
Um bom teórico não tem necessariamente de ser um bom político. Na maior parte das vezes, aliás, os teóricos só entram na política para atrapalhar e não para ajudar. Quando aterram no Governo, a coisa complica-se.
Parece ser o caso do recém-empossado ministro da Economia e do Mar, que vinha aureolado de ser o autor do plano de recuperação económica do país após a grave crise provocada pela pandemia. O esforço intelectual valeu-lhe entusiásticos adjectivos de certos comentadores com lugar cativo na imprensa económica que nunca se cansam de praticar a lisonja para agradar aos poderes de turno.
Tanto o elogiaram que ele chegou ao ministério com sede na Rua da Horta Seca, substituindo o ponderado Pedro Siza Vieira, afastado sem justificação plausível. E há que dizer sem rodeios: a estreia de António José da Costa Silva, aos 69 anos, em debates parlamentares não passou despercebida. Desde logo por ter escorregado na primeira casca de banana que o Bloco de Esquerda lhe pôs à frente. Em resposta ao repto que dali lhe foi lançado na sessão de apresentação do programa do XXIII Governo Constitucional, apressou-se a anunciar a criação de um novo imposto. Para que o Estado possa arrecadar parte dos «lucros aleatórios e inesperados» das empresas.
Foi um momento extraordinário, este em que vimos o titular da Economia transfigurar-se em directo. Recusando ser o primeiro aliado do tecido empresarial para se assumir como porta-voz aleatório e inesperado do Ministério das Finanças enquanto o seu colega desta pasta se remetia ao silêncio.
Quase tão memorável foi o perfume das flores de retórica que Costa Silva espalhou no plenário, talvez em louvor e celebração da Primavera. Algumas pareciam decalcadas de cursos por correspondência de auto-ajuda. Eis um exemplo: «Nós podemos sempre sonhar e temos um país que permite sonhar. E a minha função aqui não é puxar o país para baixo, é puxar o país para cima.» Outro: «Muita gente diz que aquilo que estamos a propor é impossível. Mas viver é tornar possível o impossível.»
As paredes do vetusto hemiciclo, habituadas a linguagem mais prosaica, até vibraram. Na bancada socialista e até em certos parlamentares sociais-democratas muito próximos de Rui Rio viam-se rostos embevecidos com esta homilia inaugural do ministro, espécie de cruzamento de Boaventura Sousa Santos com Paulo Coelho. Só lhe faltava envergar túnica em vez do fato.
No dia seguinte, o encantamento quebrou-se. Certamente por sugestão do chefe do Governo, mais vocacionado para gerir o possível do que para sonhar o impossível, Costa Silva comunicou à nação que o tal imposto extraordinário não fora sequer abordado no Conselho de Ministros. Decepcionando decerto Catarina Martins e Mariana Mortágua, para quem uma empresa ter lucro é imperdoável pecado. Mas aliviando quem produz riqueza, estimula a inovação e gera postos de trabalho. Falta saber até quando. É só aguardar pela próxima prédica ministerial.
Texto publicado no semanário Novo.

É deprimente, quando o esmalte descasca, e o pechisbeque fica à vista.
Expulsámos os homens honestos, agora temos de viver com isto. Mea culpa.
1 – Tanto faz que diga isto, ou aquilo. Seja este, ou aquele. Seja deste, ou daquele partido ou governo. Não conta. É mero folclore mediático, para o Povo ainda julgar que vive num País e conta o seu voto para coisa alguma.
2 – A Democracia dos países ocidentais é um sistema mais opressor e fascista do que a ditadura. O poder põe os cidadãos a julgar que votam nas decisões de quem os governa. Afastou-se completamente dos cidadãos, que deixaram de ter qualquer interferência nas decisões de quem os governa. Quem manda, está escondido nas off-shores, nos conselhos de administração dos fundos bolsistas, e nas sociedades anónimas transnacionais.
3 – Quem governa Portugal não é são os funcionários nomeados pela Alemanha e França da “União Europeia”?
