Francisco: eis o homem


Rui Rocha,

Têm razão os mais ortodoxos quando referem que Francisco não mudou nada no essencial das posições dogmáticas da Igreja Católica, nomeadamente no que diz respeito às questões ditas fracturantes. O que temos é uma mudança radical de atitude, que não nos princípios. Não questionando de momento o essencial do ponto de partida, Francisco revaloriza o ponto de chegada. O Papa que pergunta, o Papa que acolhe, o Papa do exemplo da humildade sobre a ostentação, da valorização do perdão sobre a condenação, o Papa da compaixão ainda e sempre, mesmo e sobretudo para os que não escolheram o caminho que a Igreja Católica prega. O Papa dos tresmalhados, dos desiludidos, dos esquecidos, dos doentes, dos pecadores, dos perdidos, dos imigrantes, dos sem pátria, dos inocentes. O Papa a quem o míudo quer roubar a cadeira. O Papa que abraça e beija os disformes. Este é um Papa próximo de Cristo e pouco ou nada preso à norma teológica. O risco é evidente. Francisco pode vir a ser o exemplo humano e vivo da viabilidade de um último reduto de redenção e de esperança das mulheres e dos homens. Todavia, é possível acreditarmos em Francisco sem que nos seja urgente redimirmos a Igreja Católica. Como se Francisco estivesse aqui para nos recordar que Cristo veio primeiro e só depois vieram a(s) sua(s) igreja(s).

42 comentários em “Francisco: eis o homem”

  1. “Este é um Papa próximo de Cristo”

    Você sabe lá como é que Cristo foi!

    Sobre Cristo (mais propriamente, Jesus, que era o nome dele) só temos relatos escritos por homens que viveram duas gerações mais tarde e que nem da terra de Cristo eram, relatos esses que comprovadamente ainda sofreram adulterações posteriores.

    1. Eu de facto não sei. Refiro-me a uma certa leitura de Jesus, obviamente. No entanto, a menos que o Luís tenha privado de perto com ele e me possa esclarecer, parece-me uma versão pelo menos tão plausível como qualquer outra.

      1. Mais um belo texto, Rui.

        Quanto às provas de vida… há comentários que são isso mesmo.
        O Luís Lavoura quis ressuscitar um comentário idiota, que já tinha usado:
        http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5214952.html

        Já lhe tinham respondido detalhadamente, e com infinda paciência… mas ele insiste na prova de vida dos seus comentários idiotas.
        Portanto, não é sobre a prova de vida de Jesus, falta sim prova de racionalidade de comentadores que, querendo fazer prova de vida, imitam apenas os papagaios.

      1. Esses dois evangelhos são atribuídos “oficialmente” aos dois discípulos de Jesus (apóstolos), mas é bem sabido que, tal como os outros dois, não foram redigidos por eles e, de facto, foram redigidos muito depois da morte de Jesus.

        Aliás, há algures no evangelho de Mateus uma indicação que mostra claramente que o seu autor nem percebia pevas da geografia da Palestina.

        1. Meu caro Luís,

          em tempos mantivémos uma conferência epístolar sobre este tema. Nesse período apresentava-me como anónimo; actualmente, e a pedido, apresento-me com “Vento” (Vento, no hebraico significa espírito – Ruha – e no grego significa sopro, que é espírito também) porque sobre o vento ninguém sabe de onde vem nem para onde vai.
          Aliás, permita-me enviar-lhe as minhas cordiais saudações e revelar que o Luís Lavoura é a prova vivida da afirmação de São João da Cruz, que é esta:
          “Para vires ao que não sabes hás-de ir por onde não sabes”.
          E para concluir este “sector” permita-me ressuscitar o pensamento Agostiniano (Santo Agostinho, Agostinho de Hippone):
          “Procurar Deus para encontrá-l´O; encontrá-l´O para sempre O procurar”.

