Maria Helena Matos esta manhã no rádio Observador dizia que esta na hora de se falar da saúde mental da veneranda figura. Por mim já o penso desde a tomada de posse
Houve quem votasse na doutora Gomes. E no doutor Ventura. Belíssimos “chefes do Estado” dariam, qualquer deles.
A construção dos estádios do Catar foi feita da mesma forma que as obras públicas e privadas eram feitas em Portugal há 50 anos. E ninguém dizia por isso que Portugal desrespeitasse os direitos humanos. Em Portugal, há 50 anos, morriam imensos trabalhadores da construção civil devido ao descuido institucionalizado – tanto da parte dos patrões como também da parte dos trabalhadores. É incrível como agora andam a queixar-se do Catar esquecendo-se que cá em Portugal até há pouco tempo fazia-se da mesma forma.
Direitos humanos? Que é que é isso? Com tanta coisa muito mais importante para falar foram logo buscar isso na véspera da viagem do homem ao Catar. Francamente, não há direito.
Se ele tivesse este presidente até dizia outras coisas bem piores.
Groucho era marxista. Os marxistas não têm presidentes. Têm secretários-gerais.
Mas não têm padeiros nem carpinteiros e a gente tem.
Agora temos um partido marxista (não da tendência Groucho) com um padeiro-carpinteiro. Especializado em meter pregos dentro do pão. (Já marchava um prego agora…)
Para um preguinho o melhor é o Cortador aqui na Terrugem. No pão ou no prato é só escolher. Batatinha frita sem ser da congelada e não, não tenho comissão.
Na Terrugem? Boa região, gosto muito. Neste Verão passei boas temporadas na Praia Grande – com incursões à Praia das Maçãs e às Azenhas, além de Sintra. Sou cada vez mais fascinado por esta faixa litoral e respectiva área adjacente. De tal maneira que desta vez nem fui ao Algarve.
Na estrada da Terrugem no sentido da Ericeira, do lado direito, mesmo em frente do desvio para o Magoito. Sempre muita gente à porta, mas compensa a espera.
Muito bem. Fica já na minha agenda.
O Catar não tem pessoal da construção civil. Importa mão-de-obra e provavelmente técnicos estrangeiros.
O Catar deixa os emigrantes trabalhar sem que primeiro faça programas de qualificação e certificação profissional; aloja-os em apartamentos e bairros sem lhes dar aulas de civismo e higiene doméstica e ambiental; transporta-os em carrinhas mas não cria transportes públicos e centros culturais e de recreio para as poucas horas livres; …e muito mais havia a dizer acerca do difícil destino deste originários das Índias, e das Áfricas.
Muito mais havia a dizer; mas basta que se diga que o Catar não tem problemas orçamentais e isso, nem por ter pouco tempo para as obras, e vir a devolver esse pessoal às origens, não lhe dá qualquer desculpa! O ‘Grande Irmão do Corretês’ está a todo o tempo vigilante dos ricos.
Próximos capítulos: 1) Marcelo diz que os portugueses não perceberam o que ele queria dizer; 2) Costa diz que os portugueses deviam pedir desculpa ao presidente por não perceberem o que ele disse; 3) Marcelo lá pede umas desculpas atabalhoadas à entrada do avião para o Catar. Marcelo anda a cavar tão fundo que ainda encontra petróleo.
Tal como sucedeu com o número de casos de pedofilia detectado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja (minúsculo considerada a realidade objecto de investigação – e o tamanho do nome da comissão – e a comparação com outros países), trata-se de uma afirmação absolutamente lógica e objectiva, dois conceitos repelentes na era da sinalização competitiva de virtude. É que são factos assentes, desde há uns dez anos: que o Qatar ganhou o direito a organizar o Campeonato do Mundo com base em subornos e falsas declarações (que conseguia fazer-se no Verão!); que se trata de uma ditadura, sem liberdades cívicas comparáveis com as ocidentais, onde a maioria dos habitantes são trabalhadores estrangeiros sem quaisquer direitos (mas mais que nos Emirados Árabes Unidos, onde tantos tugas vão a galas e em férias); e que, nas obras desenfreadas e espantosamente inúteis, morreriam (como morreram) incontáveis trabalhadores. Apesar disso, todo o mundo jogou para se apurar para o Qatar, e todos os apurados vão (ou já lá estão) no Qatar – pelo que se tudo assim tão mau, bastava prescindir da coisa e dar o lugar a outros. Francamente, nesta altura do campeonato, e como bem disse o lamentável Marcelo, e porque já não há pachorra para esta comiseração inócua e cínica. O que há a fazer é sentar ver a bola – que é, aliás, o que vão fazer, já para a semana, todos os ofendidos desta semana.