4 – O Mário Soares e o Cavaco Silva não venderam Portugal aos estrangeiros, a troco de uns trocos/fundos malbaratados, umas bancarrotas provocadas por revoluções marxistas-leninistas, fraudes bancárias e compadrios partidários?
5 – Portugal perdeu a independência, já não decide nada sobre o que é relevante para o seu destino. Entregou-se nas mãos de um Unionismo, que o obriga a estar de acordo com quem manda nele.
6 – Portugal foi um país, agora é apenas uma ideia e uma memória.
7 – Ou não?
O pior dos “unionismos” é aquele que o genocida Putin pretende impor à bomba na Ucrânia. Como já fez na Tchetchénia e em parte da Geórgia e vem fazendo na Síria.
Esse “unionismo”, rejeito em absoluto.
Esta cassete ainda é pior que a dos outros, esta meta bombas e tudo.
Cassete é coisa do PCP, que ainda vive em 1988.
’tá bem, agora é disquete.
Vocês agora já usam disquete?
Contra factos, só o sectarismo e o facciosismo a favor do «regime de Zelensky» conseguem sobreviver…
1 – Hinz, Linda (14 de agosto de 2014). «Schmutziger Kampf in der Ukraine: Neonazis im Dienst der Regierung» [Dirty war in Ukraine: neo-Nazis in service of the government]. Focus Online (em alemão).
2 – «Ukrainian soldiers seen wearing helmets with Nazi swastika and SS symbols». Haaretz. 9 de setembro de 2014.
3 – «German TV Shows Nazi Symbols on Helmets of Ukraine Soldiers». NBC News. 9 de setembro de 2014.
4 – «Chłopcy z ‘Azowa’ bronią Mariupola. Ukrainy, Europy i… białej rasy» [The boys from ‘Azov’ defend Mariupol. Ukraine, Europe and… the white race]. Interia (em polaco). 8 de julho de 2015.
5 – Cathcart, Will; Epstein, Joseph (14 de abril de 2017). «How Many Neo-Nazis Is the U.S. Backing in Ukraine?». The Daily Beast.
6 – Golinkin, Lev (22 de fevereiro de 2019). «Neo-Nazis and the Far Right Are On the March in Ukraine». The Nation. Consultado em 2 de abril de 2021. A Ucrânia pós-Maidan é a única nação do mundo a ter uma formação neonazi nas suas forças armadas. O Batalhão Azov foi inicialmente formado pelo gang neonazi Patriota da Ucrânia. Andriy Biletsky, o líder do gang que se tornou comandante de Azov, escreveu uma vez que a missão da Ucrânia é “liderar as raças brancas do mundo em uma cruzada final… contra os Untermenschen liderados pelos semitas”.
7 – «Rights Groups Demand Israel Stop Arming neo-Nazis in Ukraine». Haaretz.
8 – Червоненко, Виталий (14 de maio de 2018). «Антисемитизм или манипуляция: усиливается ли притеснение евреев в Украине?» [Anti-Semitism or Manipulation: Is Jewish Oppression Intensified in Ukraine?]. BBC News.
9 – “You Don’t Exist”, Arbitrary Detentions, Enforced Disappearances, and Torture in Eastern Ukraine”, 2016 Human Rights Watch , ISBN: 978-1-6231-33863.
88. Azov Battalion, Center for International Security and Cooperation (CISAC), Universidade Stanford.
10 – “Women and the Azov battalion in Kyiv, Ukraine”, DW Documentary, 10 de março de 2017, (em inglês): O batalhão Azov de extrema-direita usa abertamente símbolos fascistas. O grupo está a recrutar cada vez mais jovens — muitos deles são mulheres. A preocupação com a democracia na Ucrânia está a crescer.
11 – “Inside A White Supremacist Militia in Ukraine”, Revista TIME, (em inglês): O correspondente da TIME, Simon Shuster, viajou para a Ucrânia no verão de 2019 para investigar milícias supremacistas brancas que estão a recrutar pessoas para se juntarem à sua luta.