          Por outras palavras, e em outra versão, novamente:

          Antes de ser um Livro, o Evangelho foi uma Palavra Pregada: antes de ser lido ele foi ouvido. Como Jesus tinha falado assim falaram os seus apóstolos, e estes não se contentaram em transmitir sua doutrina: acrescentaram-lhe um testemunho sobre sua vida e suas acções: “o que ele fez, o que ele ensinou”, como diz o livro dos actos dos apóstolos.
          Mais ainda, estes não se confinaram à Pessoa de Jesus, eles falaram e, posteriormente, escreveram também sobre João, o Baptista. Estes ensinamentos foram consigandos, PARCIALMENTE, por escrito, a fim de que fosse conservado com fidelidade.
          Convém ainda acrescentar que quando se testemunha a vida de alguém quase sempre se é tentado a usar a nossa própria vivência, criando uma certa identidade com o autor, a fim de que tais Palavras se tornem compreensíveis e sempre correspondentes (aplicáveis) a um tempo PRESENTE.

          – MATEUS, cujo verdadeiro nome é Levi, colector de impostos antes de ter sido chamado por Jesus, redigiu seu evangelho em aramaico, segundo uma antiquíssima tradição, pelo ano 60. Este texto, QUE NÃO FOI CONSERVADO, foi depressa traduzido em grego. O tradutor, EM CERTOS LUGARES, parece (CÁ ESTAMOS NÓS NO PARECE DE QUE LHE DEI CONTA) que se serviu do texto de Marcos;

          – MARCOS é o sobrenome de João, primo de Barnabé, do qual se fala no livros dos Actos 12, 12. É um discípulo de Pedro e COMPANHEIRO de Paulo em sua primeira viagem missionária. Seu evangelho representa uma apanhado dos ensinamentos de Pedro em Roma, pouco antes de 64. A minúcia de alguns detalhes indica-nos-nos que há nele um testemunho directo da vida e da actividade de Jesus.

          – LUCAS é de origem grega. É também companheiro das missões de Paulo, aquele mesmo que escreveu os actos dos apóstolos pouco antes de 68. Seu evangelho é, pois, anterior a esta data. Embora não tenha sido ele testemunha ocular dos acontecimentos, seu livro é digno de crédito pelo cuidado posto a documentá-lo. Ele utilizou certamente o texto de Marcos e o de Mateus.

          – JOÃO, este evangelho deve ser apresentado à parte, e pelo seu conteúdo revela-nos a necessidade de transmitir uma outra dimensão ao autor da inspiração, Jesus. Já escrevi sobre isto e remeto para anteriores partilhas tal escrito.
          Por último, gostaria de dizer-lhe que os ensinamentos de Jesus não se comprovam por meras ciências e estudos, mas por experiência. Experiência esta que não sendo mensurável por nenhum meio de diagnóstico científico observa-se pela transformação que opera no SER.
          Meu caro Luís Lavoura, a propósito de sua atitude devo transmitir-lhe uma breve revelação: “se me persegues é porque me encontraste”.
          E contrariando as evidências da ciência, comunico-lhe que é com Ele que o Luís tem um encontro marcado.

          1. Ia dizer que gosto muito de vê-lo de volta ao Delito, Anoniminho, mas vejo que afinal nunca deixou de andar por cá. Ainda bem, aprendo sempre consigo e é um gosto ter comentadores civilizados.

          2. Ser anónimo ou usar pseudónimo vai dar ao mesmo. Continua a ser anónimo

            MATEUS, cujo verdadeiro nome é Levi, colector de impostos antes de ter sido chamado por Jesus, redigiu seu evangelho em aramaico, segundo uma antiquíssima tradição, pelo ano 60.

