O que (não só) por cá tem acontecido até me leva a um começo de concordância. O pior é que a alternativa da rapariga é o que se adivinha.
A propósito, notícia de hoje relativa à CGD, lida na “revista da imprensa” do DN:
“Processo judicial revela que banco público emprestou mais de 226,5 milhões de euros tendo como garantia um terreno que valia 29,6 milhões.
O Correio da Manhã escreve hoje em manchete que entre 2007 e 2011, a caixa Geral de Depósitos emprestou mais de 226,5 milhões de euros tendo como garantia este terreno cujo valor patrimonial é de 29,6 milhões. Ao todo, o terreno foi objeto de nove hipotecas e os créditos foram concedidos à empresa QDL e a três offshores: Birchview; Chaplemoor e Bridgedown.
Segundo a edição de hoje do jornal, o caso é relatado num processo judicial que em 2011 opunha a Quinta do lago, no Algarve, à Birchview, por esta sociedade não contribuir para os custos de conservação das infraestruturas da urbanização.”
Pura e simples arrogância fácil, fundada em ódio de classe risível (se não fosse perigoso pelo que pode arregimentar, em tempos de desespero) e inchada de orgulho pela circunstância que aparenta dar-lhe fundamento. Verdadeiro instante de felicidade no quanto pior melhor. Pura esterilidade.
Tudo é demasiado importante para ser deixado noutras mãos que não a do estado. Tudo, desde que acordamos até que adormecemos (e durante o sono). E o estado, o estado que deveria ser, é ela – C. Martins – e outros iluminados.
Lamentemos as escolhas que nos são apresentadas e ter legitimado o poder que hoje nos (des)governa. Esperemos NUNCA cair no poder destes outros.
Dificilmente é motivo de polémica o facto de umas das grandes causas da crise financeira ser a pouca ou nenhuma regulação do sistema financeiro. Quando se põe em causa a acção dos reguladores, esquece-se frequentemente que os mandatos destes, e as regras que regem o sistema financeiro, foram largamente estabelecidas por banqueiros ou por lobbies pagos por aqueles.
Isso que escreve é certo. O modelo presente não serve, está demonstrado, e a tal promiscuidade entre o poder – legislativo ou executivo (e o judicial…) e o mundo dos negócios (alguns negócios) – não é coisa que alguém possa com ar sério negar. Lembremo-nos de um secretário de estado caído, há não muito tempo, por ousar fazer frente aos interesses de certa “eléctrica”. Ou dos contratos alegadamente blindados.
As coisas acontecem, vão acontecendo e basicamente nada acontece a não ser a apresentação das contas aos do costume. A quem essas contas são de facto implacavelmente apresentadas, sob a magna tutela da legitimidade democrática e sem que lhes seja dada a faculdade de aceitar ou não pagá-las. O que também permite interrogar quem aceita o papel de regulador: se é como escreve, e parece em boa medida ser, como é que se aceita e se fica no lugar, com que hombridade, quando se constata, mais tarde ou mais cedo, ou à partida tal se conhece, a larga impotência do mesmo, a “mútua anulação” das regras que se é suposto vigiar ou fazer aplicar? Quem, a não ser movido por interesses que não os interesses públicos da regulação em causa, aceita ser, ou ser largamente visto como, mesmo que com um grau de exagero e injustiça, um verbo-de-encher?
É imperioso fazer algo, e sê-lo-á decerto, embora duvide que algo de facto mude. Com efectiva substância, pelo menos. A casta superior é já numerosa, criou as suas necessidades e não vai facilmente abrir mão do seu estatuto. Nem me parece, por muito que gostasse de estar errado, que alguém de facto a afronte; que a afronte, isto é, com o poder para pôr em causa o estado de coisas. Os podres, com ou sem aspas, de quem o poderia fazer serão conhecidos pelos visados, e vice-versa. E essa destruição mútua assegurada é a melhor forma de nada acontecer, para lá da poeira demagógica que se atire aos olhos das massas e da prisão de um ou outro cordeiro sacrificial que, menos atento, tenha deixado brechas nas suas defesas. Desastrado ao ponto de não haver previsão legal, recurso ou outro mecanismo dilatório que o safe ou, sabe-se lá, nomeado por vontades mais fortes para momentâneo aplacar da turba.
E chegar-se aí…
O que não creio é que o rumo a seguir seja o que vai no pensamento da senhora em causa. Deus nos livre (seja Ele invocado por fé ou mera expressão idiomática).
não tarda, ainda vamos ouvir dizer que “a justiça é demasiado importante para a deixar nas mãos dos juízes e magistrados do ministério público”, também por cauda disto do bes, bes e mais bes (ou será que já ouvimos?)
O que (não só) por cá tem acontecido até me leva a um começo de concordância. O pior é que a alternativa da rapariga é o que se adivinha.