12 – “Ukraine: On patrol with the far-right National Militia”, BBC Newsnight (em inglês): A Milícia Nacional da Ucrânia afirma que “policia” as ruas. O correspondente da BBC em Kiev, Jonah Fisher, relata a crescente visibilidade de grupos de extrema-direita na Ucrânia.
13 – “Ukraine’s far-right children’s camp: ‘I want to bring up a warrior’”, 5 de setembro de 2017, The Guardian (em inglês): Na Ucrânia, a milícia de extrema-direita Azov organiza um acampamento de verão para crianças. O Guardian visitou o acampamento, e acompanhou Anton, de 16 anos, através de suas experiências. A Azov é realmente uma organização moderna da Juventude Hitlerista, e está tentando preparar os jovens ucranianos para o futuro.
(etc., etc.)
Já chega, escusa de mais enumerações.
Quando precisar de serviço de clipping, contacto uma empresa especializada.
Uff, ‘té qu’enfim !
E nem sequer uma palavrinha sobre a guerra na Ucrânia, calhando teve medo de ser confrontado com a nacionalização da gazprom na Alemanha.
Por que raio haveria o ministro Costa Silva de dedicar “uma palavrinha” à agressão russa à Ucrânia?
Para isso está lá o ministro dos Negócios Estrangeiros, António Costa.
Petróleo é economia, e de petróleo russo percebe ele.
Então agora já não apostam em “energias alternativas”? Voltaram aos combustíveis fósseis?
A propósito: onde anda a Greta? Está quase tão calada como o Guterres.
Anda à procura de devolver os sonhos roubados às crianças ucranianas
Ando a sentir falta daqueles gritinhos histéricos. Agora fazia falta que gritasse contra o Putin. Até porque nada polui tanto como as guerras.
” Recusando ser o primeiro aliado do tecido empresarial para se assumir como porta-voz aleatório e inesperado do Ministério das Finanças “
Pensei que um membro do governo tinha por função governar toda a gente, pelos vistos o ministro da Economia tem funções de representação de uma parte do país contra a outra parte.
Está a dizer que o ministro das Finanças representa o poder financeiro?
E o do trabalho, representa o patronato ou os trabalhadores?
O da saúde, representa os médicos ou os doentes?
Estou a dizer o que disse. Fui claro.
Deixo as flores retóricas para o sucessor de Siza Vieira.
Este luso-angolano parece-me um bocado fala-barato, como todos os de lá, viveram muito, sofreram muito, viram muito, sabem muito, mas são “cabeças-no-ar”, nunca assentaram os pés no chão.
Foi o destino que os marcou.
Fala-barato foi você agora. E não disse nada de jeito.
Faz bem em continuar anónimo.
” para quem uma empresa ter lucro é imperdoável pecado”
Eu acho que não é pecado e que o problema não está aí. O problema reside em saber quem decide o que fazer com os lucros? Só os intitulados “donos”? Ou mais alguém pode pronunciar-se? Esse é o ponto.
Veja o caso da TAP, empresa sem lucro. Pelo contrário, acumula prejuízos. Acaba de registar um prejuízo recorde: 1600 milhões de euros em 2021. inge-recorde-de-1600-milhoes-de-euros-de-p rejuizo/20220411/6253d68c0cf2f9a86e9dca5 6
https://cnnportugal.iol.pt/geral/tap-at
Estranhamente, há neste país quem prefira empresas com prejuízos por considerar o lucro um pecado digno das penas do inferno.
Claro que nem é preciso perguntar quem vai pagar o milionário prejuízo da TAP. Seremos todos nós.
Alguns, pelos vistos, até gostam.
Não é o meu caso.
“r quem vai pagar o milionário prejuízo da TAP. Seremos todos nós.” Esse é o meu ponto. Se houver prejuízo pagamos todos o que é muito democrático. Se houver lucro …. já não é tão democrático. Refiro-me ao modo de decidir o que fazer com o lucro.
Você, se paga impostos, devia estar mais preocupado com o seu dinheiro do que com o dinheiro dos outros.
Preocupado com o dinheiro que o Estado lhe confisca em forma de imposto.
