Ao invadir o Iraque em 2003, os EUA cometeram uma grosseira violação do direito internacional. Não era necessário ser anti-americano para ver que nada de bom poderia sair daquele excesso de testosterona de um país que então se comportou como um adolescente rico a exibir o seu poderio militar. O seu presidente de então, George WC Bush, também nunca conseguiu convencer ninguém que parte da sua motivação não ia além de querer mostrar ao paizinho que já era um homem crescido.
Ontem, numa intervenção em Dallas, WC Bush, deixou-se atraiçoar pelo seu subconsciente, e quando falava sobre, a igualmente criminosa invasão russa da Ucrânia, trocou o nome dos países e acabou por se confessar em público, dizendo: “A decisão de um homem de lançar uma invasão totalmente injustificada e brutal ao Iraque”… “Quero dizer, à Ucrânia”.
Mesmo para quem, como eu, gosta de histórias onde os patifes se conseguem redimir, esta escorregadela verbal não teve graça nenhuma.
Os palermas apoiantes dos crimes de Putin, que certamente condenaram a invasão do Iraque, até podem pensar que encontrarão neste lapsus linguae um apoio para evitar cair no poço do ridículo onde escolheram mergulhar, mas estão enganados. Quem tentar justificar um crime cometido com um outro de um outro criminoso, não está a fazer outra coisa que não seja assumir a sua clamorosa falha.

“A decisão de um homem de lançar uma invasão totalmente injustificada e brutal ao Iraque”… “Quero dizer, à Ucrânia”.
Aqui foi mesmo isso Paulo. W ficou famoso pelos despautérios e não melhorou com a idade!
A verdade é que a invasão do Iraque justificada pela existência de inexistentes armas de destruição maciça, foi um pretexto para vingar o 11 de Setembro entre outras coisas.
A verdade é que estavam errados e acabaram por se retratar.
Desta vez não vai ser o caso.
Lançaram o caos no Médio Oriente, dentro do qual a criação do Daesh foi apenas umas das consequências. Uma outra foi o tremendo desgaste da credibilidade internacional.
Retrataram-se dizendo que “o último que feche a porta” Dulce.
Digo isto, reconhecendo que felizmente são os EUA ter a capacidade militar que têm e não a Rússia ou a China. Os EUA não tentaram invadir um país vizinho, com adolescentes mascarados de soldados em cima de máquinas obsoletas, mas antes atravessaram meio mundo com a sua imensa máquina de guerra às costas. Não se podem comparar coisas não comparáveis. Agora as violações grosseiras do direito internacional nos dois casos, são igualmente gritantes.
Concordo!
“Lançaram o caos no Médio Oriente”
Rídiculo. Quem criou o caos no Médio Oriente foi o Médio Oriente. Foi a Al Qaeda + mais os aliados da tribo de Trikit, mais a Irnandade Muçulmana, que em vez de gastar recursos a explodir-se na Europa , nos EUA e resto do mundo foi forçada a combater em terras muçulmanas ir ao Iraque explodir mercados, pontes, etc.
A invasão do Iraque foi a melhor coisa que o Bush fez. No dia 11 do 9 os Muçulmanos aplaudiram Bin Laden. Quando Bin Laden foi morto pelos EUA poucos protestaram.
O que diz está ao nível da fé, pois dispensa evidências. Quando depois disso é que tentaram voltar a “exportar” a democracia a toque de armas? Já nem os americanos se atrevem a dizer isso. Até o WC Bush se deixou atraiçoar pelo subconsciente e disse o que o afligia.
Não leu nenhum elogio meu a Sadam Hussein, mas o Iraque antes da invasão garantia um equilíbrio regional que foi interrompido e que o que seguiu foi caótico. A título de exemplo o Daesh nunca teria existido sem esta invasão.
E continuam as mentiras:
As armas de destruição maciça existiram.
Os palermas que conseguem ter comentários de várias folhas A4, um minuto após a publicação do postal, não publicam comentários nos meus textos. Sem surpresas, portanto.
Os comentários-tipo são uma realidade. Copy/Paste da minuta, dá para responder a todos os temas, desde plantar batatas até astrofísica, Paulo.
Desde há algum tempo, Dulce, que o melhor que conseguem é acertar com a bola no poste. Azar.
em política nada é o que parece.
não gosto de gringos.
o motivo não foi Sadam nem as armas escondidas a tempo. diz-se que foi a pedido de dirigentes e países amigos em troca de favores.
Há sempre interesses, seja em mudar como em manter. Não considero esse critério para estas coisas.
Ninguém é exclusivamente gringo, exclusivamente canhoto, exclusivamente africano ou outra coisa qualquer.
tudo é questionável quer se goste ou não. nada se deve limitar. nunca menciono o que não sei.
coleciono certificados de menoridade mental.