“O que há a fazer é sentar ver a bola – que é, aliás, o que vão fazer, já para a semana, todos os ofendidos desta semana.” Não, não é isso o que há a fazer, nem é que todos farão. Eu não tenciono ver um só jogo, um só resumo, uma só das infindáveis noites de presunçosamente solene e estéril comentário – decerto várias vezes o tempo de jogo – que se lhes seguirão: manifestações exuberantes do poder nefasto do futebol profissional, essa actividade sinistra e repugnante, de que qualquer homem de bem tudo deverá fazer para afastar um seu filho ou filha, que intoxica e embrutece, com vivo incentivo e agradecimento do poder – dos poderes, pois que aqui não há virgens – de turno, todo um povo. Um povo que quanto mais estúpido, melhor. Mas está tudo muito bem, pois o povo verdadeiramente gosta e quer que as coisas sejam assim. Para o povo e quanto a “direitos fundamentais” é de crer que a coisa se resuma a onde sacar o próximo subsídio, apoio, ajuda, isenção ou coisa similar: tão insaciável o poder, através do fisco, como o povo na busca do que lhe permita permanecer numa mediocridade que nem aurea é. Mas que – gostando como gosta de escarrar para o chão e mastigar animalescamente a sandes de courato, enquanto arrota a “mini” e insulta tudo e todos – lhe basta perfeitamente. Mas não escaparei. Fatalmente, não escaparei ao verdadeiro bombardeamento massivo, implacável, repetitivo, a que todos seremos sujeitos nas próximas semanas. Com alguma sorte, Portugal é corrido daquilo rapidamente, em fase ainda inicial. Só nos faria bem. No Qatar ou onde quer que seja.
Tenciono, tenciono. Uma e outra coisas. E outras. E não quis dar lições de moral a quem quer que seja. Quem sou eu para tanto? Se me permite (ou ainda que não permita), quis apenas desmenti-lo, caro JPT: você errou. Há um tipo, um, se calhar, apenas, que não vai “já para a semana”, como escreveu, mandar às urtigas aquilo em que acredita – e que por isso fundamentou a sua (minha) afirmação – e ver sôfrega e bovinamente os jogos deste campeonato mundial. E é tudo. É uma questão, um hábito, enfim, de fundamentação.
Meu caro, não errei. No seu comentário escreveu que não vê futebol. Nenhum futebol. Que detesta o fenómeno. Pelo que, fosse ele no Qatar ou na Suécia, não veria o Mundial. Como os ateus vivem obcecados com a religião e os amigos dos animais com os caçadores e aficionados, apesar do seu desprezo pelo futebol, tenha de exprimir a sua reprovação pelo Qatar, mas o Costa não é, de todo, o destinatário do meu comentário.