            Resta saber se a “antiquíssima tradição” é verdadeira. Toda a religião cristã, aliás, é uma “antiquíssima tradição”, o que não implica que seja verdadeira.
            É preciso estudar cuidadosamente a escrita dos evangelhos para saber por quem e quando foram escritos. Essa não é a minha tarefa, evidentemente. Mas aquilo que li sobre o assunto indica que os estudiosos profissionais (incluindo alguns cristãos) concordam que eles foram escritos bem depois do ano 60. Possivelmente, aliás, já no ségulo segundo.

            O tradutor parece que se serviu do texto de Marcos

            Sim, os três evangelhos sinóticos são em grande extensão idênticos, sugerindo que uns copiaram os outros.
            O problema é que, se o tradutor se andou a servir de outros textos, isso quer dizer que não foi fiel ao original. De onde se pode duvidar da autenticidade do texto que temos.

            Embora não tenha sido ele testemunha ocular dos acontecimentos, seu livro é digno de crédito pelo cuidado posto a documentá-lo. Ele utilizou certamente o texto de Marcos e o de Mateus.

            Você está a confirmar o meu comentário. Temos um evengelho escrito duas gerações (=70 anos) depois da vida de Jesus, escrito na base de testemunhos indiretos (os quais podem ter sido parcialmente falsificados – “quem conta um conto acrescenta um ponto” – e que podem conter elementos de uma doutrina elaborada posteriormente ao próprio Jesus), testemunhos esses que não se sabe de quem foram.
            Você dá credibilidade a tal texto? Escolha sua.

            JOÃO, este evangelho deve ser apresentado à parte, e pelo seu conteúdo revela-nos a necessidade de transmitir uma outra dimensão ao autor da inspiração, Jesus

            Parece que de facto este evangelho muito pouco diz sobre a efetiva vida de Jesus. O que dela se julga que se sabe é baseado essencialmente nos outros três evangelhos, os quais, no entanto, parecem claramente ser todos eles cópias com acrescentos de um só relato.
            Ou seja, no final de contas temos aparentemente não quatro evangelhos de quatro autores independentes, mas sim um evangelho (crê-se que o de Marcos, que é o mais conciso dos três), que os outros dois copiaram e acrescentaram.

            Já agora, refira-se que estes problemas todos também se colocam com o Corão. Com a diferença de que os muçulmanos não os negam – eles sabem que Maomé era analfabeto e não escreveu nada, e que o Corão atual é o resultado de uma compilação e ordenação feitas uma ou duas gerações após Maomé.

          3. Meu caro Luís,

            Estou em crer que para mantermos este diálogo temos de colocar em ordem as afirmações que produzimos.

            A religião não o é sem tradição, ela produz-se e assenta na matriz do ser que tem necessidade de documentar a sua fé, quer por via oral quer por escrito; e é isto, associado a outras experiências, que a torna verdadeira.

            Posto isto não tem tem fundamento a afirmação que produz: “Toda a religião cristã, aliás, é uma “antiquíssima tradição”, o que não implica que seja verdadeira”.
            Aliás, a religião não é um mero conjunto de ritos, ela é também um elemento de ligação entre o Homem e si mesmo, isto é, a sua outra natureza.
            Curiosamente, a afirmação que “Deus criou o Homem à Sua imagem e semelhança” não nos revela que o Homem é igual a Deus, simplesmente nos dá conta dessa Imortalidade que muitos cristãos, ateus e outros mais ainda não são capaz de alcançar.
            Por outro lado, ao tomarmos consciência dessa Imortalidade que habita cada ser, repito, cada ser, aproximamo-nos do AMOR que é Deus. Sim, desse Amor que vence o temor, a repugnância, o adultério (adulterium significa falsificar, alterar e, consequentemente, adulterar) e nos aproxima ainda mais mais da verdadeira natureza a que chamamos Verdade (Caminho, Verdade e Vida).
            E esta Verdade é bastante fácil de escrutinar, porque ela, ao invés de destruir, CONSTRÓI; ao invés de falsificar, repõe a ORDEM Divina (símbolo da criação do mundo que pretende a harmonia do Homem consigo mesmo e com os outros homens e com tudo quanto rodeia, evitando, assim, que o Homem se substitua a Deus).
            Ao reconhecermos que este Amor habita todo o Homem (dizia Agostinho: Dei intimmior intimmo mio, Deus mais íntimo no meu íntimo – em cada íntimo) compreenderemos que todos somos o depósito dessa Vida para a qual devemos Caminhar.
            Mais ainda, este Deus não é um Deus egoísta, porque se o fosse queria-nos só para Ele. Todavia, Jesus revela-nos (no presente) que a única forma de fazermos este Caminho é exactamente em direcção ao Homem para alcançar DEUS. Logo, o objecto da transcendência reside em sairmos de nós mesmos para mais facilmente assumirmos o outro e aí vivermos um pouco a realidade do outro, onde Aquele Outro é também Criador.