Depois do 11 set alguem tinha que levar um pontapé no rabo. Saddam estava ali à mão, era um despota que alem de martirizar o seu povo e de gazear os curdos financiava grupos terroristas e até dava premios em dinheiro na tv às familias dos palestinianos que explodiam nas ruas de israel. Não se perdeu nada com a queda deste déspota. Podia ter sido diferente? Claro que sim. Especialmente olhando para trás à distancia de 20 anos. Quanto ao lapso propriamente dito e ao bruá que o mesmo gerou, é só comparar com o silêncio dos media acerca das gafes e paragens cerebrais do atual presidente. Aliás já se fala no próprio partido democrata na substituição do presidente por motivos de saúde.
O critério para de poder invadir um país não pode ser a qualidade do patife que lá está. O Sadam era um tirano, mas a invasão do Iraque foi um grosseira ilegalidade.
Eina
Comparar Ucrânia com Iraque e optar por um dos lados? BALHA-ME DEUS!
Um é ditador criminoso que destrói cidades, vilas aldeias, hospitais, escolas e A VIDA de milhões , é um tipo porreiro pá!.
O Outro ditador igual ou pior, que mantinha a total submissão do povo, que assassinava por nada famílias.
Estes que abonam o Sadam se tivessem filhas jeitosas o Sadam tratava delas e se os pais protestassem levavam o troco com um tiro.
Se o critério fosse tirar tiranos do poder, seria uma coisa bonita de se ver.
Na “Tempestade no Deserto” em 2001, Saddam cedo aceitou retirar do Kuwait mas antes ordenou que fossem incendiados os poços de petróleo, provocando o 2º maior desastre ambiental do mundo. Assim nada obstaria a que Bush ordenasse o avanço até
e Bagdad para aprisionar Saddam e posteriormente entregá-lo à justiça internacional. Pelo menos destituí-lo do governo. Mas Bush era, como agora se diz, da direita fofinha e, fosse porque não queria ultrapassar o mandato da ONU fosse por não querer ofender aliados de momento – até o conhecido “democrata” Hassad, da Síria apoiara – deixou Saddam em paz. Pior, porque, salvo os bombardeamentos iniciais que visaram também três divisões da Guarda Republicana – a guarda pretoriana de Saddam – nunca as forças da coligação entraram em combate directo com eles, isto é, Saddam ficou com a capacidade de continuar a exercer o poder totalitário no Iraque.
Com excepção dos ocidentais – iluminados, pervertidos ou enfraquecidos, há teorias para tudo – pela filosofia alemã de Kant a Hegel, talvez mais de 80% da humanidade aceita melhor “o que parece, é” do que o racionalismo. E muito menos o missionarismo cristão ocidental de que têm sobretudo más recordações e que encerra conceitos como o “oferecer a outra face” que, não sendo compreendida, só pode ser percepcionada como hipocrisia.
Durante anos, Saddam difundiu o discurso que os americanos eram um tigre de papel que não conseguira derrubá-lo. Isso fazia sentido. Se não o fizeram era porque não eram capazes. Durante anos isto causou estragos e erosões na diplomacia americana e dos seus aliados regionais. Passados anos – aqui é interpretação pessoal – Saddam já acreditava pessoalmente nisso atreveu-se a pôr em causa o petrodólar e a negociar sobretudo em libras, mas também marcos alemães e francos suiços.
Não posso em poucas linhas dar uma lição de história que começaria em Bretton Woods. mas o que é facto é que por 70 anos o mundo ocidental viveu uma “pax americana” em que os Estados Unidos garantiam a liberdade de comércio internacional, disponibilizavam os meios de pagamento e a moeda. Não vale a pena discutir que o faziam também ou sobretudo em proveito próprio mas talvez fosse desejável que não se esquecesse que, sem essa política americana, a Europa não teria podido dispensar meios financeiros para as suas políticas sociais que agora servem de sustento a discursos de supremacia moral que por sua vez sustentam críticas aos americanos, como a do autor do postal e da inevitável Maria Dulce.
Também não tenho espaço para detalhar, mas a actuação de Saddam no negócio do petróleo, ameaçava gravemente um equilíbrio instável que só poderia manter-se actuando sobre a oferta (a produção) com estímulos ou correcções financeiras (a moeda). Foi este e creio que, decisivamente, só este, o motivo que levou à decisão da intervenção.
Atente-se que, sendo a praça de Londres a grande rival de Frankfurt, a negociação de petróleo em Libras aparentemente favorecia os ingleses mas Tony Blair foi o melhor aliado de Bush. Posteriormente admitiu erros sobre a preparação e execução mas afirmou sempre que tomou o que se perfilava como a melhor solução de momento.
O resto foi “marketing” (as armas de destruição maciça) de tal forma mal gerido, que me leva a acreditar que os defensores do aumento da intervenção no Afeganistão, deliberadamente torpedearam a preparação da invasão do Iraque.