Se não sou – era – o destinatário do seu comentário, é misteriosa a razão porque ele surgiu no seguimento, na directa sequência, de um meu. Mas o meu caro lá saberá. Em todo o caso, engana-se, de novo, JPT. Não quanto a isso de eu abominar a caça ou essa actividade de que se é “aficionado”, pois aí acertou em cheio e confesso com muito orgulho a minha “culpa”, mas quanto ao futebol. Nada – nada! – tenho contra essa prática desportiva. Leia, releia – faça-me esse favor-, o que escrevi acima e verá que eu desprezo (suas palavras) o futebol profissional. O futebol profissional. Essa actividade em que a modalidade desportiva “futebol” (no concreto caso tão cheia de si que se acha O Desporto e relega todas as outras à condição genérica e difusa de “modalidades”, dignas de umas poucas linhas numa obscura página par, num desses diários ditos “desportivos”, ou coisa equivalente no tempo televisivo ou radiofónico; como se não fosse também e apenas uma delas), é mero pretexto, verdadeira festa de ferro, para coisas sinistras. Cada vez mais sinistras. Como você bem sabe. Como eu sei: porque eu até posso ser “ateu”, pelo seu, JPT, elevado critério (um pouco mais de respeito, de noção de proporções, ter-lhe-ia ficado bem, a menos que – suspeito que será o caso-, seja você um fariseu, um guardião do templo de uma religião da bola, infrene de proselitismo e, podendo, dada a práticas de Santo Ofício; e essa sim, existe), mas, ateu ou não, não consigo, não se consegue, evitar o bombardeamento de “informação” diária e maciça, sobre essa actividade: o futebol profissional. E é assim que acabo, não o desejando (de todo, creia), por saber – por ter que saber – alguma coisa de futebol e da sua deletéria influência em tudo e mais alguma coisa. É que tal me é imposto. Por mim, sugiro que fiquemos por aqui: concordando que discordamos e abdicando de abusar mais da hospitalidade que aqui nos é concedida. Espero, se isso lhe é agradável, que dê por bem aplicado o tempo que dedicará aos jogos do “Mundial” (nem se tem que dizer de quê…) e aos infindos debates, antevisões e análises (creio ser a terminologia consagrada) a que darão pretexto. Eu, seguindo o seu sábio conselho – aliás, com ou sem esse conselho -, vou ler umas páginas, contemplar uns ocasos e fazer outras coisas. E, por entre a maciça barragem de noticiário futebolístico, forçosamente fanatizado, panegírico e hagiográfico, tentar aperceber-me do que nas próximas semanas se passará no mundo. Que diabo, algo há-de acontecer e, decerto, com bem mais decisiva influência nas nossas vidinhas. Ah, e se fosse na Suécia, como invoca, seria, apesar de tudo o que escrevo acima, bem mais aceitável.
Se a ainda superpotencia tem um senhor Joe Biden perfeitamente senil que não consegue ler uma frase seguida no teleponto sem se enganar e que é uma máquina ambulante de gaffes para todos os gostos, tambem nós temos direito a ter um papagaio gaffeiro . Pelo menos o nosso não chama son of a bitch aos jornalistas como fez o outro. Não sabiam ? Procurem no youtube que está lá o video.
Já o Putin está perfeitamente são. Lúcido, arguto. Não denota qualquer sintoma de perturbação mental. Nada senil. Talvez seja um modelo a seguir, para alguns. Para mim, não.
O povo, na sua infinita sageza, diz ( https://quemdisse.com.br/frase/com-o-mal-dos-outros-posso-eu-bem/93444/ ) Pena que alguns comentadores não adiram à sabedoria popular
O sr. Sousa mais não fez do que sabiamente interpretar – melhor, materializar – o sentimento do povo da república (deliberado o “r” minúsculo) a que preside. Questionar a presença de Portugal naquela reunião de associações de malfeitores seria impensável para o cidadão-médio que o sr. Sousa até ver, e com granítica legitimidade eleitoral, representa e para quem isso de “direitos fundamentais” se reduzirá fundamentalmente a uma questão subsídios ou isenções; uma questão de venalidade, afinal (para o fisco que temos o povo que temos). Tenhamos a coragem de reconhecer que não é o sr. Sousa quem está mal. É todo um povo.
O sr. Sousa? Logorreia irreversível. Só mesmo cuidados paliativos. E muita paciência. O que – cá está – diz muito sobre o povo a que preside (mas isto sou eu a escrever; que sou um pessimista muito amargo).
Não será só marca dele, presumo. Imaginando os candidatos que o actual PR derrotou nas duas corridas a Belém – Nóvoa em 2016, Gomes em 2021 – nas mesmas funções, incluiria qualquer deles no mesmo lote.
De acordo, qualquer deles seguramente afectado por esse sério problema. O que, cá está, não é exactamente abonatório no que ao eleitor respeita. Mas por outro lado, e é bem certo, perante as escolhas, bem pode a vigente ter sido o mal menor. E assim sendo onde chegámos… “Lasciate ogni speranza”, permita-me, peço-lhe, a presunção.