            Acontece também que os demónios (que significa separardor) habitam os lugares desertos (recordo-lhe os 40 dias de Jesus no deserto, onde foi tentado), e mesmo quando exorcisados eles esperam sempre por uma pequena brecha (um pequeno deserto) para regressarem (e regressaram a Jesus na Paixão do Horto, mas foram vencidos naturalmente), porque eles são deserto; e deserto é local onde não habita vida.
            Exactamente para que este deserto fosse vencido (“O princípe deste mundo já está vencido”, afirmou Jesus), Jesus tomou a sua Cruz e derramou Seu sangue (sangue que é fonte de Vida para todos os desertos).

            Se reparou, eu procurei desmanchar as suas teorias e fontes com uma atitude catequética. Tudo isto para dizer- lhe que o Luís para encontrar Jesus tem de beber e comer Jesus (“Eu sou o pão da Vida, quem me come não morrerá; Eu sou a Luz do mundo, quem me segue viverá”).

            Quando o Luís aqui chegar compreenderá que JESUS não só existiu como ainda vive: “Eu sou a ressurreição e a Vida”, afirma Jesus à irmã de Lázaro.
            Por último, “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, porque todos vivem para ELE”; e Jesus, para evitar que permanecessemos como mortos, está aí para nos ressuscitar.

    2. Ah, Luís Lavoura, que canseira! Agradeça aos céus – ou ao nosso espírito cristão, que é do que trata este post – estarmos sempre dispostos a acolher a sua infinita necessidade de palco. Enfim, pelo menos até que a paciência se nos esgote, vá voltando.

  2. o Papa da compaixão ainda e sempre

    Vale a pena lembrar que as principais descrições de Deus no Corão são como “o Clemente, o Misericordioso” (ar-Rahman, ar-Rahim). O papa parece estar a aproximar-se do Deus descrito há treze séculos por Mafoma.

      1. … e entretanto, talvez por exame oral, Maomé foi dispensado da prova… de vida.
        Haja paciência para o pensamento de consistência zero…

        1. Também já ouvi dizer que há quem ponha em causa a existência de Maomé. É um facto.
          De qualquer forma, tenha ele existido ou não tenha, o Corão existe e isso é que é relevante para o meu comentário anterior (e para a religião islâmica, de facto, a qual, ao contrário da religião cristã, não gira em torno de nenhum homem concreto).

          1. xico:
            A consistência zero caracteriza-se por insistir sem nexo:
            “O Corão existe”… pois e a Bíblia deve ser alucinação colectiva.

            Também já ouvi dizer que não há diferença entre LL (Luis Lavoura) e o LL (Luck Lucky).
            A única diferença é que um defende o aborto (ortográfico) e outro não, evitando-se que uma personagem apareça tão saloia.
            A ausência de raciocínio minimamente complexo e reflexivo é evidente e confrangedora em ambos, para além de concorrerem com a mesma cartilha de um certo “pseudo-liberalismo”, comentando sem se comentarem.
            Enfim, uma tristeza continuada… recomenda-se psiquiatria.

