Bem sei que neste blogue os posts sobre a Alemanha são mais credíveis e competentes se feitos pela Cristina Torrão, mais habilitada ara o efeito, mas não resisto à ocasião. Agora que há um novo chanceler na Alemanha e que Angela Merkel deixa o cargo que tanto tempo ocupou, é uma boa ocasião para falar de leituras recentes. Li há pouco tempo a biografia de Frederico II, o Grande, por Nancy Mitford. Aconselho vivamente, embora seja uma edição complicada de encontrar em português, dado que era dos Livros Cotovia, editora desaparecida há pouco tempo. A autora, ela própria proveniente de um conjunto muito biografável de irmãs, acedeu aos então pouco acessíveis arquivos das antigas RDA e Checoslováquia, obtendo um conjunto de documentos notável para a construção da vida do homem que reinou sobre o Brandeburgo-Prússia durante quase meio século.
Sempre achei que Frederico fosse a personalidade mais interessante do século XVIII. Conhecia, entre outras coisas, a sua enorme capacidade na guerra, a sua habilidade política, os seus interesses e contribuições para a filosofia e para a música, os anos que Voltaire passou na corte prussiana, a terrível relação com o seu pai, a sua sexualidade ambígua e o seu tão personalizado lar de Sans-Souci, que visitei há já muitos anos. Mas desconhecia outros elementos do seu pensamento e da sua política que não são aqueles que normalmente se atribuem à Prússia.
Era o modelo de Déspota Iluminado, é certo. Ainda assim, poucos estadistas da sua época se atreveriam a dizer que “sendo o soberano faço o que me apetece, e o povo diz e reza a quem lhe apetece”. Assim, todos os livros eram livremente vendidos na Prússia, quaisquer que fossem as suas ideias. As discussões eram livres e a liberdade de culto também. Sendo um dos líderes mais importantes do protestantismo, embora pouco religioso – na realidade, mais deísta que religioso – Frederico não via com bons olhos o catolicismo, mas para mostrar a sua tolerância e acolher migrantes católicos, mandou construir uma enorme igreja católica no centro de Berlim, que ainda hoje lá está. Uma das políticas era precisamente a de acolher gente de fora para povoar os territórios pouco povoados da Prússia Oriental, ou de novos territórios adquiridos. Desta forma, e seguindo uma política iniciada pelo seu pai, Frederico Guilherme I, acolheu protestantes fugidos do Sacro Império, sobretudo de Salzburgo, mas também católicos, judeus, diversas seitas cristãs, e a todos deixou construir os seus templos. Chegou a afirmar que se fosse preciso, permitiria migrantes muçulmanos vindos da Turquia e construir-lhes-ia uma mesquita (uma ideia que antecedeu em duzentos anos a imigração turca para a Alemanha).
Frederico defendia também a mistura de raças. Achava que era fundamento de civilização e que produzia pessoas inteligentes. É certo que a necessidade é que originou tanta imigração, já que perto de um décimo da população do reino tinha perecido com a terrível guerra dos Sete Anos. No fim do seu reinado, um sexto dos súbditos nascera no estrangeiro.
Também promoveu sérias reformas em termos de direitos e de sanções penais. Era ele que ratificava as penas de morte, que nunca eram numerosas, e nunca condenou mulheres. Aliás perdoou a um criado que tentou envenenar a sua bebida, e castigou-o enviando para o exército. Numa ocasião, passando nas ruas de Berlim, reparou numa caricatura sua no alto de m poste. À sua chegada, os transeuntes pararam logo de rir, atemorizados, ao que frederico disse para colocarem o boneco mais abaixo pois assim poderiam vê-lo melhor. Logo no início do reinado aboliu as torturas civis, que considerava cruéis e inúteis. A excepção era o exército, onde havia castigos severos, como chicotadas.
O mais espantoso disto é que tendo sido Frederico a tornar a Prússia numa potência europeia e a lançar as sementes do nacionalismo alemão, que fariam cem anos mais tarde os estados alemães juntar-se ao reino dos Hohenzollern, formando o Reich, aquela tenha ficado com uma tal fama militarista e bárbara que tenha mesmo acabado por ser extinta após a II Guerra. Para mais, é frequentemente ligada a Hitler, tal como o espírito alemão. O mentor do nazismo comparou-se nas campanhas que o levaram a chanceler, a Bismarck e a Frederico II.