A frase de Dante quase nunca vem a despropósito.
Em primeiro lugar, Qatar é com q.
Em segundo lugar, o que é que o presidente de um país de saloios arrogantes que permite que empresários que ninguém sabe quem são possam ir buscar escravos ao Nepal para apanhar fruta em Odemira —escravos esses que alguns guardas republicanos pagos pelo Estado não pudor nenhum em insultar e espancar — tem realmente a dizer sobre as condições de trabalho no Qatar?
Surreal … digo com
pena.
Li, reli, belisquei-me. Mas foi mesmo assim.
Qualquer dia já não me surpreendo com coisa nenhuma.
Afinal não sou eu quem está sob o efeito de medicamentos e com as capacidades de discernimento alteradas…
Maria Helena Matos esta manhã no rádio Observador dizia que esta na hora de se falar da saúde mental da veneranda figura.
Por mim já o penso desde a tomada de posse
tomada de pose
Maria Helena Matos pode dizer o que alguns (talvez não tão poucos assim) pensam.
Não queria ser eu a dizê-lo , mas fica confirmada.a evidência. Mas … em relação a quem?
Quanto a mim próprio, os doidos são is outros.
Se os loucos são os outros, é por demais evidente
Votaram nele não foi?
Houve quem votasse na doutora Gomes. E no doutor Ventura. Belíssimos “chefes do Estado” dariam, qualquer deles.
A construção dos estádios do Catar foi feita da mesma forma que as obras públicas e privadas eram feitas em Portugal há 50 anos. E ninguém dizia por isso que Portugal desrespeitasse os direitos humanos.
Em Portugal, há 50 anos, morriam imensos trabalhadores da construção civil devido ao descuido institucionalizado – tanto da parte dos patrões como também da parte dos trabalhadores.
É incrível como agora andam a queixar-se do Catar esquecendo-se que cá em Portugal até há pouco tempo fazia-se da mesma forma.
Venho dar-lhe uma informação em primeira mão: já não vivemos em 1972.
Mas guarde-a só para si.
Ó balio, tu defendes tudo o que é regime autoritário de extrema-direita? Primeiro a Rússia, agora o Catar…
Eu ia publicar isto daqui a pouco como um “momento zen”, mas o Pedro antecipou-se. 🙂
Como diz o velho provérbio que acabo de inventar, dois postais sobre o mesmo tema são melhores que um.
e não duas sem três
E muito bem.
Direitos humanos? Que é que é isso?
Com tanta coisa muito mais importante para falar foram logo buscar isso na véspera da viagem do homem ao Catar. Francamente, não há direito.
Inabaláveis princípios de geometria variável. Groucho Marx não faria melhor.
Por falar em Groucho Marx.
“Pode parecer um cata-vento e agir como um cata-vento, mas não se deixe enganar, ele é mesmo um cata-vento.”
Ele não dizia cata-vento na versão original. Dizia idiota, se bem me lembro.
Se ele tivesse este presidente até dizia outras coisas bem piores.
Groucho era marxista.
Os marxistas não têm presidentes. Têm secretários-gerais.
Mas não têm padeiros nem carpinteiros e a gente tem.
Agora temos um partido marxista (não da tendência Groucho) com um padeiro-carpinteiro. Especializado em meter pregos dentro do pão.
(Já marchava um prego agora…)
Para um preguinho o melhor é o Cortador aqui na Terrugem. No pão ou no prato é só escolher. Batatinha frita sem ser da congelada e não, não tenho comissão.
Na Terrugem?
Boa região, gosto muito. Neste Verão passei boas temporadas na Praia Grande – com incursões à Praia das Maçãs e às Azenhas, além de Sintra. Sou cada vez mais fascinado por esta faixa litoral e respectiva área adjacente.
De tal maneira que desta vez nem fui ao Algarve.
Na estrada da Terrugem no sentido da Ericeira, do lado direito, mesmo em frente do desvio para o Magoito. Sempre muita gente à porta, mas compensa a espera.
Muito bem. Fica já na minha agenda.
O Catar não tem pessoal da construção civil.
Importa mão-de-obra e provavelmente técnicos estrangeiros.
