Acho que foi ao contrário: nunca tenho dúvidas e raramente me engano. E foi repudiada pelo putativo autor pelo que não se sabe se é autêntica se um caso de “si non è vero…”.
O produto é independente da ordem dos factores Não posso jurar se ouvi ou apenas li… agora outras pérolas como a do bolo rei ou a do Portugal profundo no Pulo do Lobo, para se esquivar a certas perguntas. Talvez apareça por aí um vídeo, tal como apareceu aquele da célebre sopa fria que o MRS serviu ao PP.
Quando questionado sobre o BES. Esse dito cujo o mago da sabedoria disse: que os Portugueses podiam confiar no BES. Passado poucos dias todos vimos o quanto podíamos confiar.
As responsabilidades e consequências serão extraídas pelos eleitores em devido tempo (nas próximas eleições legislativas). É assim que se faz em democracia.
Lavoura, eu conheço o conceito de responsabilidade política. E, tranquilize-se, não defendo, com os elementos conhecidos e sem mais, a prisão da, por exemplo, ministra da saúde. Creio apenas (veja você a minha ingenuidade) que já se passaram coisas suficientes para que alguém fosse demitido ou se demitisse. O que afinal seria um sinal de responsabilização política e uma airosa e assaz leniente saída depois das demonstrações de desorientação, negligência e incompetência a que já se assistiu e que (sei que não concordará) ultrapassam o que sempre e naturalmente aconteceria perante algo súbito e desconhecido.
Creio aliás que uns milhares de mortos a mais face a período homólogo do ano anterior, não devidos à covid (não directamente, entenda-se) e sem desastre, natural ou não, que os explique, significam por si só um fracasso muito sério da actuação governamental. Devidamente abafado sob o útil, incessante e metodicamente cultivado jorro diário, até há dias (agora gastam-se horas de reportagem a apresentar gente a receber a vacina e camionetas a trazê-la entre sirenes e luzes; afinal as forças de segurança têm recursos), de notícias quase apocalípticas sobre a progressão da única doença que conta por estes tempos. Mas, de facto, parece que isto da prioridade nacional ter passado a ser proteger o SNS dos cidadãos (excepto se com covid; e mesmo assim…) em vez de com o SNS proteger os cidadãos, tudo aceita e absolve.
Creio que já se passaram coisas suficientes para que alguém fosse demitido ou se demitisse.
As demissões não curam nem resolvem nada. Dificilmente se pode crer que qualquer demissão fosse conduzir a um melhor desempeho.
uns milhares de mortos a mais face a período homólogo do ano anterior, não devidos à covid e sem desastre, natural ou não, que os explique, significam por si só um fracasso muito sério da actuação governamental
(1) Concordo plenamente com a conclusão que tira: houve um fracasso muito sério da atuação governamental. E, tal como eu disse, esse fracasso deverá ser tomado em conta pelo povo (eu, pelo menos, tomá-lo-ei em conta) nas próximas eleições legislativas. Não antes disso. E o fracasso foi de todo o governo e da sua estratégia: não foi de ninguém em particular, que se deva demitir por esse facto.
(2) Houve efetivamente um desatre que parcialmente pode explicar os milhares de mortos a mais: vagas de calor brutais em maio, em julho e em setembro. Se não se recorda delas, vá ver os registos do IPMA, que são claros: anomalias positivas da temperatura de mais de 4 graus em maio e em julho. O calor mata muitíssima gente, sabe.
(3) Outro facto que pode explicar as mortes é a reduzida afluência aos hospitais causada pelo pânico da covid. E essa reduzida afluência é em parte (não totalmente!) culpa dos próprios doentes, que tinham medo de ir ao hospital. Eu próprio recorri a um hospital (privado) em maio e junho e verifiquei que, apesar de esse hospital estar aberto, havia lá pouquíssimas pessoas, muitas menos do que o usual. Mas também é verdade (verifiquei-o) que outros hospitais (privados) estavam pura e simplesmente com serviços seriamente reduzidos.
