Bater no fundo pode até ser desejável, se significar um renascer das cinzas e uma natural subida, por não ser possível descer mais. Infelizmente, até nisto Portugal parece ter descoberto uma originalidade: a de estar sempre a bater no fundo, repetidamente, como uma bola de borracha incapaz de estabilizar por causa da lei da gravidade. Da gravidade do que se passa lá no fundo, sobretudo.

Ana, hoje só me sai a palavra desalento. Já a escrevi tanta vez que posso escrever, pelo menos, “dezalento” …
Dez vezes desalento, é isso? Dou-lhe razão…
… E com tanto lixo por purgar!
Mesmo de olhos bem vendados
vê-se a enorme sordidez
de dirigentes malfadados
gozando da nossa placidez.
Num regime esgarçado
sem ponta por onde pegar
o porvir está grassado
de tanto lixo por purgar!
“Tanto lixo por purgar” é uma imagem fiel do que temos pela frente, Amêijoa. Haverá lixeiras suficientes para acomodar tanta porcaria?
Ana é isso – “no fundo” – até à exaustão – está tudo dito.
Infelizmente, Maria.
Dizes bem, Ana. Até parece que andamos a ser vítimas da lei da gravidade. Entretanto, os bajuladores de serviço na blogosfera, cada vez com menos argumentos, insistem em bradar por aí: “A situação é desesperada, mas não é grave.”
O que constitui talvez a única nota cómica no triste panorama actual.
Que é como quem diz: “A situação é ligeiramente catastrófica”. Cómico e trágico, é verdade.