O Catar deixa os emigrantes trabalhar sem que primeiro faça programas de qualificação e certificação profissional; aloja-os em apartamentos e bairros sem lhes dar aulas de civismo e higiene doméstica e ambiental; transporta-os em carrinhas mas não cria transportes públicos e centros culturais e de recreio para as poucas horas livres; …e muito mais havia a dizer acerca do difícil destino deste originários das Índias, e das Áfricas.
Muito mais havia a dizer; mas basta que se diga que o Catar não tem problemas orçamentais e isso, nem por ter pouco tempo para as obras, e vir a devolver esse pessoal às origens, não lhe dá qualquer desculpa!
O ‘Grande Irmão do Corretês’ está a todo o tempo vigilante dos ricos.
O Catar não é para meninos. E muito menos para meninas.
Próximos capítulos: 1) Marcelo diz que os portugueses não perceberam o que ele queria dizer; 2) Costa diz que os portugueses deviam pedir desculpa ao presidente por não perceberem o que ele disse; 3) Marcelo lá pede umas desculpas atabalhoadas à entrada do avião para o Catar.
Marcelo anda a cavar tão fundo que ainda encontra petróleo.
Já entrou em fase de tentativa de contenção de danos. Acrescentando ruído ao ruído que ele próprio causou. Começa a tornar-se um padrão.
E tanta gente se queixava dos silêncios do Cavaco… Ainda temos de aturar o Marcelo por quanto tempo mesmo?
Três anos, sete meses e vinte dias.
Bolas, ainda tanto tempo a levar com este entertainer comentadeiro de 5a categoria…
Bastante mais de mil dias.
https://observador.pt/2015/07/23/co sta-vamos-ajudar-cavaco-a-terminar-manda to-com-dignidade/
Porra.
Falta ainda mais do que durou todo o mandato de John F Kennedy.
«vai-te catar»
E vai mesmo.
Tal como sucedeu com o número de casos de pedofilia detectado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja (minúsculo considerada a realidade objecto de investigação – e o tamanho do nome da comissão – e a comparação com outros países), trata-se de uma afirmação absolutamente lógica e objectiva, dois conceitos repelentes na era da sinalização competitiva de virtude. É que são factos assentes, desde há uns dez anos: que o Qatar ganhou o direito a organizar o Campeonato do Mundo com base em subornos e falsas declarações (que conseguia fazer-se no Verão!); que se trata de uma ditadura, sem liberdades cívicas comparáveis com as ocidentais, onde a maioria dos habitantes são trabalhadores estrangeiros sem quaisquer direitos (mas mais que nos Emirados Árabes Unidos, onde tantos tugas vão a galas e em férias); e que, nas obras desenfreadas e espantosamente inúteis, morreriam (como morreram) incontáveis trabalhadores. Apesar disso, todo o mundo jogou para se apurar para o Qatar, e todos os apurados vão (ou já lá estão) no Qatar – pelo que se tudo assim tão mau, bastava prescindir da coisa e dar o lugar a outros. Francamente, nesta altura do campeonato, e como bem disse o lamentável Marcelo, e porque já não há pachorra para esta comiseração inócua e cínica. O que há a fazer é sentar ver a bola – que é, aliás, o que vão fazer, já para a semana, todos os ofendidos desta semana.
“O que há a fazer é sentar ver a bola – que é, aliás, o que vão fazer, já para a semana, todos os ofendidos desta semana.”
Não, não é isso o que há a fazer, nem é que todos farão. Eu não tenciono ver um só jogo, um só resumo, uma só das infindáveis noites de presunçosamente solene e estéril comentário – decerto várias vezes o tempo de jogo – que se lhes seguirão: manifestações exuberantes do poder nefasto do futebol profissional, essa actividade sinistra e repugnante, de que qualquer homem de bem tudo deverá fazer para afastar um seu filho ou filha, que intoxica e embrutece, com vivo incentivo e agradecimento do poder – dos poderes, pois que aqui não há virgens – de turno, todo um povo. Um povo que quanto mais estúpido, melhor.