Se as vagas de calor podem explicar parcialmente as mortes, convirá não esquecer que elas – as vagas de calor – são coisa cada vez mais comum. Não creio que possam ser tidas como uma absoluta surpresa, perante a qual os poderes públicos estivessem muito legitimamente impreparados e impotentes. Mas por alguma razão, a televisão e a rádio (que mais relevariam no caso, suponho) tão facilmente instrumentalizadas em nome das causas fracturantes e politicamente correctas dos tempos que correm, não terão sido empregues – salvo as ocasionais referências de circunstância em serviços noticiosos – para massivamente alertar quem potencialmente mais poderia sofrer e terá sofrido com essas vagas. Alertar, por exemplo, para o simples gesto de beber abundantemente água, mesmo não sentido sede.
Se as vagas de calor poderão explicar algumas dessas mortes estatisticamente não explicadas, será sempre e apenas uma parte (como aponta). E também aí se pode apontar o dedo ao poder. Que, desde logo porque sempre tão pressuroso a alertar para as mudanças climáticas e para a infinita culpa humana nas mesmas, não pode invocar surpresa. Nem falta de meios para alertar a população. Mas o tema, é claro, foi e é coisa menor. E passa depressa. Para o ano há mais.
A reduzida afluência aos hospitais terá sido – e será ainda, admito – um facto. E vai continuar a ser, acredito, desde logo pela contínua mensagem de puro terror perante a covid, prolongada e metodicamente servida aos cidadãos. Se sair de casa é visto genericamente e salvo explicação convincente (e por vezes a apresentar em papel que a certifique, em exuberantes barreiras policiais, com o apropriado séquito de câmaras e microfones), como um acto de irresponsabilidade social, ou mesmo crime de desobediência puro e duro – e aceite isso pacificamente pelo cidadão, ou mesmo por ele sofregamente cultivado – uma pessoa só se meterá na sala de espera de uma “urgência” se tiver mesmo que ser. E, não sendo urgente, naturalmente tenderá a adiar a coisa quanto possa. Também aqui se pode apontar o dedo a uma clara falta de pedagogia que ultrapasse a referência momentânea ao assunto, numa extensa conferência de imprensa (e presumivelmente sem grande convicção). Vem de cima esta ideia nacional de que só uma doença é digna de atenção.
Por outro lado – e refiro-o a partir de exemplos familiares ou de relação próxima, sabendo da prudência que isso deve aconselhar – haja ou não “pânico” perante uma ida a hospital ou serviço análogo, é o SNS quem tem copiosamente adiado outra e outra vez, consultas e exames. E mesmo em áreas onde esse adiamento, a confirmar-se um diagnóstico possível ou temido, pode bem ter sérios efeitos sobre a qualidade de vida. Ou a própria vida.
Mas, seja, nada disto (e mais), justifica que se questione a presença de certas pessoas em certos cargos. É esperar pelas próximas eleições. Com um povo embrutecido e inculto, largamente dependente do poder, em regra acriticamente submisso aos seus ditames, guiado sobretudo pela inveja e apreciador do nivelamento por baixo e das manifestações de força – desde que não directamente sobre si, claro -, o desfecho está, mantendo-se as coisas como estão, definido. E passa pela manutenção dos mesmos (ou afins) nos mesmos lugares.
O problema aqui está na ideia ao mesmo tempo clarificadora e extremamente arrogante que ele profere logo a seguir — e que é o verdadeiro objectivo de toda a mensagem de Natal: mas só não erra quem não faz nada. Lindo.
Tirada bastante típica de um tipo do PS, dirão mesmo alguns, e perfeitamente adequada para um tipo que governa sem oposição dos jornalistas a partir das notícias e para as notícias. E se é verdade que o Governo não tendo estado completamente mal e aproveitando até para fazer propaganda com as conquistas dos outros (as vacinas gratuitas e universais de Van der Leyden), também não fez o suficiente não fez o que mais se impunha: que era ter tirado todos os velhos dos lares em vez de os fecharem lá dentro, numa permanente recusa deste governo em trabalhar com o sector privado.
Também deveriam ter começado a vacinação pelos mais velhos e os mais em risco, mas isso eu agora compreendo: dava um trabalhão a organizar, não dava para fazer um espectáculo e catequese com a primeira vacina e vendo bem os velhos já morreram quase todos.
Os meninos educadinhos falam assim quando não se portam bem na ausência para brincadeiras do papá.
Tugal pequenino.
Ainda assim prefiro esta frase àquela que alguém disse:
«Nunca me engano e raramente tenho dúvidas.»
