“Peço desculpas, não por que me sinta responsável pelo situação do país, mas por que representam um conjunto de medidas duras para os portugueses e o país.”
Pedro Passos Coelho, hoje
“Peço desculpas, não por que me sinta responsável pelo situação do país, mas por que representam um conjunto de medidas duras para os portugueses e o país.”
Pedro Passos Coelho, hoje
Guarde-as para si, Pedro P Coelho.
Havia alternativa…ficamos na mesma. É muito light.
Há quem considere que fica mal a um político pedir desculpa. Sócrates, por exemplo, nunca cai nessa tentação.
Disparate do ano, é o que é.
Das duas uma: ou Passos Coelho já se arrependeu do negócio que fez com o governo e, nesse caso, passa um atestado de incompetência a si próprio, ou então trata os eleitores, a quem prometeu que nunca permitiria um aumento de impostos, por parvos.
O Pedro Correia e o Paulo Gorjão, que tanto defenderam Passos Coelho e criticaram Ferreira Leite, que expliquem a total ausência de oposição da parte de quem prometia fazer cair o governo pela não aprovação de aumentos de impostos, bem como o incumprimento da principal promessa eleitoral de PPC. Se era para ser um sósia de Sócrates, por que razão e com que motivos é que o defenderam tão acerrimamente?
Não restam dúvidas: o sectarismo cega-o. Como pode comparar as responsabilidades de um primeiro-ministro que está há cinco anos no poder com as de um político que está há cinco semanas à frente de um partido da oposição? Peço-lhe que faça um esforço mínimo de honestidade intelectual. Já esqueceu que o PSD liderado por Manuela Ferreira Leite viabilizou o Orçamento de Estado socialista e o PEC de Sócrates?
Todos os dias, durante meses, defendeu Passos Coelho e fez campanha por ele. E acusa-me de sectarismo? Ridículo.
1) A questão é: PPC jurou a pés juntos que não aceitaria um aumento de impostos e que chumbaria uma proposta nesse sentido apresentada à AR; agora, não só aprova um aumento brutal de impostos, como ele próprio o trata de negociar com Sócrates e responsabilizar-se pelo mesmo (ao ponto de pedir desculpas por isso)? Das duas uma: ou o Pedro Correia aceita que houve uma flagrante violação de uma promessa eleitoral (a principal) por parte de PPC e, nesse caso, espera-se que faça um “mea culpa” ou que critique a actual liderança do PSD ou então tem de arranjar bons argumentos para defender uma posição muito mais servil que aquela que criticou a Ferreira Leite (abstenção).
2) A comparação com a abstenção de Ferreira Leite não colhe minimamente: primeiro, no caso do novo PEC houve um acordo negociado entre Passos Coelho e Sócrates e pelo qual o líder do PSD assume a responsabilidade pelas políticas de controlo do défice do governo (já o assumiu, aliás, publicamente na televisão); no caso do antigo PEC houve apenas uma abstenção, sem qualquer assunção de responsabilidades que são do governo por parte de Ferreira Leite (bem pelo contrário, com críticas ao plano, viabilizado apenas por pressão da união europeia). Segundo, o primeiro PEC previa um aumento mínimo do IRS, o segundo prevê um aumento brutal de vários impostos, entre os quais, o IVA, o IRC e o IRS. Terceiro, Passos Coelho não obtém sequer quaisquer contrapartidas pela violação da sua promessa eleitoral, porquanto a redução da despesa é tão vaga e descomprometida, que redundará num zero absoluto.
3) O facto de Passos Coelho só estar há cinco semanas no cargo torna tudo mais grave (e espanta-me que o Pedro Correia utilize um argumento tão frágil). É que a promessa data de há umas semanas atrás e foi proferida como compromisso essencial de uma “nova forma de fazer política” e de um programa político supostamente “liberal”. Com a violação da promessa morre, não só a “nova forma de fazer política” (visto que esta que vêmos é muita velha e conhecida…), como também “o novo programa político” (porque não há coisa mais velha que aumentar os impostos e lançar promessas vagas sobre a despesa pública).
Isto não vai lá com acusações de sectarismo; o Pedro Correia ou tem argumentos ou não tem.
