Foi você que pediu um piropo?


Ana Vidal,


O anedotário nacional soma e segue. Agora é a penalização do piropo, como se não houvesse problemas a sério para nos preocuparmos.


Se não quiser ir preso, cavalheiro, modere a linguagem quando passar por uma boazona (perdão, por uma jovem interessante). Nada de sugestões em vernáculo de calceteiro, nada de fantasias culinárias. Se não conseguir mesmo ficar calado, nunca vá mais longe do que isto: “Minha senhora, permita que lhe diga que a acho particularmente bonita. Nos meus sonhos mais ousados, imagino-me a oferecer-lhe um bombom na Versailles”.

36 comentários em “Foi você que pediu um piropo?”

  1. Isso é o quê, Ana? Quem se lembrou dessa imbecilidade? O Governo? O Parlamento? O tribunal constitucional? Algum partido político? Um jornalista de “causas”, com presença assídua na televisão? Três sumidades muito activas nas “redes sociais”?
    Informa-me o que se passa, por favor. Com urgência. Receio ser detido a qualquer momento.

    1. Aqui tens: http://www.ionline.pt/artigos/portugal/militantes-be-discutem-fim-piropo-nas-ruas-pais

      Cá para mim, criminalizar o piropo é transformar um país latino num tédio politicamente correcto. Se falassem de assédio continuado ou de violência contra as mulheres, eu estaria absolutamente de acordo em que é preciso tomar medidas firmes e duras. Mas o pobre do piropo, que é um toca-e-foge sem quaisquer consequências e muitas vezes até com graça? Raio de gente cinzenta.

      1. Ah, ok, é uma “iniciativa” do Bloco, partido que não existe nas autárquicas e que portanto procura conseguir “impacto mediático” de qualquer maneira neste fim da estação parva. Vou preparar um texto com “piropo” dirigido a uma dirigente bloquista.
        Talvez consiga ser “criminalizado” e assim conseguir algum “impacto mediático” também.

          1. Acho que a que mais piropos devia ouvir já não é ninguém no Berloque, isto desde que foi mandatária do Só Ares.

      2. Não acrescentaria uma palavra às suas. Se a polícia dos costumes se instalar até o seu cumprimento pode ser criminalizado, senão vejamos:

        a) “Minha senhora”: uma clara referência ao género, poderá constituir crime de discriminação. Não será à toa que a palavra “rapariga” em alemão tem artigo neutro (das Mädchen).

        b) o adjectivo “bonita” também é um considerando problemático. “Está a chamar-me burra?”,” está a qualificar-me como a um objecto?”
        c) o bombom e a Versailles são ainda mais complexos: “quer arruinar a minha dieta?”, “como tem coragem de oferecer um bombom a uma vegetariana?”, “na Versailles? Esse antro burguês?”

        1. Bem, sem querer entrar na polémica do piropo (acho que não acrescentaria nada ao que aqui já foi dito), permitam-me um esclarecimento:

          A palavra alemã “Mädchen”, sinónimo de “moça”, “rapariga”, “menina”, é do género neutro porque, na sua origem, é um diminutivo da palavra “Magd” (coisa que nem alguns alemães sabem). Com o tempo, o “g” foi desaparecendo – o diminutivo correto seria “Mägdchen”. Em alemão, todos os diminutivos são do género neutro.

          A palavra “Magd” significava, na Idade Média, uma ajudante, ou criada. Usava-se em contraposição à “Frau” (“mulher”, “senhora”). Esse significado de subordinada à senhora desapareceu. “Mädchen”, hoje em dia, usa-se só para meninas muito novas (crianças ou adolescentes). A partir daí, são “Frau” e mesmo o “Fräulein” (também do género neutro, pois é um diminutivo), que se usava para solteiras, caiu em desuso, nas últimas décadas.

  2. Eu tenho votado Ana Drago, e tenho-o publicitado, mas depois de ler esta notícia acho que vou mudar a minha tendência partidária

  3. Propostas de moldura penal ( É assim que se diz?)
    Para pirocos mais em voga/ sem descriminação de sexos ( À BE)

    …” Que rico par de m****” — 60 dias de serviço cívico .. Limpeza da praia do Meco.
    …” Oi… querido…. que músculos!!!…” — 3 meses de reclusão numa cela superlotada.

    Cumpra-se : Dura é Lex … ” Até apelo para o T.Constitussexual.