Acho que foi ao contrário: nunca tenho dúvidas e raramente me engano. E foi repudiada pelo putativo autor pelo que não se sabe se é autêntica se um caso de “si non è vero…”.
O produto é independente da ordem dos factores
Não posso jurar se ouvi ou apenas li… agora outras pérolas como a do bolo rei ou a do Portugal profundo no Pulo do Lobo, para se esquivar a certas perguntas.
Talvez apareça por aí um vídeo, tal como apareceu aquele da célebre sopa fria que o MRS serviu ao PP.
Alzheimer !
Ou seja está contra alguém que ao dizer isso pode ser criticado por falhar.
Quando questionado sobre o BES.
Esse dito cujo o mago da sabedoria disse: que os Portugueses podiam confiar no BES. Passado poucos dias todos vimos o quanto podíamos confiar.
Muito bem. E responsabilidades, consequências?
Não há, parece. Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma.
Costa
As responsabilidades e consequências serão extraídas pelos eleitores em devido tempo (nas próximas eleições legislativas). É assim que se faz em democracia.
Lavoura, eu conheço o conceito de responsabilidade política. E, tranquilize-se, não defendo, com os elementos conhecidos e sem mais, a prisão da, por exemplo, ministra da saúde. Creio apenas (veja você a minha ingenuidade) que já se passaram coisas suficientes para que alguém fosse demitido ou se demitisse. O que afinal seria um sinal de responsabilização política e uma airosa e assaz leniente saída depois das demonstrações de desorientação, negligência e incompetência a que já se assistiu e que (sei que não concordará) ultrapassam o que sempre e naturalmente aconteceria perante algo súbito e desconhecido.
Creio aliás que uns milhares de mortos a mais face a período homólogo do ano anterior, não devidos à covid (não directamente, entenda-se) e sem desastre, natural ou não, que os explique, significam por si só um fracasso muito sério da actuação governamental. Devidamente abafado sob o útil, incessante e metodicamente cultivado jorro diário, até há dias (agora gastam-se horas de reportagem a apresentar gente a receber a vacina e camionetas a trazê-la entre sirenes e luzes; afinal as forças de segurança têm recursos), de notícias quase apocalípticas sobre a progressão da única doença que conta por estes tempos. Mas, de facto, parece que isto da prioridade nacional ter passado a ser proteger o SNS dos cidadãos (excepto se com covid; e mesmo assim…) em vez de com o SNS proteger os cidadãos, tudo aceita e absolve.
E, Balio, está muito bem assim, não é?
Costa
Creio que já se passaram coisas suficientes para que alguém fosse demitido ou se demitisse.
As demissões não curam nem resolvem nada. Dificilmente se pode crer que qualquer demissão fosse conduzir a um melhor desempeho.
uns milhares de mortos a mais face a período homólogo do ano anterior, não devidos à covid e sem desastre, natural ou não, que os explique, significam por si só um fracasso muito sério da actuação governamental
(1) Concordo plenamente com a conclusão que tira: houve um fracasso muito sério da atuação governamental. E, tal como eu disse, esse fracasso deverá ser tomado em conta pelo povo (eu, pelo menos, tomá-lo-ei em conta) nas próximas eleições legislativas. Não antes disso. E o fracasso foi de todo o governo e da sua estratégia: não foi de ninguém em particular, que se deva demitir por esse facto.
(2) Houve efetivamente um desatre que parcialmente pode explicar os milhares de mortos a mais: vagas de calor brutais em maio, em julho e em setembro. Se não se recorda delas, vá ver os registos do IPMA, que são claros: anomalias positivas da temperatura de mais de 4 graus em maio e em julho. O calor mata muitíssima gente, sabe.
(3) Outro facto que pode explicar as mortes é a reduzida afluência aos hospitais causada pelo pânico da covid. E essa reduzida afluência é em parte (não totalmente!) culpa dos próprios doentes, que tinham medo de ir ao hospital. Eu próprio recorri a um hospital (privado) em maio e junho e verifiquei que, apesar de esse hospital estar aberto, havia lá pouquíssimas pessoas, muitas menos do que o usual. Mas também é verdade (verifiquei-o) que outros hospitais (privados) estavam pura e simplesmente com serviços seriamente reduzidos.