          2. Se o irritei, alguma coisa estou a fazer certo.

            O resto que escreveu ficaria bem no Pravda no tempo dos Processos de Moscovo.
            É a mesma cultura.

          3. Deve estar certo, porque para mim seria errado ter como objectivo irritar alguém… e assim essa vontade continuada e persistente de me “irritar” (LOL), é capaz de ser mesmo coisa de cultura Parvda.

          4. Meu caro Luís,

            se estiver atento a alguns escritos e ensinamentos sobre Maomé verificará que o apresentam como “o profeta de Deus”. Porém os escritos originais (desafio quem quiser contrariar isto) indicam-nos Maomé como “um profeta de Deus”. É esta diferença do “o” e do “um” que o Luís não alcançou ainda.
            Por outro lado, este facto deita por terra sua afirmação: “(e para a religião islâmica, de facto, a qual, ao contrário da religião cristã, não gira em torno de nenhum homem concreto)”.

          5. No Islão Maomé é apenas um dos profetas de Deus. Juntamente com Jesus, os profetas hebraicos e, potencialmente, muito outros.
            Podem alguns autores terem-no designado como “o profeta”, mas é bem sabido – aliás, está no próprio Corão, no qual Jesus e Maria são extensamente referidos – que é apenas um dos profetas. (A maioria dos muçulmanos acredita que é o último e o mais perfeito dos profetas, mas isso não é consensual.)

          6. Faço notar que as minhas comparações entre as religiões islâmica e cristã neste ponto se baseiam num teólogo católico, Hans Kueng. Segundo ele, embora as três religiões monoteístas tenham todas um mesmo Deus, elas são de facto muito diferentes, porque (1) para o judaísmo, o foco principal é a aliança ente Deus e um povo específico; (2) para o cristianismo, o foco principal de adoração é Jesus; (3) para o islamismo, o foco principal da religião é um livro, o Corão.
            Ou seja, enquanto que o cristianismo gira em torno de um homem, o islamismo não. Para o islamismo, o importante é a palavra de Deus vertida num livro, o Corão, e o profeta, embora idolatrado por alguns, não é essencial – aliás, os muçulmanos mais puritanos fazem tudo para que Maomé não seja idolatrado). Para os cristãos, pelo contrário, o homem Jesus é o objeto principal da veneração e o centro em torno do qual a sua religião gira.

          7. Luís, é você que afirma: “Faço notar que as minhas comparações entre as religiões islâmica e cristã neste ponto se baseiam num teólogo católico, Hans Kueng. Segundo ele, embora as três religiões monoteístas tenham todas um mesmo Deus…”.

            Na realidade falamos de um mesmo Deus, e Jesus, na Unidade, participa dessa Natureza, que é a natureza dos Filhos de Deus que ele quer fazer despertar.
            “Quem diz amar a Deus e não ama seu irmão é mentiroso”. Logo, deixo-lhe aqui um conceito mais perceptível sobre a trindade: O Amor, o Amante e o Amado.

  3. Significativo que dogma esteja na Igreja e não quem defende as “questões fracturantes” especialmente vindas de pessoas que não são Catolicas.
    É o retrato da Esquerda. Proselitismo de querer controlar a vida dos que o não são. A Esquerda não é católica mas é religiosa. E puritana.

    Na verdade as questões fracturantes são só um meio para um objectivo . Hoje que esquerda já controla todo o Estado.
    Nos EUA, já está agora a tomar o controlo do ultimo reduto que não era de Esquerda: O Exército Americano.
    Fecha-se o ciclo desde o Ancient Regime. A Esquerda é hoje a aristocracia, o regime, o estado, o poder, o privilégio.
    Falta controlar as almas. Para isso precisa de controlar a Igreja e Deus.
    E lá chegará.

