Costuma dizer-se que Dune, de Frank Herbert, está para a ficção científica como The Lord of the Rings, de Tolkien, está para a fantasia. Não quero de modo algum desvalorizar a obra de Herbert, a todos os níveis notável; no entanto, diria que a grande epopeia da ficção científica foi escrita não por ele, mas por Isaac Asimov: a série Foundation.
Asimov foi – é – considerado um dos “três grandes” da ficção científica, a par de Clarke e Heinlein. Com toda a justiça, diga-se de passagem : é o autor das ultracitadas “Três Leis da Robótica”, e da aclamada série “Robot”; da sua autoria é também o mais famoso conto de ficção científica de todos os tempos, Nightfall; e, mais importante ainda, é o autor de Foundation, uma das obras que se poderá gabar, sem falsa modéstia, de ser um dos textos essenciais do género.
A história de Foundation tem início num futuro distante, no qual a raça humana colonizou a espiral da Via Láctea de uma ponta à outra, na forma de um Império Galáctico que se estende por milhões de planetas e governa triliões de pessoas. A capital do Império, perto do centro da Galáxia, é a cidade-planeta de Trantor – e nela vive Hari Seldon, o eterno (e ausente) protagonista da série, o matemático prodigioso que estabeleceu o princípio de que o futuro da raça humana, enquanto observação das massas, pode ser previsto e determinado com precisão através da resolução de equações matemáticas. Nasce assim a “Psicohistória”, ramo científico apenas dominado na perfeição pelo próprio Seldon, e que deu ao seu fundador a capacidade de ver o declínio do Império, já em curso, e a sua inevitável queda, à qual se seguiriam trinta milénios de barbárie em redor de estilhaços da civilização espalhados por entre as estrelas.
Pretendendo alterar o curso da História e reduzir o período de ocaso da humanidade para apenas um milénio, Seldom embarca numa viagem, com todos os seus cientistas, para o distante planeta de Terminus, na orla da Galáxia. E em Terminus nasce a Foundation, uma cidade dedicada ao projecto de elaborar uma “enciclopédia galáctica”, um repositório de conhecimento científico que permitisse à raça humana renascer após as trevas da queda do Império.
Seldon prevê, através da psicohistória, que a Foundation teria de atravessar várias “crises” ao longo dos tempos. E são essas crises que, em termos de estrutura narrativa, marcam as cinco partes de Foundation: a primeira, em jeito de prólogo, narra a história da partida de Seldon de Trantor e o estabelecimento da Foundation; a segunda parte, intitulada “os Psicohistoriadores”, conta a história da Foundation após a morte de Seldon e a nascente sociedade de Terminus governada pelos seus sucessores; a terceira parte tem o título “The Mayors”, e mostra uma Foundation já governada pelo poder político, e envolvida em tensões político-económicas com os mundos que lhe estão mais próximos à medida que o declínio do Império se acentua e este perde o controlo da periferia galáctica; na quarta parte, intitulada “The Traders”, narra a ascensão do poder económico tanto no interior da Foundation, em Terminus, como na sua expansão para os mundos próximos; e, por fim, a quinta parte da história revela uma Foundation dominada pelo poder económico, que leva a sua influência a vários mundos da orla da galáxia – muito adequadamente, esta parte tem o título de “The Merchant Princes”. Todas estas etapas, que abrangem um período de sensivelmente 150 anos, foram matematicamente previstas por Hari Seldon, que determinou com exactidão a natureza de cada crise.
A história de Foundation não acaba aqui: a série tem um total de sete livros, com quatro sequelas e duas prequelas ao livro original. A Foundation segue-se Foundation and Empire, Second Foundation, Foundation’s Edge e Foundation and Earth; Prelude to Foundation e Forward the Foundation narram os eventos que antecederam a partida de Seldon e o estabelecimento da Foundation. Mas essas histórias, que eu mesmo ainda estou a descobrir (vou no terceiro volume), deixo-as à curiosidade do leitor.
Foundation
eventhorizon,


Alguém que leu o Foundation na blogsfera portuguesa! Acho que é um facto absolutamente inédito. Obrigada por este post e pelo entusiasmo.
(assina uma fã de Asimov e da série e de mais uns quantos do mesmo autor e de outros autores também referidos do post e ainda outros não referidos, enfim, da série, autor e género)
Ora essa, eu é que agradeço o entusiasmo. Asimov está entre os meus autores de culto… A série Foundation está a ser uma delícia. Assim haja tempo – que entusiasmo não falta -, e continuarei a escrever sobre FC.