Você perdeu as eleições internas no PSD e não consegue esconder o ódio visceral em relação aos 61% dos militantes que votaram Passos Coelho. Problema seu. A democracia tem destas coisas…
Começa este longo arrazoado com uma aldrabice, o que o define intelectualmente: ao contrário do que você escreve, eu não passei “todos os dias, durante meses”, a defender Passos Coelho. Isso é mentira, como bem sabe.
A sua contradição é flagrante: quando o PSD liderado por MFL viabilizou o Orçamento de 2010 socialista e o PEC de Sócrates, a senhora merecia aplauso; passadas cinco semanas, já brada por eleições internas para eleger um novo líder do PSD, o que diz tudo sobre a sua capacidade de leitura política. Como eu dizia antes, o sectarismo cega-o.
Haverá remédio para isso lá na Farmácia onde agora avia receitas? Espero bem que sim.
Como antecipava, a sua capacidade de argumentação roça o zero absoluto. Deve ser um problema geral lá no jornal onde avia artigos.
Se não consegue distinguir um PEC negociado e acordado entre os principais partidos, pelo qual ambos se responsabilizam e ficam vinculados, de uma abstenção parlamentar, é a sua capacidade analítica que brada aos céus.
Se não consegue distinguir um PEC que aumenta o IRS para uma classe de privilegiados (taxados a 45%) de um PEC que aumenta o IVA em todos os escalões, O IRC para as empresas de maior dimensão e o IRS também para a generalidade dos escalões, parece-me que precisa claramente do programa das novas oportunidades (não há lá na Farmácia senão eu próprio aviava a receita).
Se não reconhece que andou meses a “malhar” na MFL posso ir ao arquivo buscar dezenas de posts), a exemplo do que sucedeu com o seu candidato predilecto, Passos Coelho (posso ir ao arquivo…), por uma mera abstenção e que agora cauciona um acordo expresso e público, pelo qual o líder de oposição se responsabiliza pela política orçamental do governo pelos próximos anos e não percebe a contradição, então nem as novas oportunidades o ajudam.
Passe bem.
Escreveu setenta e seis linhas de texto e não teve espaço nem tempo sequer para um sussurro de crítica ao primeiro-ministro. Isto diz tudo sobre a sua posição política. Visitou esta casa onde sempre foi bem recebido para bolçar uma aldrabice, naturalmente incapaz de provar. Isso diz tudo sobre a sua honestidade intelectual.
Fique bem lá na sua Farmácia. E não se engane a aviar as receitas.
Fico satisfeito que saiba contar. A escrita é que tem de melhorar: “bolsar” é com “s” e não com “c”, como escreveu. Quanto ao PM, não é esse o assunto que está a ser discutido, nem tenho tempo para lhe dar os links de centenas de posts e comentários que escrevi sobre a criatura.
Finalmente, percebo efectivamente que o Pedro Correia quer falar sobre tudo, menos sobre o assunto em discussão, o que significa que não sabe “descalçar a bota” de um apoio a um candidato que agora desdiz tudo o que prometeu ao longo dos últimos dois anos, traíndo os seus apoiantes e aparecendo como aguadeiro do pior primeiro-ministro de sempre. Ele há azares.
Ó José Barros, é mesmo “bolçar”. Estamos sempre a aprender, não é? Até em política, quanto mais em português.
Já agora, para que não lhe restem dúvidas, aqui vai a lição completa.
“Bolçar” significa: lançar fora pela boca; vomitar; golfar. “Bolsar”, como V. escreveu, significa: fazer bolsos ou foles em; enfunar. Exemplos correctos: o bebé bolça; a costureira bolsa.
Não sei se Manuela Ferreira Leite lhe daria esta explicaçãozinha tão detalhada. José Sócrates não, seguramente.
Tem razão o João Carvalho e peço desculpa ao Pedro Correia por o ter corrigido quando ele tinha razão nesse ponto. Infelizmente, apenas nesse ponto.
Mas não percebo as referências a Ferreira Leite ou com Sócrates no seu comentário.
O que vejo é que o Pedro Correia, à falta de melhores argumentos, defende a violação de um promessa eleitoral erigida a profissão de fé com o facto de líder do PSD ter sido eleito com 61% dos votos. Tamanha indigência analítica pode ser devolvida, dizendo que Sócrates também foi eleito com maioria, pelo que, segundo o Pedro Correia, teríamos todos de gostar muito das políticas do primeiro-ministro.