      1. Tem razão… é descriminação. Perdoem-me os descriminados.

        Soube que as deputadas: Eloisa Apolónia, Ana Gomes e Isabel Moreira propuseram a extensão do delito piroco ao contra-piroco, como por exemplo,

        …”Que ganda camafeu” …” Fogo….foge!!! “Lagarto, lagarto” , etc.

        100% de acordo… penalização ao anti-piroco, Já!!!

          1. Ah… pois é!
            O que eu me divertia a dar respostas aos piropos… eheheh

            O primeiro piropo (ou espécie de) da minha vida:

            O rapaz dirigiu-se à minha mãe (que por acaso parecia mais minha avó) e perguntou-lhe: “A senhora acredita em Deus?”
            Ela disse que sim e ele acrescentou: “Então vá com Deus que eu vou com a sua netinha!”

            Não tarda querem criminalizar o flirt…

  4. Confesso que quando me deparei com a notícia julguei que era do Inimigo Público, ri-me e passei à frente . Só passadas uma horas me dei conta que afinal estava a ler o i. Enfim!!!!

  5. O que tem que ser averiguado é se as proponentes recebem piropos.
    Pode ser reflexo de problema invertido:
    – As proponentes nunca receberam piropos e, sentindo-se discriminadas, querem evitar que outras recebam.
    Pode ser frustrante passar numa obra com o melhor tailleur e não ter um piropo, sabendo que outras recebem.
    Assim visa a igualdade pela negativa, pela positiva seria legislar a obrigatoriedade do piropo.

    Era mais útil uma iniciativa legislativa contra iniciativas legislativas.

    1. Muito mais útil, da Maia, tem razão. “É proibido proibir” devia ser o lema natural do Bloco, mas é tão fundamentalista que acaba por cair no erro inverso.

  6. Vi há pouco num telejornal uma berloqueira de esquerda com pronúncia estrangeirada, um penteado horroroso e uma cara feiosa, a queixar-se dos piropos que (afirma ela) lhe dirigem e fiquei a pensar que, provavelmente, toma os seus desejos por realidades.

    1. Não vou por aí, Palha d’Aço. Este disparate tem matéria mais do que suficiente para críticas, prefiro abster-me de ofensas pessoais. (até porque essa coisa da beleza é muitíssimo subjectiva, há gostos para todos os géneros) 🙂

      1. Certo, mas a camarada é daquele tipo (ia a dizer género, mas género agora significa sexo) de mulher militantemente empenhada e ressabiada a quem só um trolha (com o devido respeito pelos trolhas) ocorreria, eventualmente, dirigir um piropo.

  7. Avé Maria Puríssima, Aninha!,

    Devo confessar-lhe, Aninha, que nestas coisas de pirópas eu até sou um rapaz bastante maravilhoso, mas elas nunca me ouvirão uma só letrinha pronunciada. Ai num vão ouvir, num vão!

    Se elas passassem junto a mim, quando muito diria o seguinte:
    Madames, peço imensa desculpa por não vos enviar um piropo, porque estes só acontecem pela existência de uma excelente fonte de inspiração.

  8. depois de ver uma das cabecilhas do movimento anti piropo, percebi que antes de mais, existe ali uma duradoura frustração por preencher… 😀

  9. Uma pessoa lê certas notícias e não acredita no que lê! Então só porque a maioria dos homens nunca ouve piropos (alegacão em que não acredito, ouvirão muito menos se não forem uns “pães”), a proibicão de os dizer é só para os homens? Estranha noção de direito e de igualdade perante a lei!
    Tratando-se de algo que tanto pode ser feito tanto por homens como por mulheres, se for para proibir (o que acho uma parvoíce), deve ser proíbido para todos, independentemente do sexo do (presumível) ofensor.

    Penso que assaltos feitos na rua, há muitos mais feitos por homens que mulheres – vamos alterar a lei para penalizar apenas os homens ladrões já que as mulheres, coitadinhas, são tão poucas a cometer assaltos? Quem defender isto ou está a brincar com coisas sérias ou é incapaz de perceber os princípios da igualdade e justiça que são a base de um estado de direito.

    Até tremo de pensar que este tipo de pessoas chegue a posições de poder no governo e/ou no sistema judicial: estaremos todos em apuros!

    Apesar de ateu, sinto-me tentado a dizer ‘deus nos livre!’

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