
26 de Julho – O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) anuncia ter dado por concluído o processo Freeport. Charles Smith e Manuel Pedro são os únicos acusados.
27 de Julho – José Sócrates diz-se satisfeito com desfecho da investigação. “A verdade vem sempre ao de cima”, sublinha o primeiro-ministro.
29 de Julho – Os procuradores do Ministério Publico que dirigiram o inquérito do processo Freeport, Vítor Magalhães e Pais de Faria, revelam que quiseram ouvir o primeiro-ministro, mas não puderam fazê-lo devido à necessidade de concluir o inquérito a 25 de Julho. No despacho de arquivamento, esclarecem quais são as 27 perguntas que pretendiam fazer ao primeiro-ministro.
29 de Julho – O procurador-geral da República refere, em comunicado, que “foi com total surpresa” que “tomou conhecimento da invocada necessidade de mais inquirições, questão que só agora se vê suscitada”, anunciando a abertura de um inquérito para o total esclarecimento de “todas as questões de índole processual ou deontológica”.
30 de Julho – “Os investigadores dispuseram quase de seis anos para ouvir o primeiro-ministro e os procuradores titulares um ano e nove meses. Se não o ouviram, é porque entenderam não ser necessário”, declara o procurador-geral da República, Pinto Monteiro.
30 de Julho – “Há boas razões para uma penitência colectiva de muitos jornalistas portugueses”, escreve no jornal i Pedro Adão e Silva, ex-dirigente do PS, a propósito do caso Freeport.
31 de Julho – “Quando dois procuradores que lideram um processo de investigação dizem não ter tido tempo para fazer algo que os próprios consideram essencial, não se pode suspender o juízo sobre a actuação desses procuradores invocando a presunção de inocência”, escreve o deputado socialista João Galamba no blogue Jugular.
3 de Agosto – Em entrevista ao DN, Pinto Monteiro critica os procuradores: “Na longa vida de magistrado, o PGR nunca conheceu um despacho igual, nem tem memória de alguém lho referir”, sublinha numa das respostas que deu por escrito ao jornal. Na mesma entrevista, o PGR queixa-se de ter apenas os poderes da Rainha de Inglaterra.
3 de Agosto – Em entrevista à SIC Notícias, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, ataca os procuradores do caso Freeport, confessando-se “surpreendido e indignado”. Motivo: “Nunca tinha acontecido aparecer num despacho de arquivamento um questionário com perguntas dirigidas a pessoas que os investigadores nunca tentaram chamar ao inquérito para esclarecimentos.”
3 de Agosto – O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, diz que os procuradores do caso Freeport estão a chamar “estúpido” ao povo português, quando alegam falta de tempo para não terem inquirido o primeiro-ministro.
4 de Agosto – Eurodeputada socialista Ana Gomes defende a demissão do procurador-geral da República.
6 de Agosto – Sabe-se que os procuradores pretenderam ouvir José Sócrates e dirigiram esse pedido à directora do DCIAP, Cândida Almeida. Esse pedido foi formalizado a 12 de Julho.
7 de Agosto – Sabe-se que Cândida Almeida negociou a inclusão das 27 questões no despacho final como contrapartida pela não inquirição do primeiro-ministro e do ministro da Presidência.
8 de Agosto – Eurodeputada socialista Ana Gomes defende a demissão de Cândida Almeida.
9 de Agosto – Sabe-se que Cândida Almeida travou a constituição de uma equipa mista da Polícia Judiciária para investigar o caso Freeport.
11 de Agosto – Cândida Almeida, Vítor Magalhães e Pais Faria, segundo a Lusa, “repudiam as notícias que vieram a público nos últimos dias a dar conta de alguma divisão na equipa”.
Muito, muito bom. Esqueceste-te foi daquelas merdas sobre o “estatuto dos jornalistas”, que são super importantes para o esclarecimento deste caso.
Ups, lá vou eu ter os mesmos do costume à perna. Que chatice, com este calor.
Excelente; escrito dessa forma, fica tudo muito claro. Entre todos os intervenientes no caso Freeport, que venha o Diabo e escolha.
É impressão minha ou há qualquer coisa no último apontamento que confirma a solidez da hierarquia?…
Excelente observação (também não estava à espera de menos…). Adorei esse negrito…
:)))
:o)
Muito bem. Cândida Almeida negociou com os procuradores? E, a ser verdade, a culpa é de quem?
Já sei. O mesmo do costume.
Não, não. Desta vez, a culpa é minha. Tem de ser minha. Vá lá. Só desta vez. Pode ser?
Ou minha. Que chatice, dar-me para escrever sobre estes temas. Podia escrever antes sobre as ‘Memórias’ de Gore Vidal, a leitura de Verão do presidente do Conselho.
‘Memórias’ de Gore Vidal? Um bom conselho. Do bom presidente.
12 Agosto de 2011
” A Procuradora Geral da República Candida Almeida, processa Pedro Correia…por difamação!
Ena. Cândida Almeida acaba de ser promovida a procuradora-geral da República por… Artur Mendes.