E no entanto, como se verificou, era precisamente o oposto do monarca prussiano. Frederico recebia gente de toda a Europa e defendia a mistura de raças. Hitler defendia a superioridade racial alemã e usou a solução final contra judeus e outros povos (o prussiano não morria de amores pelos judeus, mas nunca os perseguiu). Frederico autorizava todos os livros e toda a circulação de ideias, recebia os maiores pensadores da época e a sua corte de Potsdam era famosa como centro de discussão filosófica e de apoio às artes e letras, em especial a música (o próprio Frederico era exímio como flautista e escreveu obras valiosas, como O Anti-Maquiavel e a Histoire de la Guerre des Sept Ans, nunca editada mas considerada um dos melhores testemunhos narrativos daquela guerra). Hitler afastou ou obrigou à fuga de milhares de artistas, pensadores e intelectuais, organizou sessões de autos-de-fé de livros e reprimiu a chamada “arte degenerada” (e a liberdade de expressão nem se fala). Por fim, quando Frederico morreu, depois de 46 anos de reinado, a Prússia passara de uma reino bem administrado mas vassalo e subserviente a uma potência militar continental temida e duplicara território e população. Quando Hitler desapareceu ao fim de 12 anos, a Alemanha estava em ruínas, perdera milhões de habitantes, entre mortos, exilados e prisioneiros, tornara-se pasto dos seus inimigos, o seu nome estava manchado pela infâmia e ficara sem os seus territórios mais a leste (incluindo a Prússia originária e a capital, Konigsberg), territórios esses que, curiosamente e na sua maioria, fora Frederico a adquirir.
As únicas semelhanças serão talvez algum ímpeto guerreiro e de conquista, que levaram o rei da Prússia a vitórias brilhantes mas a algumas duras derrotas, como quando russos e austríacos ocuparam Berlim, duzentos anos anos anos de os primeiros o voltarem a fazer, com mais êxito. Também Dresden sofreu um primeiro bombardeamento arrasador, mas aí efectuado pelos próprios prussianos. De resto, Frederico contou muitas mais vitórias que derrotas e revelou-se um hábil diplomata quando teve de o demonstrar, reconciliando-se com os seus inimigos nos últimos anos, em especial a sua grande adversária Maria Teresa de Áustria.
É incrível como é que a Alemanha se viu enredada naquele pesadelo totalitário e apocalíptico quando um dos seus grandes obreiros tinha ideias absolutamente opostas. Como se o século XX tivesse regredido para níveis que no século XVIII achariam intoleráveis. O que mostra que o carácter e a cultura dos povos não é sempre igual nem se pauta sempre na mesma direcção. Há heranças que se quebram e que se esquecem. Há rumos que degeneram povos. Que o povo alemão tenha tido um Frederico e mais tarde um Hitler, que destruiu o legado do primeiro e que era em tudo o contrário (embora felizmente os chanceleres do pós-guerra também fossem completamente diferentes), aí está para o provar e para afirmar que certos ferretes que se colam estão longe de ser justos.



Interessante. Desconhecia todos esses detalhes.
Obrigado
E há muitos mais, Paulo. Alguns caricatos. Só coloquei aqui alguns mais relevantes, orque se fosse pôr todos…É um livro que temos constantemente de relembrar nomes e olhar para o mapa, sobretudo nas campanhas militares.
Há uns meses postei aqui sobre as duas Alemanhas. A facção prussiana é uma das caras da Alemanha, e talvez a menos visível actualmente, mas no que retive do livro que cito não é descrita como sendo a que associaria a Frederico II. Daí a surpresa.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a s-duas-alemanhas-11164543
Por acaso já comprei esse livro, na versão portuguesa, mas ainda não o li. Será sem dúvida um contributo importante. Muito se passou nos 150 anos entre a morte de Frederico e a ascensão do nazismo.
Frederico II não entendeu nada do que ocorreu em seu tempo e depois dele até hoje. Hitler foi o único que compreendeu que em regra os povos germânicos, incluindo a Áustria, gostam de autoridade pura e dura – daí o ter conseguido o que fez. A Alemanha e a Áustria tornaram-se “democráticas” não por se sentirem bem com isso mas para se sentirem confortáveis, pois tinham a URSS à perna.
