebol e política.”

  1. Recordar-se-á certamente da época depressiva em que Hitler presidiu á abertura dos jogos na Alemanha. Era ali que ele pretendia mostrar ao povo alemão e ao mundo quem era a raça superior, e tudo descambou como todos sabemos.

    http://www.youtube.com/watch?v=sL5_SfTGUGI

    http://www.youtube.com/watch?v=_i0U7yP4FO8

    A Marine, mais o seu homólogo holandês, mais os que vão surgindo no UK já começam as suas manobras de influência. Só que desta vez não estaremos perante um incêndio no Reichstag (com manobras posteriores acusando os comunistas), mas sim no centro do poder em Bruxelas (entenda-se este incêndio figurativamente) para onde a Alemanha transferiu todo o seu staff para dominar o que não poderá.

    Em Portugal não se estranhe esta afeição ao futebol. Como poderia o povo dar atenção a outras matérias com tanta mediocridade que abunda?

  2. “o único vislumbre de orgulho nacional a que os cidadãos podem aspirar é algum sucesso da sua selecção”
    Os cidadãos verdadeiros não aspiram, lutam esclarecidamente por um país melhor; porque só dessa luta, e de mais coisa nenhuma, pode advir algum “orgulho nacional”.
    Fazer depender o “orgulho nacional” dos sucessos ou insucesso de um grupo de desportistas é uma enorme e perigosa alienação.

  3. a desgraça em que se afundaram os países europeus

    Muitos países europeus, em particular a Suécia ilustrada na imagem do post através do seu craque, não estão afundados em desgraça nenhuma.

  4. A mensagem sub-liminar é evidente: François Hollande é um mole

    Possivelmente, a mensagem sub-liminar é outra, que os jogadores franceses são na verdade na sua maioria uns arraçados de estrangeiros que não se identificam com a verdadeira França.

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