
Enquanto alguns intelectuais e vários jornalistas se afadigam para “refazer” a História, tornando-a “exacta”, querendo afrontar o que dizem “silenciamento” e “falsificação” do passado, e nisso considerando que as formas como entendemos o real e nele actuamos são simples reflexos das maldosas mundivisões de Bartolomeu Perestrelo, Gomes Eanes de Zurara e coevos facínoras, em 2021 assistiu-se a um curioso esforço colectivo de “desenvendamento”, de “reescrita da História”, com o evidente propósito de nos desalienar, de nos tornar mais capazes de interpretar o real, de entender os ideais vigentes e as categorias intelectuais que comandam as práticas dos agentes sociais na actualidade. Curiosamente nenhum desses intelectuais e jornalistas avessos aos aparentes proto-sorelianos Duarte Barbosa, João dos Santos ou João de Barros, se associou a este movimento de esclarecimento histórico.
Falo da publicação de vários textos dedicados às FP-25, dirigidas pelo entretanto falecido Otelo Saraiva de Carvalho, e aos múltiplos ecos que esses textos tiveram. O que terá servido, espero eu, para derrubar o esforço falsificacionista de uma certa intelectualidade da esquerda – alheia ao PCP – que sempre usou a glorificação desse indivíduo para reclamar o monopólio do ideal democrático entre aqueles que adeptos da insurreição armada avessa à democracia liberal. Nisso falsificando a História recente de Portugal, procurando apagar a realidade do terrorismo assassino de que aquele Carvalho foi líder.
Claro que há renitentes em enfrentar tal situação. À minha pequena escala também o assisti: entre outros textos dedicados ao falecido terrorista, botei sobre um académico do CES de Coimbra que continua o esforço de falsificação histórica, elidindo o terrorismo de Carvalho e reduzindo os que nisso atentam a adversários da democracia, e notei o total silêncio dos pares de Coimbra (e da comunidade universitária nacional) diante de tal dislate. E a esse propósito logo tive aqui [no meu mural de FB] um lusomoçambicano, antigo (se é que há “antigo” nestas coisas) agente da SNASP (a polícia política da I República moçambicana) a chamar-me “fascista”, no que foi secundado por gente com algumas similitudes biográficas, entre as quais antigas (mas não futuras) visitas de minha casa. Num verdadeiro caso de admiração pelo terrorismo que bem mostra que “les beaux esprits se rencontrent”…
Esta longa introdução “desabafante” vem a propósito de um belo texto agora publicado pelo “Observador” dedicado à história das FP-25: “FP-25 de Abril: As Bombas, as Balas, e os “Inimigos a Abater“. Trata-se de um bom trabalho de investigação, que não deixa campo para os que insistem na elisão da dimensão daquele processo, e ainda nos mostra como alguns desses terroristas continuam na actualidade vinculados aos mesmos ideais de insurreição armada – sabendo nós também que alguns deles ocupam postos nas listas eleitorais do BE e cargos de relevância universitária.
Deixo ligação para o excelente artigo de leitura recomendável – para não cair no sempre irritante imperativo do “leitura obrigatória”. Chamo a atenção para que tem um belíssimo grafismo, o qual torna ainda mais apetitosa a leitura. E, muito relevante, é de acesso livre. Ou seja, serviço público. Em prol da democracia. E nisso avesso aos intelectuais e jornalistas aldrabões, carpideiros do “otelismo”. E, também, decerto, avesso aos agentes da SNASP e seus apoiantes.

há mais que 25 filhos da puta
‘…sabemos nós …. alguns deles ocupam postos nas listas eleitorais o BE e cargos de relevância universitária’
Se ‘sabemos nós’, quem são eles? Nomes? Quais cargos de relevância universitária? Em que Universidades?