O post mais abaixo do Sérgio de Almeida mostra aonde o ocidente se inspira para adoptar a democracia que a China tem vindo a exportar.
É isso, “não entendeu nada” e transformou a Prússia numa grande potência. Imagine se tivesse percebido. Engraçada a sua admiração por Hitler e o aparente receio da China: afinal de contas é um regime duro, másculo, disciplinado e em que “os homens usam as calças”. Daqueles que o Vento gosta tanto em oposição à “tirania” da UE.
Historicamente o que foi designado por Prússia era um conjunto de tribos. Depois de sessenta anos de lutas foram os cavaleiros teutónicos que controlaram a região que foi designada por esse nome. As cidades hanseáticas da Prússia, posteriormente, com a ajuda do polaco rei Casimiro IV, rebelaram-se e a Prússia dividiu-se entre teutónicos (Prússia Ducal) e a soberania do rei polaco (Prússia real).
Brandenburgo-prússia tornou-se reino sob a égide de Frederico I, e originou que mais tarde a Áustria fosse conquistada.
Foram anexados novos territórios com Otto von Bismark. E com a I guerra abriu-se mãos de territórios prussianos a leste; e depois é a continuidade da história.
Tudo isto para dizer que os povos germânicos são bem governados sob a autoridade pura e dura. De outra forma governam-se ao sabor das conveniências. Hitler simplesmente compreendeu isto, por ser simples de compreender.
Não, másculo é o Trump e Putin, influenciados por mim. Os outros, como não sabem governar (-se), bebem as inspirações e expirações dos chineses. Que é o que temos hoje.
Há aí uns erros como dizer que o Brandenburgo-Prússia se tornou um reino quando só a segunda é que se tornou (daí serem reis NA Prússia e margraves do Brandemburgo), ou que anexaram a Áustria quando esta já não era um império, mas a prova de que Frederico conhecia bem os seus povos é o seu retumbante sucesso. Quanto à China, fica bem servido: https://observador.pt/2021/09/02/govern o-chines-proibe-homens-com-aspeto-consid erado-afeminado-em-programas-de-televisa o/
Não existe qualquer erro no meu comentário. Sintetizei as questões substantivas e passei à frente de outras considerações, como por exemplo (mais tarde): os huguenotes que perseguidos em França foram acolhidos na Prússia.
Por outro lado, pretendi ainda referir que Prússia não era uma região ou regiões mas o nome dado pelos cavaleiros teutónicos às regiões conquistadas. Eram tribos.
Sim, o que ocorre agora na China ocorrerá em breve no mundo ocidental. Não porque os afeminados ou efeminados tenham responsabilidade nisto, mas devido ao facto da corrupção de questões antropológicas, da adulteração de valores sociais substantivos e ainda da corrupção catequética e persecutória às famílias na educação de seus filhos, incluindo as tretas sobre os géneros, que no mundo ocidental, do qual Portugal também é exemplo, políticos-fariseus têm procurado implementar em nome de um pseudo-humanismo. É esta tentativa de uma nova ordem e da implementação de uma religião de estado corrupta que ruirá brevemente. Não sem antes ocorrer perturbação social.
Quem destruiu o legado de Frederico não foi Hitler, foi o imperador Guilherme II da Alemanha. Foi ele que meteu a Alemanha numa guerra escusada, que lhe custaria boa parte do seu território e, a prazo, levaria a Hitler.
Hitler corroborou (e piorou) o disparate, que no entanto tinha sido começado por Guilhereme II.
tendo sido Frederico […] a lançar as sementes do nacionalismo alemão
Grande erro deste texto.
No tempo de Frederico o conceito de nação não existia, e o conceito de Alemanha ainda menos.
O nacionalismo alemão nasceu muito mais tarde, aquando das guerras napoleónicas e da grande “Batalha dos Povos”. Foi aí que pela primeira vez surgiu a ideia de que existia um povo alemão.
E foi uma ideia que demorou muito tempo a amadurecer. Mesmo o imperador Guilherme I via-se a si mesmo somente como rei da Prússia, e teve enorme dificuldade em aceitar o título de imperador da Alemanha.
