França: os últimos 50 anos


Pedro Correia,

Lembrei aqui quem foram os inquilinos da Casa Branca, ano a ano, durante o último meio século – de Lyndon Johnson, em 1967, a Barack Obama, agora na recta final do seu mandato.

Como estamos a seis meses da eleição presidencial francesa, em que François Hollande – caso se recandidate – se arrisca a sofrer uma derrota de proporções históricas, é hoje a vez de recordar quem foram os inquilinos do Palácio do Eliseu desde 1967.

Volto a dividir este período por um período de cinco décadas, para uma consulta mais fácil. Só altero as cores: vermelho para os Chefes do Estado mais conotados com o socialismo, azul para aqueles que assumiram ser conservadores ou liberais.

Em breve seguir-se-á outro país.

 

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1967/76

1967 – Charles de Gaulle

1968 – Charles de Gaulle

1969 – Georges Pompidou

1970 – Georges Pompidou

1971 – Georges Pompidou

1972 – Georges Pompidou

1973 – Georges Pompidou

1974 – Giscard d’ Eistang

1975 – Giscard d’ Eistang

1976 – Giscard d’ Eistang

O conservador Pompidou, continuador do gaullismo sem De Gaulle, foi a figura dominante nesta década de transição em França. Até à sua morte prematura.

 

 

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1977/86

1977 – Giscard d’ Eistang

1978 – Giscard d’ Eistang

1979 – Giscard d’ Eistang

1980 – Giscard d’ Eistang

1981 – François Mitterrand

1982 – François Mitterrand

1983 – François Mitterrand

1984 – François Mitterrand

1985 – François Mitterrand

1986 – François Mitterrand

Outra década, mudança de ciclo político em Paris. Com o socialista Mitterrand – derrotado nas presidenciais de 1965 e 1974 – a impor-se enfim na eleição de 1981.

 

 

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1987/96

1987 – François Mitterrand

1988 – François Mitterrand

1989 – François Mitterrand

1990 – François Mitterrand

1991 – François Mitterrand

1992 – François Mitterrand

1993 – François Mitterrand

1994 – François Mitterrand

1995 – Jacques Chirac

1996 – Jacques Chirac

Segunda década com predomínio de Mitterrand no Eliseu. Foi até agora o mais longo consulado dede o início da vigência da V República francesa, em 1958.

 

 

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1997/06

1997 – Jacques Chirac

1998 – Jacques Chirac

1999 – Jacques Chirac

2000 – Jacques Chirac

2001 – Jacques Chirac

2002 – Jacques Chirac

2003 – Jacques Chirac

2004 – Jacques Chirac

2005 – Jacques Chirac

2006 – Jacques Chirac

Um decénio completo sob a presidência de Chirac, discípulo político do general De Gaulle. Conservador, beneficiou no entanto do voto maciço da esquerda contra Jean Marie Le Pen na segunda volta das presidenciais de 2002.

 

 

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2007/16

2007 – Nicolas Sarkozy

2008 – Nicolas Sarkozy

2009 – Nicolas Sarkozy

2010 – Nicolas Sarkozy

2011 – Nicolas Sarkozy

2012 – François Hollande

2013 – François Hollande

2014 – François Hollande

2015 – François Hollande

2016 – François Hollande

Uma década repartida em partes iguais entre a direita e a esquerda. Na segunda metade da década em contraciclo com a Alemanha e o Reino Unido, onde predominaram os conservadores.

 

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Balanço: a direita política dominou o Eliseu em 31 dos últimos 50 anos (percentagem: 62%). Com cinco presidentes: De Gaulle, Pompidou, Giscard, Chirac e Sarkozy.

O Partido Socialista teve dois inquilinos no palácio presidencial durante este meio século (percentagem: 38%). Com apenas dois titulares: Mitterrand e Hollande.

4 comentários em “França: os últimos 50 anos”

  1. Pompidou foi de facto continuador do gaullismo sem De Gaulle e até “contra” De Gaulle, com quem se tinha agastado e de quem se tinha afastado na sequência dos acontecimentos de Maio de 68.

    Neste caso com toda a razão, como se veio a provar.
    Mas quem se lembra de De Gaulle relembra como a sua visão das coisas não era muito diferente da de Luís XIV e o seu “L’État c’est moi”…

    1. Curiosamente, os anos Pompidou – os anos pós-Maio de 68 – são hoje lembrados com indisfarçável nostalgia em França. Tudo quanto simbolizava aquela época – da música aos automóveis – é hoje alvo de uma vaga de revivalismo sem par.
      “C’Était le bom temps”, dizem eles.
      O culminar dos chamados “trinta anos gloriosos” subsequentes à II Guerra Mundial, de taxas de crescimento assombrosas, industrialização acelerada, pleno emprego, inéditas conquistas sociais.
      Sucede quase sempre assim, entre as pessoas e os povos: só é dado o devido valor a determinada época depois de passar à história.

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