Mas está tudo muito bem, pois o povo verdadeiramente gosta e quer que as coisas sejam assim. Para o povo e quanto a “direitos fundamentais” é de crer que a coisa se resuma a onde sacar o próximo subsídio, apoio, ajuda, isenção ou coisa similar: tão insaciável o poder, através do fisco, como o povo na busca do que lhe permita permanecer numa mediocridade que nem aurea é. Mas que – gostando como gosta de escarrar para o chão e mastigar animalescamente a sandes de courato, enquanto arrota a “mini” e insulta tudo e todos – lhe basta perfeitamente.
Mas não escaparei. Fatalmente, não escaparei ao verdadeiro bombardeamento massivo, implacável, repetitivo, a que todos seremos sujeitos nas próximas semanas. Com alguma sorte, Portugal é corrido daquilo rapidamente, em fase ainda inicial. Só nos faria bem.
No Qatar ou onde quer que seja.
Homem, não quer, não veja. Leia livros, veja o pôr do sol. E deixe lá as lições de moral para quem não tem remédio senão aturá-las.
Tenciono, tenciono. Uma e outra coisas. E outras.
E não quis dar lições de moral a quem quer que seja. Quem sou eu para tanto?
Se me permite (ou ainda que não permita), quis apenas desmenti-lo, caro JPT: você errou. Há um tipo, um, se calhar, apenas, que não vai “já para a semana”, como escreveu, mandar às urtigas aquilo em que acredita – e que por isso fundamentou a sua (minha) afirmação – e ver sôfrega e bovinamente os jogos deste campeonato mundial.
E é tudo. É uma questão, um hábito, enfim, de fundamentação.
Meu caro, não errei. No seu comentário escreveu que não vê futebol. Nenhum futebol. Que detesta o fenómeno. Pelo que, fosse ele no Qatar ou na Suécia, não veria o Mundial. Como os ateus vivem obcecados com a religião e os amigos dos animais com os caçadores e aficionados, apesar do seu desprezo pelo futebol, tenha de exprimir a sua reprovação pelo Qatar, mas o Costa não é, de todo, o destinatário do meu comentário.
Se não sou – era – o destinatário do seu comentário, é misteriosa a razão porque ele surgiu no seguimento, na directa sequência, de um meu. Mas o meu caro lá saberá.
Em todo o caso, engana-se, de novo, JPT. Não quanto a isso de eu abominar a caça ou essa actividade de que se é “aficionado”, pois aí acertou em cheio e confesso com muito orgulho a minha “culpa”, mas quanto ao futebol. Nada – nada! – tenho contra essa prática desportiva. Leia, releia – faça-me esse favor-, o que escrevi acima e verá que eu desprezo (suas palavras) o futebol profissional.
O futebol profissional. Essa actividade em que a modalidade desportiva “futebol” (no concreto caso tão cheia de si que se acha O Desporto e relega todas as outras à condição genérica e difusa de “modalidades”, dignas de umas poucas linhas numa obscura página par, num desses diários ditos “desportivos”, ou coisa equivalente no tempo televisivo ou radiofónico; como se não fosse também e apenas uma delas), é mero pretexto, verdadeira festa de ferro, para coisas sinistras. Cada vez mais sinistras. Como você bem sabe. Como eu sei: porque eu até posso ser “ateu”, pelo seu, JPT, elevado critério (um pouco mais de respeito, de noção de proporções, ter-lhe-ia ficado bem, a menos que – suspeito que será o caso-, seja você um fariseu, um guardião do templo de uma religião da bola, infrene de proselitismo e, podendo, dada a práticas de Santo Ofício; e essa sim, existe), mas, ateu ou não, não consigo, não se consegue, evitar o bombardeamento de “informação” diária e maciça, sobre essa actividade: o futebol profissional.
E é assim que acabo, não o desejando (de todo, creia), por saber – por ter que saber – alguma coisa de futebol e da sua deletéria influência em tudo e mais alguma coisa. É que tal me é imposto.