Duas notas finais: (seguem anseguir)
Duas notas finais.
1º A execução em Bagdad foi incompetente a um nível superlativo mas o pior poderia ter sido corrigido com uma permanência americana mais forte, mais diversificada e mais demorada. O que “fez” o Estado Islâmico foi o conjunto da retirada prematura, deixando o interior do Iraque aos sunitas – únicos com experiência militar e administrativa anteriores – com o financiamento e armamento da oposição sunita síria a Hassad. Juntaram-se as duas oposições, a “democrática” da Síria e a “anti-democrática” do Iraque. Aí a responsabilidade foi da administração Obama, com responsabilidade inicial na Síria da sua secretária de Estado Hillary Clinton. Que, não sei porquê (ou até sei bem demais) raramente vejo criticados.
2º Bush filho é conhecido pelas suas “gaffes” trocando muitas nomes, lugares e datas, mas os que disso se servem para o fazer diminuído deveriam lembrar-se que se licenciou (BA) em Harvard, onde foi membro da Delta Kappa Ipsilon, a que presidiu no último ano. Não será um génio mas está longe de ser o mentecapto que alguns o querem fazer.
O envolvimento do Irão fica para outras núpcias.
Será boa ideia. O Irão é outra das histórias habitualmente mal contadas e que escondem comportamentos fortemente criticáveis da França e da Alemanha e das administrações democráticas americanas, Obama e agora Biden.
O caos que se seguiu à invasão americana de 2003, foi em grande medida alimentado pelo Irão. Tal como a maioria da população do Iraque, o regime dos aiatolas é xiita e por isso o vazio de poder que se seguiu à invasão (a partir da certa altura os americanos mal saiam da green zone) abriu a porta a que as suas milícias estivessem muito presentes no terreno.
Só trouxe o Irão à conversa por não ter feito qualquer referencia este país que foi um player de primeira grandeza no que ali se passou após a invasão.
Há uma distinção importante a fazer entre a invasão do Iraque e a da Ucrânia.
O Iraque era um país de pequena relevância para o mundo em geral. Não produzia nada de essencial – um pouco de petróleo, apenas, mas, nessa época, em quantidade pouco substancial.
A Ucrânia é um país muito relevante pela sua produção alimentar. É um país crucial. E a Rússia é outro. Sem os alimentos produzidos na Ucrânia e na Rússia, o mundo em geral passa fome.
Por isso, a invasão do Iraque, trágica que foi para os iraquianos, para o mundo em geral foi pouco relevante. Pelo contrário, a invasão da Ucrânia e a consequente guerra é uma tragédia para o mundo.
Por isso, fazer a paz é, de facto, muito mais importante no caso ucraniano do que no caso iraquiano.
O Iraque era em 2000 o quarto maior produtor mundial de petróleo e actualmente andará pelo mesma posição. Em termos de reservas está em quinto lugar.
Em 2003 ainda não se falava, nem se sonhava com a transição energética, nem a tecnologia do “shale oil” não tinha ainda revolucionado o mercado energético.
O Iraque era em 2003, e continua a ser, um país muito importante na produção de petróleo.
O Iraque era em 2000 o quarto maior produtor mundial de petróleo
Talvez, mas o facto é que jamais alguém receou ou sugeriu que, devido à invasão, o petróleo fosse escassear. (Pelo menos que eu me recorde.) Jamais se pôs em causa que o petróleo iraquiano continuaria a fluir, a preço razoável. Ao contrário daquilo que acontece agora, em que há alarme público (talvez artificialmente empolado) com a possível escassez de comida devido à invasão da Ucrânia.
O Iraque era liderado por um regime imprevisível e um país importante pelo dano que poderia fazer – à produção mundial de petróleo, não pelo seu próprio petróleo- e apoio que poderia dar ao terrorismo da Al Qaeda, incluíndo armas de destruição maciça.
E a única maneira de conter a Al Qaeda era força-la a combater nas terras do Islão fazendo-lhe um desafio. O ataque ao Iraque obrigou a Al Qaeda a ter de combater num terreno que não foi escolhido por ela e onde seria extremamente difícil provocar uma guerra religiosa que colocasse todos os muçulmanos a apoiar a Al-Qaeda.
Se a ideia era essa, o resultado errou o alvo. Veja a situação da Síria, esvaziada de milhões de habitantes e às ordens de Putin. Imensas áreas no interior também do Iraque entregues à lei do mais forte onde é impossível viver ou circular. O reforço do peso do Irão que avançou com milícias xiitas para o Iraque para preencher o vazio de poder. Até os americanos passaram a votar no candidato que lhes garanta que não irá combater em guerras longínquas. E a lista de consequências não se esgota aqui.