Ao palerma do Otelo nunca lhe passou pela cabeço ser tratado pelo “líder Carvalho”, para quê esta do “Carvalho”
A esta hora estarão os moçambicanos a contar pelos dedos para saber se em 1987 estavam na I República e pelas muitas revisões constitucionais, pontuais ou mais abrangentes, havidas, em que “República” estarão agora. Se a FRELIMO tem sempre estado no poder, para quê “I República” nunca tendo havido outra?
A investigação do “Observador” seria espectacular indicando o nome dos mascarados na reunião da Serra da Estrela, conhecidos por toda a gente pela voz. Quem eram os tipos?
É pena não abordarem o que também constou sobre os rapazes que teriam fugido para o Brasil com uns dinheirinhos dos assaltos e, dizem, regressaram anos depois para entrar nas “privatizações”.
Anónimo, você deve pensar que por andar embuçado pela internet a defender a memória dos terroristas e a actualidade de quem lhes dá cobertura afectiva, ideológica e institucional, adquire o estatuto de “clandestinidade” próprio à acção revolucionária. Desiluda-se, você segue apenas como um anonimozeco, ignorante ainda por cima. Quanto à sua primeira pergunta, bem demonstrativa do seu furor revolucionário, a resposta é simples: quem são? A parte do meu postal que refere o assunto tem uma ligação (bem visível) a um texto meu (assinado, eu não ando aqui a brincar à tal “clandestinidade” revolucionária) que refere nomes e instituições universitárias e de formação profissional. Quer mais?, não lê a imprensa geral nem escuta os seus ecos, fica-se pelos folhetos clandestinos? Pois a presença de operacionais terroristas em alguns partidos da esquerda foi identificada em vários textos bastante ecoadas há pouco tempo (por exemplo https://www.sabado.pt/portugal/deta lhe/os-fp-25-que-resistem-nas-listas-ele itorais ). Ou isto é a “Voz da América”, um coro de mentiras imperialistas? A segunda pergunta? Porque trato um homem pelo seu apelido? Acha que isso se pergunta? Terceira: tivesse aí o seu nome, em registo educado e não nessa pantominice, eu explicar-lhe-ia, de modo rápido, porque é o termo “I República” usado de modo abrangente no discurso político moçambicano, sendo curial e desprovido de sub-texto a sua utilização. Mas isso, parece-me pelo seu borboto, sabe bem você… Quanto às “traições à causa” de alguns dos seus camaradas isso é problema seu, elabore lá no seu canto os seus resmungos. Enfim, e decerto que perceberá o que lhe digo: suca daqui.
Está a fazer confusão com essa do ‘seus camaradas’.
Agora já sabemos o nome dos tipos condenados por terrorismo do grupo do Carvalho que fazem parte das listas do BE, nesta caso da lista de geriatria. Falta conhecer os professores universitários, e de que Universidades, com certeza, também, a fazer parte do “grupo dos velhos”. Quem é essa gente?
Falta a questão da “I República”. Como sabe, de certeza melhor que eu, no regime republicano designamos I, II, III República quando por, normalmente, movimentos revolucionários sejam alterados os princípios da Lei Constitucional existente até então.
Julgo que os princípios da primeira Lei Constitucional de Moçambique não foram alterados, logo estarão na ” I República” e como não houve “outra” para quê o desnecessário realce?
Os gajos das FP25 foram julgados (leu o processo do julgamento?) pelos actos terroristas, assim lhes querem publicitar dando jeito a uns e a outros, quando não passou de actos de actividade criminoso com assaltos e assassinatos dos que actuaram com cara à mostra, e os outros de cara tapada nunca foram condenados nem sequer pela voz.
Bom, temos agora à baila estes para atirar ao BE e também deve aparecer, aparece sempre, o caso da queda do avião em Camarate, e sabe-se lá se vão aparecer os do referendos sobre ser ou não ser República e do ser ou não ser III República.
Mas não fique chateado com uns simples reparos/comentário, e como diria o outro ‘isto é só a gente a falar’
Zé da Silva
“Zé da Silva”? Repito, suca daqui.