Fractura exposta


imagenscomhistoria,

Daniel Oliveira viu assim "Slumdog Millionaire":

"E os Oscares, esta noite, foram, como se esperava, para um teledisco com a pobreza em cartão postal de cores fortes. Uma fotonovela de amor mal amanhada com as personagens com a mesma densidade de uma série para adolescentes. Realização para encher o olho e um retrato da Índia digno de um guia turístico de bolso."

Espantoso que Daniel Oliveira, guru do Bloco de Esquerda na blogosfera, não veja mais além. Como seria de esperar, na sua opinião, só Sean Penn salvou a noite.

Um destes dias ainda alguém o vai convidar para crítico de cinema, defensor de causas fracturantes.

Apetece-me ligar para um programa de discos pedidos. Quero ouvir o Jorge Palma na música da etiqueta deste post.

22 comentários em “Fractura exposta”

  1. O problema se calhar foi não ter aparecido lá ninguém a malhar no W. Bush (que obviamente não deixou saudades).

    1. Não faças isso, João! O homem rotula logo o filme de “guia turístico de bolso”.
      Adoro estes clichés vazios que alguns intelectualóides de esquerda utilizam há 30 anos . Tenho quase a certeza que lhes serve de vibrador mental…

  2. O Daniel Oliveira não aprende. Histórias pensadas para todos, com condições para quase fazer o pleno? Vulgaridades. As coisas fracturantes é que estão a dar. É de grande intelecto.

    1. Já tinha percebido que temos gostos muito semelhantes em matéria cinematográfica, Pedro. Emrelação a SM encheu-me as medidas, como escrevi no Rochedo, apesar do tom meloso dos 20 minutos finais, que interpretei como uma concessão de Danny Boyle a Bollywood.

    2. Três, caro Pedro. Eu também gostei. Este filme, “Quem quer ser Milionário”, mereceu, sem dúvida, todos os óscares que ganhou (Foram 8 e admitamos que a Academia sabe o que faz). É um filme que nos leva a pensar, mesmo que por breves momentos, melhor das pessoas. Melhor do mundo. E isso faz mais falta. Actualmente, isso faz mais falta do que activistas dos Direitos dos Homossexuais.

      Se calhar, as causas fracturantes tiram tempo para ver o que realmente interessa.

  3. eu devo ser a única pessoa que não sabe quem é Daniel Oliveira .. mas pelo que leio, também não faz mal. Não gosto particularmente de quem fala por falar, escreve para fazer eco e desdenha do que jamais conseguirá concretizar.

    1. Como sou leitor compulsivo e agarro tudo o que vem à mão, tenho um comportamento idêntico na blogosfera. Devo dizer, porém, que por vezes concordo com o que escreve o Daniel Oliveira. nete caso concreto fiquei com a impressão que nem viu o filme e seguiu a vox populi do seu círculo, mas posso estar enganado…

  4. Curiosamente vi o filme ontem mesmo. Gostei. Gosto de filmes que mostrem a pobre realidade de alguns locais ou situações.

    Gostei de Diamante de Sangue, Black Hawk Down, Tropa de Elite, Cidade de Deus, O último rei da escócia…

  5. Daniel Oliveira tem todo o direito aos seus gostos cinéfilos e até reconheço que nesta coisa de filmes ou até de músicas nunca encontraremos unanimidades.

    Não posso afirmar que Slumdog foi um justo vencedor, porque ainda não vi todos os candidatos.

    Já o que não aceito é que para valorizar as minhas escolhas tenha que “malhar” nos outros filmes como parece fazer Daniel Oliveira, reduzindo Slumdog ao cliché amoroso.
    Como escrevi no meu blogue gostei Slumgdog Millionaire e considerei-o um forte candidato.

    1. Dos nomeados só não li “O Leitor” e continuo a considerar SM como o melhor entre os 4 que já vi.
      O problema do Daniel- e de alguma intelectualite bloquista- é mesmo o que apontas, Salvo. Escarnecem daquilo que não gostam e armam-se em detentores da verdade absoluta. Depois dizem que os outros é que são intolerantes.
      Goste-se ou não, reduzir SM à apreciação do Daniel, parece-me snobismo.

  6. Eu também gostei imenso do filme, e mais: é o bom e velho entertenimento, uma das grandes funções do cinema. E ainda tem mensagem, originalidade e ironia. Só agora soube que tinha ganho tantos óscares e não fico nada admirada: o filme é uma homenagem ao próprio cinema. Ao de Hollywood e ao de Bollywood, ainda por cima. Quem só vê no filme a historiazinha de amor com final feliz, ou um retrato dos bairros de lata de Bombaim, não vê, na minha opinião, nem metade do filme. A própria inverosimilhança da história traduz a magia do cinema… estou errada?

  7. Concordo plenamente com o que o Carlos diz do filme SM. De facto dispensavam-se alguns rodriguinhos da parte mais final do filme. Agora reduzir o filme ao enredo “amoroso” Balhamedeus. A mim pareceu-me exactamente o contrário… o filme É, apesar do enredo amoroso… Mas não adianta. Cassetes há muitas. Podem travestir-se de modernaças PEN drive, sei lá… Estes revolucionários do tudo ou nada, cada vez se me apresentam mais como pouco sabedores do que quer que seja… e “snobentos”… balhamedeus, muito “snobentos”…
    :)))

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