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«O PEV definiu um conjunto de prioridades que corresponde também a um conjunto de prioridades do PS.»
António Costa, ontem, na sede dos “Verdes”
De eleição em eleição, o Partido Comunista Português vai recuando. Já foi maioritário em largas parcelas do território nacional, que nas manhãs seguintes a cada escrutínio surgiam pintadas a vermelho nas páginas dos jornais. Hoje, em 308 concelhos, os comunistas estão confinados a dois: Avis e Mora, por sinal dos mais desertificados do País.
Tiveram os piores resultados de sempre nas presidenciais de 2016, nas autárquicas de 2017 e nas europeias de 2019. Acabam de registar novo recorde mínimo, desta vez em eleições legislativas: em quatro anos perderam 115 mil votos. Têm agora apenas cerca de 330 mil, correspondentes a uma percentagem de 6,5%. Se compararmos estes números com os que obtiveram no seu ponto máximo, em 1979, verificamos que os comunistas recuaram 150% em percentagem eleitoral e ficaram circunscritos a um quarto dos parlamentares então eleitos. Eram 47 em 250, agora são só 12 em 230. Há 40 anos, o PCP recolheu 1.129.322 boletins de voto, o que lhes proporcionou uma percentagem de 15,7%.
Tempos irrepetíveis.
Tudo se vai reconfigurando no reduto comunista, cada vez mais exíguo e acantonado.
Tudo? Tudo, não. Neste depauperado cenário eleitoral – que deixa de fora deputados como Carla Cruz, Bruno Dias, Rita Rato e Jorge Machado, além de Paulo Sá, que já não figurava na lista, e do reaparecido Miguel Tiago, remetido para um distrito de eleição impossível só para picar o ponto – há um partido que jamais recua. É o mesmo que nunca se submeteu a um teste eleitoral sem ser como muleta dos comunistas – essa fraude política chamada “Partido Ecologista Os Verdes”, existente desde 1982. Mantém dois deputados, chova ou faça sol. Desta vez, por obscuros motivos que escaparam ao escrutínio jornalístico, a gerência comunista decidiu excluir da eleição a “verde” Heloísa Apolónia, que passara metade da sua vida como deputada profissional – também ela remetida a um distrito de eleição impossível.
Vai iniciar-se outra legislatura. Lá surge de novo esta fraude política em todo o esplendor, funcionando como duplicação do tempo de intervenção dos comunistas no hemiciclo de São Bento, em organismos estatais como a Comissão Nacional de Eleições e o Conselho Nacional de Educação – e também no jornalismo burocrático que hoje predomina em vários circuitos informativos.
Foi o que voltou a suceder ontem, com a delegação socialista presidida por António Costa a visitar a sede do PEV, a manter “negociações” com os inquilinos daquela casa e alguém (não a desaparecida Heloísa, presumível dissidente) a falar em nome do partido-satélite do PCP, como se este tivesse um milímetro de autonomia estratégica. Um filme de ficção transmitido à hora dos telejornais.
Observo este lamentável teatro de sombras, caucionado por Costa, e questiono-me até quando a lei eleitoral portuguesa permitirá que uma agremiação partidária funcione durante mais de 35 anos sem nunca concorrer isolada às urnas. É uma pergunta que devia ser feita com insistência aos responsáveis políticos. Mas fica sempre por fazer. Infelizmente, também muitos jornalistas colaboram nesta farsa, fingindo levar a sério um partido que não existe.

É uma constante dos verdes serem subjugados pelos vermelhos.
Antes ser verde do que encornado.
até quando a lei eleitoral portuguesa permitirá que uma agremiação partidária funcione durante mais de 35 anos sem nunca concorrer isolado às urnas
O problema não é esse. Não é a lei eleitoral que deve ser alterada. O problema, é a Assembleia da República (AR) permitir que atuem como partidos distintos partidos que concorreram coligados. Aquilo que deve ser alterado é o regimento da AR, por forma a que partidos que concorreram coligados não possam atuar como distintos.