A propósito, notícia de hoje relativa à CGD, lida na “revista da imprensa” do DN:
“Processo judicial revela que banco público emprestou mais de 226,5 milhões de euros tendo como garantia um terreno que valia 29,6 milhões.
O Correio da Manhã escreve hoje em manchete que entre 2007 e 2011, a caixa Geral de Depósitos emprestou mais de 226,5 milhões de euros tendo como garantia este terreno cujo valor patrimonial é de 29,6 milhões. Ao todo, o terreno foi objeto de nove hipotecas e os créditos foram concedidos à empresa QDL e a três offshores: Birchview; Chaplemoor e Bridgedown.
Segundo a edição de hoje do jornal, o caso é relatado num processo judicial que em 2011 opunha a Quinta do lago, no Algarve, à Birchview, por esta sociedade não contribuir para os custos de conservação das infraestruturas da urbanização.”
Pelo que se tem visto, manifestamente verdade.
Pura e simples arrogância fácil, fundada em ódio de classe risível (se não fosse perigoso pelo que pode arregimentar, em tempos de desespero) e inchada de orgulho pela circunstância que aparenta dar-lhe fundamento. Verdadeiro instante de felicidade no quanto pior melhor. Pura esterilidade.
Tudo é demasiado importante para ser deixado noutras mãos que não a do estado. Tudo, desde que acordamos até que adormecemos (e durante o sono). E o estado, o estado que deveria ser, é ela – C. Martins – e outros iluminados.
Lamentemos as escolhas que nos são apresentadas e ter legitimado o poder que hoje nos (des)governa. Esperemos NUNCA cair no poder destes outros.
Costa
Dificilmente é motivo de polémica o facto de umas das grandes causas da crise financeira ser a pouca ou nenhuma regulação do sistema financeiro. Quando se põe em causa a acção dos reguladores, esquece-se frequentemente que os mandatos destes, e as regras que regem o sistema financeiro, foram largamente estabelecidas por banqueiros ou por lobbies pagos por aqueles.
Isso que escreve é certo. O modelo presente não serve, está demonstrado, e a tal promiscuidade entre o poder – legislativo ou executivo (e o judicial…) e o mundo dos negócios (alguns negócios) – não é coisa que alguém possa com ar sério negar. Lembremo-nos de um secretário de estado caído, há não muito tempo, por ousar fazer frente aos interesses de certa “eléctrica”. Ou dos contratos alegadamente blindados.
As coisas acontecem, vão acontecendo e basicamente nada acontece a não ser a apresentação das contas aos do costume. A quem essas contas são de facto implacavelmente apresentadas, sob a magna tutela da legitimidade democrática e sem que lhes seja dada a faculdade de aceitar ou não pagá-las. O que também permite interrogar quem aceita o papel de regulador: se é como escreve, e parece em boa medida ser, como é que se aceita e se fica no lugar, com que hombridade, quando se constata, mais tarde ou mais cedo, ou à partida tal se conhece, a larga impotência do mesmo, a “mútua anulação” das regras que se é suposto vigiar ou fazer aplicar? Quem, a não ser movido por interesses que não os interesses públicos da regulação em causa, aceita ser, ou ser largamente visto como, mesmo que com um grau de exagero e injustiça, um verbo-de-encher?
É imperioso fazer algo, e sê-lo-á decerto, embora duvide que algo de facto mude. Com efectiva substância, pelo menos. A casta superior é já numerosa, criou as suas necessidades e não vai facilmente abrir mão do seu estatuto. Nem me parece, por muito que gostasse de estar errado, que alguém de facto a afronte; que a afronte, isto é, com o poder para pôr em causa o estado de coisas. Os podres, com ou sem aspas, de quem o poderia fazer serão conhecidos pelos visados, e vice-versa. E essa destruição mútua assegurada é a melhor forma de nada acontecer, para lá da poeira demagógica que se atire aos olhos das massas e da prisão de um ou outro cordeiro sacrificial que, menos atento, tenha deixado brechas nas suas defesas. Desastrado ao ponto de não haver previsão legal, recurso ou outro mecanismo dilatório que o safe ou, sabe-se lá, nomeado por vontades mais fortes para momentâneo aplacar da turba.
E chegar-se aí…
O que não creio é que o rumo a seguir seja o que vai no pensamento da senhora em causa. Deus nos livre (seja Ele invocado por fé ou mera expressão idiomática).
Costa
não tarda, ainda vamos ouvir dizer que “a justiça é demasiado importante para a deixar nas mãos dos juízes e magistrados do ministério público”, também por cauda disto do bes, bes e mais bes (ou será que já ouvimos?)
http://www.tvi24.iol.pt/aa—videos—so ciedade/banco-dciap-ministerio-publico-s mmp-congresso-patrocinio/1331827-5795.ht ml
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