A diferença é esta: eu seria o primeiro a criticar Rangel – a quem apoiei – se o visse no papel de aguadeiro do pior governo de sempre do país. A mesma atitude não se vê neste blogue dos apoiantes do Passos Coelho, ao contrário de outros apoiantes de PPC, intelectualmente mais honestos, como o Carlos Abreu Amorim ou Adelino Maltez. E, ao menos, a esses não os vi acenar com os 61% com que os restantes PSD (que não votaram em PPC, mas, presume-se, ainda têm direito a votar no partido) se teriam aparentemente de conformar…
«Mas não percebo as referências a Ferreira Leite ou com Sócrates no seu comentário.» Ah, essa sua escrita também tem de melhorar. Não é «com Sócrates», mas sim “e Sócrates”.
Quanto ao resto, não vou alongar-me. Apenas não lhe dou o direito de escrever «neste blogue dos apoiantes do Passos Coelho». O DO é suficientemente ecléctico para não aceitar a sua definição abusiva.
Quando muito, correndo o risco de simplificar excessivamente, há duas posições (entre outras muito variadas) que vêm ao caso: os que apoiam Passos Coelho e os que não lhe encontram os piores vícios que têm minado a nossa vida pública, o menor dos quais talvez seja a sobranceria bacoca e respectiva abolição dos pedidos de desculpa.
O erro que me aponta não é um erro, mas uma gralha (o facto de ter escrito correctamente “referências a Ferreira Leite” seria indicativo disso mesmo).
Quanto à questão de Passos Coelho, referi-me aos apoiantes do homem no seu blogue e não ao blogue como apoiante do líder do PSD. Ou seja, estou apenas a falar do Pedro Correia e do Paulo Gorjão e não dos restantes autores cujas afinidades políticas desconheço, até porque, embora lendo o blogue de vez em quando, não o conheço tão bem assim.
Em todo o caso, vê-se que o interesse em discutir política dos seus autores é zero, visto que ainda ninguém apresentou um argumento para justificar o saque fiscal de ontem que não fosse o de que Passos Coelho foi eleito por 61% dos votos. Para isso, não vale a pena perder tempo.
Cumprimentos,
Ainda bem, mas vê-se que embirra com o “com”. Mesmo ao escrever «neste blogue dos apoiantes» queria dizer “neste blogue com apoiantes”. Certo?
Sobre o assunto de fundo, como já disse antes, não me alongarei. Até porque não o conheço tão bem assim.
Apenas sei que as medidas anunciadas são tremendas e acho que uma ou outra podiam ser alteradas ou substituídas (é sempre assim), mas ainda não vi, a si ou a alguém, apresentar outro ‘package’ razoável. Indiscutível é que algum ‘package’ tinha de ser lançado, porque nem é evidente que seja o bastante. E isso só se consegue com uma maioria política, como deve saber.
José Barros fez como Passos Coelho: pediu desculpa. Pela minha parte está desculpado.
Há quem ache que pedindo desculpa fica tudo bem. A mulher dele que lhe explique que às vezes não é bem assim.
E há quem opte por nunca pedir desculpa – é o caso de Sócrates. Como ontem se viu. E hoje se continuará a ver. E amanhã.
Bem me parecia que tinha sido enganado por Pedro Passos Coelho. Tive uma réstia de esperança, que ele tivesse alguma alternativa. ( lá vão os restos dos meus cabelitos por ter pensado) Seria melhor se tivesse visto (ou ouvido) que tem passo (s) curto. Seria melhor se tivesse ouvido (ou visto) que alternativas só nas touradas. Analisei mal. Sou eu o grande culpado do estado da Nação!!!!!!
Não se penalize tanto, Zé Parafuso. Faça como Sócrates: esse ao menos nunca pede desculpa a ninguém.
Assobia para o lado! E o que me está a entristecer é que Passos Coelho está prestes a fazer o mesmo. Espero estar enganado!!!