A Prússia não era a Alemanha (e ainda hoje dificilmente o é – a Alemanha oriental é muito diferente da ocidental). A Prússia só começou a assemelhar-se à Alemanha (do norte) quando, na sequência das guerras napoleónicas, a Inglaterra cometeu o grande disparate de lhe atribuir áreas da Alemanha ocidental, nomeadamente da Vestefália (é daí que vêem os atuais nomes dos clubes Borussia Dortmund e Borussia Moenchengladbach), que enriqueceram brutalmente a Prússia.
Não há erro nenhum: a ideia de um império alemão, separado do Sacro Império, surgiu precisamente no tempo de Frederico. Aliás, começou quando ele quebrou a vassalagem com a Áustria , invadindo a Silésia, e começou a denominar.se Rei DA Prússia e não Rei NA Prússia. Aliás já no séc. XVIII tinha territórios no que é actualmente a Renânia do Norte-Vestefália., ou seja, bem a ocidente, já perto da Holanda. É verdade que surgiram várias concepções de Alemanha, até por razões religiosas – houve quem defendesse a união da Baviera com a Áustria – mas o conceito de um império germânico à volta da Prússia data mesmo do tempo de Frederico, bem como as primeiras ideias nacionalistas (veja-se a Revolução Francesa). E para lhe responder à outra questão, antes de Guilherme II houve Bismarck e as numerosas guerras em que se envolveu alimentado pela indústria pesada.
já no séc. XVIII tinha territórios no que é actualmente a Renânia do Norte-Vestefália
Não bem. Tinha pequenos territórios naquilo que é atualmente a Baixa Saxónia (Niedersachsen). Nada de muito importante, não é terra muito rica.
Os territórios prussianos importantes e vastos na Alemanha Ocidental foram adquiridos após as guerras napoleónicas (em 1815), quando foi atribuída à Prússia a totalidade da atual Renânia do Norte e Vestefália. Isso é que foi funesto: deu-se à Prússia os futuros carvão e aço do Ruhr, que a tornariam riquíssima e militarmente muito mais capaz.
Os mapas estão na wikipedia. andenburg-Prussia
https://en.wikipedia.org/wiki/Prussia#Br
Eu vi os mapas e é neles que me baseio. Os territórios pertenciam ao Bramdemburgo, fossem pequenos ou não, e a ideia de uma unificação de povos germânicos vem mesmo daí. Sobre o tag Alemanha, não vejo como não poderia não estar: o post é sobre contrastes alemães, e a Prússia era território germânico, mesmo que hoje a sua localização geográfica fique em terras polacas, bálticas e sobretudo russas.
« Considerado por alguns o “nível Superior” dos estudos Maçônicos os Altos Corpos Filosóficos vão do 4 ao 33 e dividem-se em quatro corpos: Escola de Perfeição, Capítulo Rosa Cruz, Conselho Kadosh e Consistório »
o Ir:. Frederico esteve ligado ao engrandecimento do REAA que frequentei ao 18º Grau na Potência GOL
Tinha apenas uma vaga ideia dessas ligações maçónicas a Frederico, mas não me espanta.
Obrigado pelo texto que achei interessante e esclarecedor.
Quanto à parte final, como foi possível um Frederico II e um Hitler, posso dar uma achega.
Friedrich Carl von Moser 1723-1798, depois elevado a barão do império, foi escritor e ensaísta sendo muito curioso um seu ensaio sobre as características dominantes dos povos europeus – por exemplo, dos holandeses o sentido comercial – e que caracterizou os alemães pela extrema obediência. Essa obediência seria depois invocada por um jornalista e ensaísta norte-americano que viveu vários anos na Alemanha e que defendeu ter ela tornado possível fenómeno nazi.
É uma grande verdade. Já tinha reparado como a obediência e disciplina dos alemães era na maior parte das vezes uma característica positiva mas que podia tornar-se fatal se levada ao extremo, como no caso de um regime totalitário ou violento, como se verificou. Aliás a desculpa de Eichmann pela sua responsabilidade no Holocausto era essa mesmo: era um funcionário do estado que se limitava a cumprir ordens e não as discutia.
No próximo Domingo 19, na RTP2 pode ver a série “Voltaire” que deve abordar o tema Frederico II-Voltaire.