“lhe confisca em forma de imposto.” Discordo. Não posso querer que exista polícia, tribunais, escola pública, Serviço Nacional al de Saúde, Exército, Administração Pública etc. e, ao mesmo tempo, não pagar impostos. O Estado não confisca ….. se utilizar esta palavra, que palavra devo inventar para os verdadeiros confiscos? O Estado impõe é certo. Mas também impõe a força da Lei. Podemos preferir que não existia Lei, mas não é essa a minha posição. O Estado até impõe o Código da Estrada e gosto porque se cada um circulasse com inteira liberdade….
Você, tão preocupado com o dinheiro dos privados, está tranquilo com a forma como o Estado gere o seu dinheiro. Partindo do princípio de que paga impostos.
É estranho. Pelos vistos entende que a justiça funciona, que o SNS não tem falhas, que a “escola pública” é modelar, que os 1,6 mil milhões de prejuízo da TAP em 2021 são coisa pouca.
O problema, para si, são os “lucros das empresas privadas”. Não é o seu dinheiro que o Estado gere pessimamente.
Começo a duvidar que pague impostos. Assim até faz sentido que se esteja nas tintas.
E nem uma palavrinha, daquelas do tempo das autárquicas, para medina da finanças bufo do putin.
Ou ainda é cedo para arranjar postais?
Para que havia Costa Silva falar de Medina? Sentam-se lado a lado no Conselho de Ministros.
A finta foi quase bem feita, mas todos perceberam que a jogada era para o Delito. Ou ainda é cedo?
A finta foi do ministro da Economia ao colega das Finanças, anunciando um imposto que nem sequer foi abordado no Conselho de Ministros e é matéria reservada desse titular. Levou certamente uma rabecada do chefe do Governo.
” está tranquilo com a forma como o Estado gere o seu dinheiro.”
Não estou tranquilo, estou sempre de olho alerta (coisa muito difícil de fazer com os dinheiros que correm pelos bolsos dos privados)
“Partindo do princípio de que paga impostos.” Pago (até demais).
“Pelos vistos entende que a justiça funciona, que o SNS não tem falhas, que a “escola pública” é modelar, que os 1,6 mil milhões de prejuízo da TAP em 2021 são coisa pouca.” Não entendo isso. É essa a razão que me leva a estar de olho alerta e a desejar que os outros também estejam. Só o meu olhar é pouco ou nada. Costumo votar e desejar que os outros também votem. Enfim, gosto de meter o bedelho em tudo e irrito-me quando não mo permitem.
Discorda?
Concordo com o Carlos, aqui em baixo.
O zeca é um privado que quer obrigar outros privados de gastar o dinheiro deles segundo a moral do zeca.
O Zeca o que quer é mandar nos lucros das empresas privadas, e decidir sobre o destino a dar-lhes. Se ele mandasse, nada seria para os capitalistas, alguma coisa seria para os trabalhadores dessas empresas e a maior parte deveria ser “confiscada” pelo Estado, um bom bocado para cobrir os prejuízos da nossa TAP…
A imaginação para chamar nomes feios aos outros é fértil. Exemplos: Pedro Correias “Começo a duvidar que pague impostos.”
Carlos “O Zeca o que quer é mandar nos lucros das empresas privadas, e decidir sobre o destino a dar-lhes. Se ele mandasse, nada seria para os capitalistas,”
Eu também podia dizer o que me viesse à cabeça sobre as intenções de quem não pensa como eu. Quem me ler que imagine o que quiser sobre o que eu poderia dizer…. eu não ten ho jeito para c chamar nomes feios (só bonitos).
Já agora: Carlos eu acho que os capitalistas é que devem decidir sobre o que eu devo ganhar.Eles é que são inteligentes senão não subiam tão alto.
Tão preocupado com os “lucros” dos “capitalistas” e tão pouco preocupado com aquilo que o Governo faz ao nosso dinheiro.
Começo mesmo a duvidar que pague impostos.
Por causa destes Zecas é que o governo enterra impunemente milhões de euros em buracos como o da falida TAP.
Com dinheiro que é nosso.