O problema é mesmo a lei eleitoral. Nenhum partido recém-estreado devia concorrer a mais de duas eleições consecutivas sem produzir candidaturas autónomas, É vergonhoso que o PEV tenha concorrido a DOZE eleições legislativas (já nem falo das autárquicas) sempre com o PCP a funcionar como barriga de aluguer.
Curiosamente, a lei (segundo creio, posso estar errado) já hoje extingue automaticamente partidos que não concorram a, salvo erro, duas legislativas seguidas.
No entanto, se concorrerem coligados, podem continuar a existir eternamente…
Um absurdo.
Já tinha reparado que o PEV é uma fraude, mas escapou-me essa de nunca terem ido a eleições separados do PCP. Do ponto de vista dos resultados eleitorais é indiferente, quem vota PCP/PEV sabe ao que vai. No resto é realmente batota. O estranho é o PCP não aproveitar a tendência ecologista e desagregar o PEV – isolado talvez conseguisse um resultado razoável.
Graças a esta batota, o PCP amplia os tempos de intervenção no parlamento, dispõe de mais espaço nos órgãos de informação e de mais assentos em organismos públicos, como a Comissão Nacional de Eleições e o Conselho Nacional de Educação.
E muitos parecem achar normal esta flagrante e clamorosa anomalia.
A Heloisa era uma belle toujour do parlamento.
Para não ficar atrás, o be também tem o seu satélite agora (adorei a Mortágua limpar o passado do Rui Tavares. E ignorar o Ventura. O Bloco é no mesmo uma mistura de pulhice com criancice)
Presumo que não seja utente da Multiópticas.
É uma mulher completa.
Não seja Lavoura, não seja Lavoura.
Chiça. Você é demente.
Eu acho que A Polónia é um país completo, E Luísa é uma mulher completa.
Porém, A Polónia tem a vantagem de não falar, E Luísa é uma esganiçada do caraças.
Por isso, prefiro A Polónia, E Luísa não a quero para nada.
O Partido Ecologista os Verdes nasceu em 1982 para proteger os mísseis nucleares SS-20 da União Soviética.
Apontados entre outras cidades a Lisboa.
lucklucky
Isso já era. Sustentar tal tese para justificar o ridículo partido-satélite do PCP é fazer o jogo dos comunistas.
É para lembrar que de verde o PEV só tem o verde militar.
lucklucky
Na frase “Se compararmos estes números com os que obtiveram no seu ponto máximo, em 1979, verificamos que os comunistas recuaram 150% em percentagem eleitoral ” o que quer dizer com um recuo de 150%?
Por exemplo se um partido tem 30% e recua para 10% eu diria que ele perdeu 20% (30%-10% foi a perda absoluta) ou então (20/30 ou 2/3)= 67% da percentagem inicial. Em qualquer dos casos o valor não pode exceder 100%. 150% segue que critério?
Interprete como quiser.
Como metáfora poética, por exemplo.
Agora que estamos no Outono, vai caindo a folha. Dos vermelhos e dos falsos verdes.
Ia dizer “fico sem palavras” mas será mais correcto dizer “fico sem números”.
Deixe lá, há coisas piores.
“… lei eleitoral portuguesa permitirá …”.
Os autores da Lei Eleitoral portuguesa não eram amadores. Sabiam muito bem o que estavam o “botar pela boca abaixo” dos ingénuos portuguêses de Abril. Tudo com a prestimosa colaboração de uns deputados constitucionalistas que ainda praí andam feitos democratas.
Entretanto essa Lei Eleitoral, nada justa e com aspectos caricatos, geradora de falhas de representatividade política, mantem-se e mantem esta dita democracia, que de democracia pouco tem.
Basta ver a inrepresentatividade rampante naquela Assembleia da República.