Por mim, sugiro que fiquemos por aqui: concordando que discordamos e abdicando de abusar mais da hospitalidade que aqui nos é concedida. Espero, se isso lhe é agradável, que dê por bem aplicado o tempo que dedicará aos jogos do “Mundial” (nem se tem que dizer de quê…) e aos infindos debates, antevisões e análises (creio ser a terminologia consagrada) a que darão pretexto. Eu, seguindo o seu sábio conselho – aliás, com ou sem esse conselho -, vou ler umas páginas, contemplar uns ocasos e fazer outras coisas. E, por entre a maciça barragem de noticiário futebolístico, forçosamente fanatizado, panegírico e hagiográfico, tentar aperceber-me do que nas próximas semanas se passará no mundo. Que diabo, algo há-de acontecer e, decerto, com bem mais decisiva influência nas nossas vidinhas.
Ah, e se fosse na Suécia, como invoca, seria, apesar de tudo o que escrevo acima, bem mais aceitável.
Se a ainda superpotencia tem um senhor Joe Biden perfeitamente senil que não consegue ler uma frase seguida no teleponto sem se enganar e que é uma máquina ambulante de gaffes para todos os gostos, tambem nós temos direito a ter um papagaio gaffeiro . Pelo menos o nosso não chama son of a bitch aos jornalistas como fez o outro. Não sabiam ? Procurem no youtube que está lá o video.
Já o Putin está perfeitamente são. Lúcido, arguto. Não denota qualquer sintoma de perturbação mental. Nada senil.
Talvez seja um modelo a seguir, para alguns.
Para mim, não.
O povo, na sua infinita sageza, diz ( https://quemdisse.com.br/frase/com-o-ma l-dos-outros-posso-eu-bem/93444/ ) Pena que alguns comentadores não adiram à sabedoria popular
Este “fritou a pipoca de vez”
Candidata, desde já, a frase do ano. E não falta concorrência forte.
Do próprio, diga-se.
Também. E de que maneira.
O sr. Sousa mais não fez do que sabiamente interpretar – melhor, materializar – o sentimento do povo da república (deliberado o “r” minúsculo) a que preside.
Questionar a presença de Portugal naquela reunião de associações de malfeitores seria impensável para o cidadão-médio que o sr. Sousa até ver, e com granítica legitimidade eleitoral, representa e para quem isso de “direitos fundamentais” se reduzirá fundamentalmente a uma questão subsídios ou isenções; uma questão de venalidade, afinal (para o fisco que temos o povo que temos).
Tenhamos a coragem de reconhecer que não é o sr. Sousa quem está mal. É todo um povo.
Padece de logorreia em fase terminal. Prognóstico reservado.
O sr. Sousa? Logorreia irreversível. Só mesmo cuidados paliativos. E muita paciência.
O que – cá está – diz muito sobre o povo a que preside (mas isto sou eu a escrever; que sou um pessimista muito amargo).
Não será só marca dele, presumo.
Imaginando os candidatos que o actual PR derrotou nas duas corridas a Belém – Nóvoa em 2016, Gomes em 2021 – nas mesmas funções, incluiria qualquer deles no mesmo lote.
De acordo, qualquer deles seguramente afectado por esse sério problema. O que, cá está, não é exactamente abonatório no que ao eleitor respeita. Mas por outro lado, e é bem certo, perante as escolhas, bem pode a vigente ter sido o mal menor.
E assim sendo onde chegámos… “Lasciate ogni speranza”, permita-me, peço-lhe, a presunção.
A frase de Dante quase nunca vem a despropósito.
Em primeiro lugar, Qatar é com q.
Em segundo lugar, o que é que o presidente de um país de saloios arrogantes que permite que empresários que ninguém sabe quem são possam ir buscar escravos ao Nepal para apanhar fruta em Odemira —escravos esses que alguns guardas republicanos pagos pelo Estado não pudor nenhum em insultar e espancar — tem realmente a dizer sobre as condições de trabalho no Qatar?
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consu ltorio/perguntas/catar-equivalente-portu gues-de-qatar/12443
Não ligue, Pedro. É da mesma gente que fez o AO.
Errata: “não pudor nenhum” –> “não têm pudor nenhum”
Esqueçamos também que o lacrau é PR. 🤦🏻♂️
” A indiferença a propósito de um princípio equivale, com efeito, à negação deste princípio, e não raras vezes o silêncio pesa mais que o erro. “
Já li isso em qualquer lado.