Se as vagas de calor podem explicar parcialmente as mortes, convirá não esquecer que elas – as vagas de calor – são coisa cada vez mais comum. Não creio que possam ser tidas como uma absoluta surpresa, perante a qual os poderes públicos estivessem muito legitimamente impreparados e impotentes. Mas por alguma razão, a televisão e a rádio (que mais relevariam no caso, suponho) tão facilmente instrumentalizadas em nome das causas fracturantes e politicamente correctas dos tempos que correm, não terão sido empregues – salvo as ocasionais referências de circunstância em serviços noticiosos – para massivamente alertar quem potencialmente mais poderia sofrer e terá sofrido com essas vagas. Alertar, por exemplo, para o simples gesto de beber abundantemente água, mesmo não sentido sede.
Se as vagas de calor poderão explicar algumas dessas mortes estatisticamente não explicadas, será sempre e apenas uma parte (como aponta). E também aí se pode apontar o dedo ao poder. Que, desde logo porque sempre tão pressuroso a alertar para as mudanças climáticas e para a infinita culpa humana nas mesmas, não pode invocar surpresa. Nem falta de meios para alertar a população. Mas o tema, é claro, foi e é coisa menor. E passa depressa. Para o ano há mais.
A reduzida afluência aos hospitais terá sido – e será ainda, admito – um facto. E vai continuar a ser, acredito, desde logo pela contínua mensagem de puro terror perante a covid, prolongada e metodicamente servida aos cidadãos. Se sair de casa é visto genericamente e salvo explicação convincente (e por vezes a apresentar em papel que a certifique, em exuberantes barreiras policiais, com o apropriado séquito de câmaras e microfones), como um acto de irresponsabilidade social, ou mesmo crime de desobediência puro e duro – e aceite isso pacificamente pelo cidadão, ou mesmo por ele sofregamente cultivado – uma pessoa só se meterá na sala de espera de uma “urgência” se tiver mesmo que ser. E, não sendo urgente, naturalmente tenderá a adiar a coisa quanto possa. Também aqui se pode apontar o dedo a uma clara falta de pedagogia que ultrapasse a referência momentânea ao assunto, numa extensa conferência de imprensa (e presumivelmente sem grande convicção). Vem de cima esta ideia nacional de que só uma doença é digna de atenção.
Por outro lado – e refiro-o a partir de exemplos familiares ou de relação próxima, sabendo da prudência que isso deve aconselhar – haja ou não “pânico” perante uma ida a hospital ou serviço análogo, é o SNS quem tem copiosamente adiado outra e outra vez, consultas e exames. E mesmo em áreas onde esse adiamento, a confirmar-se um diagnóstico possível ou temido, pode bem ter sérios efeitos sobre a qualidade de vida. Ou a própria vida.
Mas, seja, nada disto (e mais), justifica que se questione a presença de certas pessoas em certos cargos. É esperar pelas próximas eleições. Com um povo embrutecido e inculto, largamente dependente do poder, em regra acriticamente submisso aos seus ditames, guiado sobretudo pela inveja e apreciador do nivelamento por baixo e das manifestações de força – desde que não directamente sobre si, claro -, o desfecho está, mantendo-se as coisas como estão, definido. E passa pela manutenção dos mesmos (ou afins) nos mesmos lugares.
Costa
Errar é humano. Perdoar cabe ao eleitor.
A perdoar Costa, César e Cia desde…
A César o que é de César, à CIA o que é da CIA.
O problema aqui está na ideia ao mesmo tempo clarificadora e extremamente arrogante que ele profere logo a seguir — e que é o verdadeiro objectivo de toda a mensagem de Natal: mas só não erra quem não faz nada. Lindo.
Tirada bastante típica de um tipo do PS, dirão mesmo alguns, e perfeitamente adequada para um tipo que governa sem oposição dos jornalistas a partir das notícias e para as notícias. E se é verdade que o Governo não tendo estado completamente mal e aproveitando até para fazer propaganda com as conquistas dos outros (as vacinas gratuitas e universais de Van der Leyden), também não fez o suficiente não fez o que mais se impunha: que era ter tirado todos os velhos dos lares em vez de os fecharem lá dentro, numa permanente recusa deste governo em trabalhar com o sector privado.
Também deveriam ter começado a vacinação pelos mais velhos e os mais em risco, mas isso eu agora compreendo: dava um trabalhão a organizar, não dava para fazer um espectáculo e catequese com a primeira vacina e vendo bem os velhos já morreram quase todos.