Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem que o governo foi um desastre a defender a nomeação de Franquelim Alves. Há uma explicação para isso. A nomeação de Franquelim Alves não tem defesa. É uma decisão que descende por via directa da falta de bom-senso, da insensibilidade e da mais inveterada cegueira e paspalhice política. Está na exacta e mesma linha da teoria da oportunidade do desemprego, dos conselhos sobre a emigração, do concerto do Paulo de Carvalho, do desagravamento da TSU suportado pelos trabalhadores, da permanência de Relvas como ministro e da presença demasido próxima de Dias Loureiro junto a membros do governo, seja em Lisboa ou em Copacabana. O caso BPN foi demasiado grave, custará aos portugueses demasiado caro, para que alguém que esteve na gestão da SLN possa, independentemente das suas responsabilidades pessoais, apresentar-se aos portugueses como governante. É inadmissível que aos portugueses, exauridos, enganados, esganados, extorquidos, se imponha ainda o achincalhamento de ver num cargo político executivo alguém que esteve ligado, mesmo que eventualmente de forma não dolosa, a uma das vergonhas nacionais. Assim, a gestão posterior da nomeação foi apenas coerente com o valor da própria nomeação. É claro, todavia, que alguns episódios foram absolutamente reveladores de uma total imbecilidade. A “ocultação” do episódio SLN no currículo, a “aparição” de Relvas, essa reserva moral do governo, a dar cobertura à nomeação, a tentativa do Álvaro de converter um vulgaríssimo quadro superior de uma empresa num paladino da verdade e da transparência ou a explicação de que a omissão no currículo teria decorrido da necessidade de o resumir em 500 caracteres são dignas de figurar num manual sobre tudo o que não se deve fazer. O verdadeiramente ridículo de tudo isto é que, afinal, teria sido muito fácil evitar mais este foco de tensão entre o poder político e os cidadãos. Bastava ter menos atenção aos caracteres e perder um pouco mais de tempo com questões essenciais de carácter político e de afirmação de uma via digna de governação, com respeito pelos eleitores.
Fuckelim
Rui Rocha,

Certo mas nesse caso tem muito poucos no Governo ou fora dele. Basta a lista toda do PS que foram membros do Governo e deputados na assembleia a quando do Governo Sócrates, a que podemos adicionar os apoiantes do PSD aos PECs…. O BPN é caso pior que a Falência do País? E de quem colocou o dinheiro dos contribuintes no BPN?
Bastante fucklido com a situação, sem fazer julgamentos de carácter da pessoa em causa, subscrevo o conteúdo de seu texto.
Muito bem resumido o sentir popular sobre este caso. Na minha opinião, quem se revelou a maior desilusão foi o ministro Álvaro. Todos os outros agiram conforme a sua natureza, não tentaram ser o que não são.
Só me produz alguma espécie que agora toda a gente que andou no BPN e arredores, e muitos do que comentam, esqueçam que o BPN dá muito que falar desde os princípios do século, não é de 2008. Mesmo para quem está totalmente fora dos mentideros, como eu, mas minimamente informado, o sucesso do banco era inexplicável muitos anos antes do desabamento.
Mas o ministro Álvaro! Quão rapidamente se rendeu à política. Porque será? Por convicção? Mas, quê convicção? A de que somos parvos? A de um futuro melhor?
Cumprimentos, Carmen
O que vale é que daqui a umas boas dezenas de anos se conclui o julgamento. Com os recursos, e tal, talvez daqui a uns cem anos a coisa seja dada por terminada. Eu estarei cá para ver.
O que diz decorre de situações anteriores que, infelizmente, comprovam a total impunidade dos políticos na “democracia” portuguesa.
Relvas existe porque Sócrates existiu.