Décima sétima vitória em torneios do Grand Slam (recorde masculino absoluto; Pete Sampras, o segundo na lista, venceu catorze). Sétima vitória em Wimbledon (recorde de Pete Sampras e de William Renshaw* igualado). Recuperação do primeiro lugar no ranking ATP e garantia de igualar o recorde de número de semanas nesse posto (faltava-lhe apenas uma para atingir as 286 de Sampras), devendo mesmo ultrapassá-lo (não se prevê que venha a ser destronado pelo menos até aos Jogos Olímpicos). Trinta anos de idade (trinta e um dentro de um mês), mais cinco que os principais adversários. Casado, pai de duas gémeas de três anos. Nos últimos dois anos e meio, um período em que não conseguiu vencer qualquer Grand Slam (então escrevi isto e continua a aplicar-se) muitos deram-no como acabado. Not quite. É que nem pouco mais ou menos.
* Mas as vitórias de Renshaw foram na década de oitenta do século dezanove, altura em que o vencedor de um ano tinha entrada automática para a final do ano seguinte; só em 1922 todos os participantes começaram a ter de passar pelo quadro geral.
Adenda (Segunda-Feira, dia 9, 8:45h)
1. Ontem fazia tenções de o referir e depois esqueci-me: este foi o torneio dos atletas com trinta anos, uma vez que Serena Williams, também com essa idade, venceu no quadro feminino.
2. É um excelente momento para ler (ou reler) o artigo que, em 2006, David Foster Wallace escreveu sobre Federer (e o ténis em geral).
(Foto retirada daqui.)


Excelente post. Um dos melhores desportistas de todos os tempos.
Só um acrescento em relação a Renshaw: ele foi um dos percursores da táctica “serviço-rede”, apelidada na sua época como de “Renshaw rush”. É verdade que era um jogo essencialmente aristocrático mas os jornais falam das primeiras enchentes em wimbledon para ver este fabuloso tenista que executava volleys e smashes nunca antes vistos, numa altura onde os pesados jogadores do fundo do court dominavam.
Pedro: o seu comentário vem mesmo a propósito porque, numa era em que o serviço-rede quase desapareceu e as subidas à rede voltaram a ser raras, Federer igualou o recorde de Renshaw e de Sampras (outro especialista em volleys e smashes), indo muito mais vezes à rede do que vem sendo hábito. Na final, Federer subiu em 68 pontos, vencendo 53 (taxa de sucesso de 78%). Duvido que nos últimos anos alguém tenha vencido Wimbledon indo tantas vezes à rede (certamente que não Nadal nem Djokovic). Mesmo Federer, no caminho para a final, o fez muito menos: nunca passou das 39 subidas e contra Djokovic apenas subiu 22 vezes (e – prova das capacidades defensivas deste – só ganhou 14 pontos, o que representa uma taxa de 64%). Eu respeito imenso as capacidades de Djokovic e Nadal mas, como fã de variação e ataque, fiquei satisfeitíssimo por ver uma final muito mais “típica” do torneio de Wimbledon.
http://www.atpworldtour.com/News/Te nnis/2012/05/Features/Brain-Game-Federer-N ets-Wimbledon-Title.aspx
Excelente análise no site da ATP.
Infelizmente todos sabemos os motivos do declínio do serviço-rede como táctica preferencial e consistente em relva: redução da velocidade do piso, com a mudança do tipo de relva em 2001 e a enorme evolução das raquetas desde os anos 90 para cá.
Ainda assim, o Federer faz reviver um pouco este estilo clássico e super ofensivo, ainda que longe da sua actuação contra Sampras em 2001 que o lançou para a alta roda do ténis mundial.