É o chamado peso na consciência para quem se diz alternativa e não tem remédio em aceitar estas medidas tão gravosas para os mais necessitados, quando sabe que anda por aí montes de gente a esconder a cara dada as reformas que acumula e os salários com bónus que lhes enche os bolsos. Vindo de muitos deles o aval destas medidas.
Portanto é mais um líder de continuidade, quando o essencial era a esperança.
Resta-nos o Presidente da República, com os seus discursos líricos sobre o mar.
Pedro, presumo que haja sempre alguma dose de hipocrisia nas declarações dos políticos. Mas não desgosto do gesto, sobretudo na comparação com a desfaçatez de quem vem justificar-nos as tais medidas com o argumento da grande «cruzada de salvação» do Euro, continuando, portanto, a insistir na ideia de que não é nada com ele, nem com a sua gestão.
Nem eu, Luísa. Precisamente pelos motivos que aponta. Mas não deixa de ser uma das frases do ano, talvez até por isso.
Devia pedir desculpa, não pelo conjunto de medidas duras que negociou para os Portugueses, mas porque não cumpriu a promessa da diminuição dos salários dos titulares de cargos públicos e gestores privados até 10,15%.
É tudo muito bonito quando estamos na oposição, longe da mesa do poder, mas logo que lá chegámos e nos sentámos à mesa da decisão, somos acometidos por uma amnésia fulminante.
Saber que irá haver uma redução de 1,5% (qualquer coisa como entre 200 e 400 euros) em salários mensais de 5.000,00 é, de facto, reconfortante e animador.
Tem toda a razão, Teresinha.Também eu me sinto mais reconfortado e animado.
As desculpas não se pedem: evitam-se.
Alguns nunca as pedem. Embora também nunca as evitem.
Ora, aí está o PPC tão incensado aqui no DO.
Nem mais nem menos e parabéns ao Ângelo!
As ‘pizzas’ são boas? Um dia hei-de experimentar.
Nunca digas “desta água não beberei”…
Como estamos a ver.
Claro. Nunca se deve dizer “desta água não beberei”. Nem “desta pizza nunca comerei”.
Mas será um dos responsáveis pelos efeitos secundários desta medicação que agora receitam ao país.
Espero que não. A bem do País.
Pedro Correia, usar o argumento dos 61% das directas é como os governantes alegarem sempre que foram eleitos… para isto.
A verdade é que o “desculpem-me” de PPC pode parecer similar, mas é cópia grosseira, anacrónica e inverosímil de Egas Moniz.
Mas não só a política e toda esta corja, como a História de Portugal ensinada a esta bimbalhada – who cares?
Se foi uma cópia – ainda que anacrónica – do gesto de Egas Moniz, um dos mais nobres registados na História portuguesa, não seria nada mau. Mas esperemos pelos próximos dias a ver se tudo se percebe melhor. Até agora, percebi muito pouco. Ou mesmo nada.
Acho patético.
Pede desculpa quem erra. Se as medidas são um erro, não se percebe que as tenha co-decidido com o PM, ou no mínimo patrocinado.
A classe política está a chegar a um nivel tão rasteiro, que um dia o povo percebe que quando olha para eles, está a olhar para baixo. E depois… não se queixem.
Pede desculpa quem erra: o princípio é esse. Mas Sócrates nunca pediu desculpa. Nem pedirá, ao que tudo indica.
Porque será que as desculpas dos políticos nunca me satisfazem?
Depois tem aquela coisa, que aprendi de pequenina, que é pedimos desculpa quando fazemos algo mal e ponto final.
Se o rapaz sente que o que está a fazer é por bem, não peça desculpas, todos vão entender…
Estas choraminguices são uma palermice, o que ele aceitou fazer é mau e afecta na maior parte os portugueses que vivem pior, se a intenção é boa, ou se não era isso que dizia no passado, paciência.
Deve-se assumir o que se faz, daqui a pouco, temos os políticos todos a dizer … epá vocês desculpem fizemos merda, epá mas desculpem, que querem…
O que sei é que acabaram de nos pôr uma corda no pescoço a todos, com ou sem desculpas…
“Porque será que as desculpas dos políticos nunca me satisfazem?” Boa interrogação, CR. No caso de Sócrates, no entanto, esse problema nem se pôe: ninguém o ouviu jamais pedir desculpa por defraudar sucessivas promessas aos portugueses.