Frases de 2011 (46)


lauraramos,

Presidir ao Parlamento constitui a maior honra da minha vida.  Porque o Parlamento é a liberdade que se fez instituição, consequência da razão moderna, do pensamento das Luzes, da coragem dos Justos.  Nós, os deputados, somos portadores de um mandato que se gera na igualdade e na liberdade. Damos corpo a um poder que se forma na moral universal, que dita os critérios da justiça.
– Que orgulho, senhores deputados, e que responsabilidade que é estarmos aqui.

Assunção Esteves (discurso da tomada de posse como Presidente da Assembleia da República)

14 comentários em “Frases de 2011 (46)”

    1. É pena que a maioria das pessoas veja tudo na política em termos de derrotas e vitórias. É um cliché tremendo, fruto do discurso balofo e redondo dos comentadores de televisão (e de muitos políticos, verdade seja dita), e que reduz a política a um jogo simples e inútil. No caso em questão havia um compromisso entre o líder de um partido e um “convidado” pouco consensual para as listas. De facto, pela sua trajectória, não era a pessoa indicada para “abrir” o parlamento à sociedade. Era esse o objectivo definido por PPC, como afirmou desde o início. A ideia não pegou. De facto, a ideia de aproximar o parlamento dos cidadãos também é um cliché difícil de operacionalizar e também se pode questionar a sua utilidade prática. Propuseram então outra pessoa (a meu ver bem mais interessante do que a primeira), com uma estratégia diferente: dignificar o parlamento com a sua nata, escolhendo uma pessoa que tem um percurso institucional do mais alto nível. Como se viu, é a opção mais adequada – porque queiramos quer não, o que as pessoas (deputados incluídos) querem ver no parlamento é integridade e discursos elevados, que motivem e orientem a acção política. No final, ficamos todos mais bem servidos e isso, meu caro, é a contabilidade que interessa fazer.

      1. Um Parlamento devia ser a nata, de facto. E um Presidente não pode influir na sua constituição. Mas já pode influir na sua inspiração. Por isso é que o discurso de Assunção Esteves é muito importante e é muito mais do que uma soma de palavras de circunstância.

  1. A eleição da Deputada Assunção Esteves para o cargo de Presidente da Assembleia da República foi, efectivamente, uma boa escolha. Cabia, segundo a praxe parlamentar, ao PSD indicar o candidato. Depois da humilhação desnecessariamente sofrida, o PSD tinha várias opções plenamente válidas, mas a indicação da Sr.ª Dr.ª Assunção Esteves terá sido feliz, por um lado, porque pela primeira vez temos uma mulher à frente da casa da democracia e, por outro, porque a eleita reúne todas as condições para o desempenho e um excelente mandato.
    Mas a eleição por larga maioria de Assunção Esteves não apaga o desaire sofrido por Pedro Passos Coelho, com a não eleição de Fernando Nobre. Aliás um triplo desaire: em primeiro lugar, foi a primeira vez que um candidato proposto a Presidente da AR não foi eleito; em segundo, mesmo após duas votações, o candidato proposto nem conseguiu reunir o pleno dos deputados do PSD; em terceiro, Pedro Passos Coelho revelou o grau de dependência da coligação, das posições do CDS/PP. Esperemos que a teimosia de PPC não se venha a revelar nefasta e que com aquela derrota tenha aprendido a lição.

    1. Por acaso, não faço essa leitura, MFM. PPC cumpriu aquilo a que se comprometera, e o desaire deve-se muito menos a ele do que ao próprio Fernando Nobre (Ingénuo? Ou simplesmente ‘gauche’ nas suas condições de adesão ao PSD?).
      Nunca fui “passos-coelhista”. Mas devo dizer que não acho que a teimosia, em sentido ‘socrático’… seja um dos seus traços. Não…
      A eleição do Presidente da AR não é exactamente uma prova de fogo: é um acto de pura colegialidade, verdadeiramente ‘inter pares’.
      Assisti, in loco, ao desaire da primeira volta da eleição de Barbosa de Melo para o mesmo cargo, em 91 (inesquecível experiência). Aquilo é basismo puro e não tem nada de dramático, desde que dentro do perímetro partidário.

    1. Vergonha mesmo, Helena… Aliás, histórica.
      Mas o que me fez publicar o excerto não foi um mero ímpeto de reproduzir agenda-do-dia. Foi precisamente o contrário: foi a sua marca contra a agenda-do-dia corrente, a pedrada no charco, o ferro da diferença.
      Não é pelo facto de estarmos fartos de palavras que elas deixam de ser importantes, quando voltam a ser genuínas e cumprem o seu papel enquadrador, reflexivo e inspirador. Na oratória de circunstância, por si inevitável, as palavras certas ainda continuam a ser a marca do homem culto e o contributo da intelectualidade que se empenha em mudar o mundo e não se basta exactamente a ouvir-se a si própria. AE não pertence a este último grupo de pessoas.

  2. Também achei o discurso dela bastante interessante. É a primeira vez que ouço um presidente da Assembleia portanto não sei dizer se foi melhor do que o costume, mas gostei especialmente da referência à abstenção e à responsabilidade que lhes cabe em relação a esses cidadãos desesperançados. E aos que nem sabem sequer que há quem os represente.

    1. Temos tido bons Presidentes da AR, no geral. Alguns conseguiram ultrapassar a oratória de circuntância. Mas não me lembro de ter lido (ouvido) algo de tão cristalinamente genuíno e de tão incisivo.

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