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«A minha cor preferida devia ser verde, mas é azul»
Um dos mais conhecidos ambientalistas portugueses, este professor universitário que liderou a Quercus (de 1996 a 2001) e fundou a associação Zero em 2016, atendeu-me com extrema cordialidade. Confessando que canta no duche, mas por pouco tempo, para poupar água. O que mais o irrita? «Ver deitar lixo para o chão.»
Tem medo de quê?
Tenho medo de que o futuro algo catastrofista que os ambientalistas por vezes prevêem ainda possa ser pior.
Gostaria de viver num hotel?
Dependeria do hotel. Mas acho que não. O sítio onde vivemos deve ter uma marca pessoal que nunca é possível num hotel. Além disso, o hotel obriga-nos a tomar o pequeno-almoço ao fim de semana até às 10 da manhã, o que por vezes não dá jeito nenhum.
A sua bebida preferida?
Moscatel de Setúbal.
Tem alguma pedra no sapato?
Há sempre umas pedras no sapato. Vão saindo umas e entrando outras.
Que número calça?
43.
Que livro anda a ler?
Estou a ler a Baía dos Tigres, de Pedro Rosa Mendes. Conheci-o há um ano, quando cobriu como jornalista a conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas, em Bali. Fiquei logo com vontade de ler este livro.
Tem muitos livros na mesa de cabeceira?
Tenho sempre. O ritmo a que são renovados, infelizmente, não é o mais desejável.
A sua personagem de ficção favorita?
Gosto muito de Hercule Poirot.
Rir é o melhor remédio?
Sem dúvida.
Lembra-se da última vez em que chorou?
Foi há poucas semanas, quando um colega da Quercus faleceu. Era um grande amigo.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?
Tem dias. Gosto de conduzir, mas às vezes sabe-me muito bem não ter de me preocupar com a condução.
É bom transgredir os limites?
Não. Sou bastante cumpridor. E sinto também a necessidade de dar o exemplo. Mais velocidade significa mais poluição.
Qual é o seu prato favorito?
Talvez borrego assado. Gosto de jaquinzinhos e bacalhau, que evito comer por razões ambientais.
Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
Hoje o meu maior pecado é andar de avião.
A sua cor preferida?
Devia ser verde, mas é azul.
Costuma cantar no duche?
Costumo. Mas são canções curtas porque também me preocupo com a poupança de água.
E a música da sua vida?
Ó rama, ó que linda rama.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Nunca tinha pensado nisso. Mas já estamos tão habituados ao hino que seria difícil aceitar uma mudança.
Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Com Barack Obama.
As aparências iludem?
Por vezes.
Qual é a peça de vestuário que prefere?
Gravatas não uso. A que dou mais atenção é à camisa.
Qual é o seu maior sonho?
Umas longas e prolongadas férias para conhecer sítios fantásticos em termos culturais e naturais.
E o maior pesadelo?
É cair da moto eléctrica em que me desloco diariamente entre casa e a estação de comboio, apesar de ela não andar a mais de 45 quilómetros.
O que o irrita profundamente?
Ver deitar lixo para o chão.
Qual a melhor forma de relaxar?
Visitar Lisboa aos fins-de-semana.
O que faria se fosse milionário?
Concretizava o desejo de ter umas férias muito prolongadas. E fazia uns donativos à Quercus.
Casamentos gay: de acordo?
Não tenho uma posição definitiva. Mas não me faz muita impressão.
Uma mulher bonita?
Fico indeciso entre a Meryl Streep e a Nicole Kidman.
Acredita no paraíso?
Ainda tenho alguma esperança.
Tem um lema?
Há que digerir antes de reagir.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (8 de Novembro de 2008)

Já tem 12 anos a entrevista, terá crescido?
lol
Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Com Barack Obama.
Mas que fixação esta em jantar com um tipo que fura o protocolo para ir ao McDonalds. Só pode ser por ser preto. Acho insultuoso querer jantar com alguém só porque é de uma espécie protegida.
Que comentário tão disparatado. Basta reparar na data da entrevista (Novembro de 2008), precisamente dias após Obama ter sido eleito presidente dos EUA.
“só pode ser por ser preto”
Preto?
O Francisco Ferreira não é preto, o Obama também não (a mãe de Obama é do mais branco que há).
O V. deve ser um v de vranco. Deve trocar os bes pelos ves e ver as cores todas desfocadas.
whatever
Esse confronto com a realidade destruiu por completo o meu exercício retórico — mas ok ok depois faço outro
E qual o problema de ser preto.
Aposto, ou como diria o outro ‘vai uma apostinha’ que no verão vai apanhar sol para a praia? Pra quê?
Não há problema nenhum em ser preto. Pelo contrário. Deve ser excelente. Mas ser eleito só por causa disso é que me parece tempo perdido e a demonstração de que muitas pessoas votam com critérios errados:
Estão infectadas com um vírus para o qual não parece haver vacina nenhuma.
Como se a comunidade negra (que nem vota massivamente) fosse suficiente para eleger o Obama! Ele não foi eleito por ser preto ou castanho, foi porque o opositor, John McCain não convenceu – isso e salvo erro, mais de 10milhões de votos de diferença…
Perdão… ele ganhou a presidência à Hillary Clinton — com o eleitorado dela. McCain nunca esteve realmente em jogo.