    A leis de Robert Conquest estão em vigor, especialmente a segunda:

    1. Everyone is conservative about what he knows best.
    2. Any organization not explicitly right-wing sooner or later becomes left-wing.
    3. The simplest way to explain the behavior of any bureaucratic organization is to assume that it is controlled by a cabal of its enemies.

  4. Quando o Papa Francisco põe 50 mil a rezarem pela cura de uma menina gravemente doente ficamos cheios de curiosidade de ver a cura da criança.

    Oxalá acontecesse.

  5. « […] é possível acreditarmos em Francisco sem que nos seja urgente redimirmos a Igreja Católica. Como se Francisco estivesse aqui para nos recordar que Cristo veio primeiro e só depois vieram a(s) sua(s) igreja(s).»

    Tal e qual. Aproveito para dizer que um dos olhares que o Papa lança ao miúdo (O:32/0:33; uma delícia) é, pelo menos para mim, elucidativo daquilo que é como pessoa.

    1. Concordo, Carlos. Naturalmente existe muito de marketing e deliberado nos passos que Francisco vai dando. Mas, em momentos como esse, impossíveis de preparar, parece-me haver muito de genuíno.

  6. Não sou em quem vai contrariar os méritos deste Papa. No entanto noto que há uma tendência para atribuir a este Papa virturdes e aos outros defeitos. A diferença deste para os seus antecessores, chama-se media, soundbites, facebook, twitters, etc. Só!
    Como se João Paulo II ou Bento XVI se recusassem a beijar ou abraçar doentes!
    Já agora, as palavras de Jesus (atribuídas, pronto, Sr. Luís Lavoura) não são de mimar as pessoas como se pretende. Ele disse que vinha trazer a espada. E quando diz que para o seguirem é preciso não voltar atrás nem para enterrar o pai, não me parece que seja meiguinho ou bonzinho, ou para fazer inquéritos para saber o que o povo gosta e pensa…É duro. Muito duro! Ele perdoa a mulher pecadora porque todos somos pecadores, mas avisa-a que não torne a pecar. Não contemporiza!

  7. Sou católica, mas pouco praticante em idas à missa e afins, porque o que tenho presenciado na igreja, está fora dos parâmetros do verdadeiro catolicismo. Oxalá este PAPA, homem de grande carácter, fiel aos seus princípios, capaz de motivar até os mais cépticos, desprovido dos prazeres terrenos, perdure fiel aos seus princípios e dê ao mundo o exemplo do que é governar sem mordomias. Francisco é o soberano do Vaticano, mas vive para o seu semelhante, como mais um e não como o todo poderoso. Oxalá que os todos poderosos do mundo, olhassem para este homem como um exemplo a seguir. Bem haja PAPA FRANCISCO!

    1. A Igreja é a Maria, sou eu, e todos os crentes. Como a Maria também sou católico e também pouco vou à missa. Vou porque acredito na oração em comunhão com os demais e com Cristo, independetemente dos pecados da Igreja, que são os meus, e dos outros. Quando não vou é só por preguiça. Ao Domingo tenho preguiça em vestir-me e sair para ir ter com os outros.
      Quanto às mordomias dos papas, não confundo luxo oficial e de estado com prazeres individuais. Todos os Papas que conheci e dos do século passado e deste, teriam dispensado de bom grado as mordomias, mas o simbólico também dá valor e é um valor em si.
      Não acredito naqueles que não vão à missa por causa dos pecados dos outros. Então não devem ir, de facto. Para verem a fagulha no olho dos irmãos, é melhor ficar quieto.