Vamos ver se ficamos esclarecidos quanto ao ser verdade Frederico II interessar-se mais da guerra que das mulheres, incluíndo a sua que só a via dois em dois anos.
É duvidoso porque a série chama-se “O jovem Voltaire”, e ele quando chegou À corte de Potsdam já tinha mais de cinquenta. Mas não será preciso. Eu diria que a preferência de Frederico pela guerra em detrimento das mulheres é uma coisa cristalina.
Mas na biografia Voltaire não se sai assim tão bem. Parece que era tão brilhante quanto ganancioso pelo vil metal.
Este post tem o tag “Alemanha”, mas seria bom reparar que boa parte da Prússia era constituída por terras que hoje em dia estão noutros países, especialmente a Polónia (e talvez também a Lituânia e a Bielorrússia).
Excelente texto, João Pedro. Demonstração viva da diferença que os blogues fazem face a outras plataformas a que costumamos chamar “redes sociais”.
Uma mera tentativa, Pedro. Mas na verdade não estou a ver um texto assim no Instagram, por exemplo. As redes sociais tornaram as leituras mais longas descartáveis (nem o modelo foi criado para isso).
O autor faz o mesmo que todos fazem com a História, mostra as partes que lhe convém e deixa as outras. ffers
Basicamente passou quase todo o seu reinado em guerras muitas delas sem razão.
Para as pagar claro extorsionou os “contribuintes”.
https://en.wikipedia.org/wiki/Coffee_sni
Até admira que não venha dizer que era marxista, como é seu hábito, mas pouco deve faltar.
Não falei disso porque é irrelevante para o caso, e quanto às guerras, veja a parte onde escrevo que duplicou seu o território.
Caro homónimo. Sendo a “Alemanha” a dona disto tudo não admira, como estes sucessivos comentários demonstram, o interesse que impera sobre esse ex-País da UE que tão boas bazucas nos vai enviando.
Se fosse ainda o Federico a mandar por lá, naquelas desciplinadas bandas, o que seria, como seria hoje, este torrãozinho de terra à beira mar plantado?. Bom Natal.
Parece-me que Frederico não nutria grande simpatia pela coroa e pelos governantes de Portugal do seu tempo (seria interessante saber se escreveu alguma coisa a respeito do Marquês de Pombal, ele que não apreciando o catolicismo acolheu jesuítas), mas não veria com maus olhos se alguns portugueses resolvessem instalar-se nos seus territórios.
Obrigada pela referência. Mas, para dizer a verdade, não conheço a História alemã (ou a História do território hoje chamado Alemanha) ao pormenor. Da época medieval, ainda sei umas coisas. Também estive em Sans-Souci há bastantes anos, mas não sabia muito sobre Frederico II.
Sobre a Prússia Oriental, já podia falar, nomeadamente, da altura da II Guerra Mundial, pois o meu falecido sogro era dessa região, que, depois da guerra, foi dividida entre a Polónia e a Rússia. O meu sogro combateu na II Guerra (tinha acabado de fazer 18 anos, quando foi alistado), assim como o pai dele.
Qualquer dia, conto aqui umas histórias…
Fico à espera dessas histórias e com o maior interesse, Cristina. Devem ser preciosas Sobre a adenda, já se sabe que o nacionalismo construído pelo nazismo assentava em mitos épicos (e algo românticos), ressabiamento e puras invenções, com fundamentos até em lendas pagãs. Como é óbvio, não havia ali ponta de rigor. Mais uma coisa que certamente levou Frederico a dar voltas na tumba (tumba essa que durante a II guerra deu ela própria voltas, sendo mudada para locais mais “seguros”, o que permitiu ao rei da Prússia ser finalmente enterrado em Sans Soucis).
Adenda ao comentário anterior:
«O mentor do nazismo comparou-se nas campanhas que o levaram a chanceler, a Bismarck e a Frederico II» – Hitler utilizou e manipulou muitos aspectos da História alemã que nada tinham a ver com o nazismo. Até usou os povos germânicos para justificar a criação de uma Germânia, quando esses povos, que provocaram a queda do Império Romano, quase nada tinham em comum uns com os outros (nem, muitas vezes, no aspecto físico), nem faziam ideia do que era ser alemão. Muitos deles eram originários da Escandinávia e ainda hoje não se sabe bem qual o significado de “povos germânicos”.