      1. Fui assídua à missa, educada em colégio católico e acredito em Deus acima de tudo. Não vou à missa e como eu há uma enormidade de católicos. Não me sinto bem, num sítio onde vejo pessoas que estão ali unicamente para lavar a própria imagem. Além do mais, até alguns representantes da igreja têm comportamentos pouco dignos do mesmo e não sou só eu que assim penso, pois até o PAPA FRANCISCO disse: “Muita gente diz que acredita em Deus, mas não nos padres. E… fazem muito bem. Muitos de nós padres não merecemos que acreditem em nós” papa Francisco in revista/expresso. Não preciso de ir à missa para rezar, nem tão pouco para ver a faúlha no olho do irmão e não deixo, sempre que posso, de ajudar aqueles que me pedem ajuda se possível no anonimato. O luxo dos papas existiu sempre e só não vê quem não quer. Mas também afirmo que se amanhã tivesse hipótese de ir a uma missa com o PAPA FRANCISCO, lá estaria sem margem para dúvidas.

        1. São duas maneiras de ver o mesmo. A Maria vai à missa pelo celebrante, eu vou porque acredito na força da oração em comunhão com Cristo e os outros. O que não devíamos precisar era de lá ir para ver um Papa, quando acreditamos que Cristo está lá presente na Eucaristia, todos os dias. Não devia haver maior alegria e felicidade para um católico do que a missa quotidiana.
          Mas pecado grande é o orgulho e a vaidade. Aqui estou eu tentando parecer melhor que a Maria quando sou maior pecador. Afinal não vai à missa por ter um motivo. Eu não vou pelo pecado da preguiça.
          Mas veja bem a compaixão de Francisco com aqueles que pecam. Não deveria ser um exemplo para nós? Olharmos com compaixão aquelas pessoas que nos incomodam na igreja? Afinal não parece que sejamos muito diferentes desses que criticamos.

          1. Eu não vou à missa pelo celebrante, simplesmente neste momento não vou. A igreja como disse, somos todos nós e se nessa mesma igreja existe alguém que tem o poder de nos cativar, então vamos e eu vou. Felizmente, este PAPA tem esse dom enorme de cativar. O senhor diz-se um pecador, no aspecto de não ir à missa ou à igreja, eu ao contrário não me julgo pecadora por esses motivos. Para mim, o pecado é ver o outro cheio de fome e não lhe estender a mão com comida……… Não vale a pena continuarmos nesta discussão, quando ambos temos maneiras diferentes de ver as coisas……

  8. Olha Rui, os comentários não são essencial neste caso, porque esgrimem o que desde há muito se ouve. Uns acreditam, outros não. Uns aceitam, outros não.
    O essencial é o teu texto, como sempre excelente, mesmo para aqueles “pouco racionais” que, como eu, acreditam…

  9. Parabéns RR. Saúdo esta sua capacidade de dar-se (muito) bem com temas de humor, e com outros, ditos, sérios.
    Realmente uma coisa é um homem. Outra coisa, muito diferente, é uma organização, por mais pia que pareça a denominação adoptada ….
    E a escolha é simples.

  10. Mermão,

    parabéns, vai muito bem esgalhada essa prosa. Mas devo recordar-lhe algo que é de suma importância nestas matérias, a propósito do mudar. Saiba que por vezes para mudar algo é necessário fazer-se de conta que não se está a mudar nada, mas devemos sempre mostrar que verdadeiramente agimos e pensamos diferente.

    Agora sobre as questões ditas do conhecimento: Se quisermos saber sobre Deus devemos estar abertos a falar com os teólogos, e se quisermos saber sobre o amor a Deus devemos falar e escutar com quem ama.

  11. E com a deriva dos comentários não te disse que gostei muito do teu texto. Não se pode dizer que haja ainda mudanças de fundo na igreja católica, é verdade, mas continuo a acreditar que elas virão. E alguma coisa me diz que isso acontecerá pela mão deste Papa Francisco, que tanto tem surpreendido pela revolução na atitude pessoal. As grandes mudanças são lentas, é certo, e a minha dúvida é se este homem terá tempo para fazê-las de forma visível ou, pelo menos, deixá-las preparadas de modo a que não haja recuo. Só o tempo e as circunstâncias o dirão, mas ele deixará pelo menos o exemplo pessoal. E isso já é muitíssimo.

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