O socialismo, a dívida, a Covid, são doenças endémicas. E estas enfermidades originam atitudes e declarações que não deixam esquecermo-nos delas, mas que devemos encarar fleumaticamente.
Por exemplo, um molusco gastrópode escreveu hoje no Tweet: Que chato, não é? INE anuncia esta sexta-feira o maior crescimento de sempre da economia portuguesa.
Quase verdade, uma tal Sónia confirma: No 2º trimestre o PIB cresceu 15,5% em relação a igual período do ano anterior. A jornalista embandeira em arco e nós com ela, embora talvez fosse oportuno lembrar que o crescimento poderia ainda ser maior se a economia, em 2020, tivesse caído mais.
Estes dois cidadãos, dos quais um não tem cara de parvo, estão afectados de socialismo crónico. Incurável.
O endividamento de 753,3 mil milhões significa pouco: é 4 vezes superior ao PIB anual, portanto que saia bastante, muito, excessivamente, demasiado, torridamente, dos limites da imaginação, não interessa realmente por aí além. Uma dívida destas é coisa de tal modo lunática que a solução só pode ser de natureza celestial.
E a Covid? Estamos bem, obrigado. Poderíamos estar melhor, porém: toda a gente conhece os sintomas mas a doutrina não tem prestado excessiva atenção aos danos indirectos que a doença provoca nas capacidades cognitivas de seres sencientes aparentemente normais, como se demonstra pelo e-mail que abaixo transcrevo, dirigido a uma multinacional da saúde, e que evidentemente não terá resposta.
“Fiz pelas 15H30 uma TAC ao tórax no Hospital Velho de Guimarães. A técnica que me atendeu, cujo nome não retive, foi inteirada, porque perguntou, da razão para o exame: dificuldades respiratórias. Apesar disso, insistiu pela necessidade da máscara (o farrapo que alegadamente protege da Covid), que fui obrigado a conservar durante o exame. Durante este, preveniu a senhora, uma voz iria recomendar “encher o peito de ar” – precisamente a dificuldade que originou o exame. A mesma técnica informou, a final, que o abuso e a inépcia (qualificação minha) se destinavam a protegê-la de infecção, tendo-me abstido de lhe significar que semelhante desgraça seria um grande benefício para os serviços. Acham VV. Exªs que isto são boas práticas?”
Fleuma, disse acima. Umas vezes precisamos de mais, outras nem por isso.

Honestamente não sei se essa fleuma (na) pátria é uma utopia ou uma distopia
Também não sei…
A Lourenço é um dos melhores exemplos do jornalismo pátrio!
O embaixador, que também faz uma perninha no Conselho Geral Independente da RTP (poucas vezes um nome foi tão negado pela realidade), deu em humorista. Mas as reacções jocosas que vi ao seu twit – e sim, esta minha gralha foi propositada – quase me deram, durante poucos segundos, alguma esperança para este rectângulo.
Já agora, há um bug no seu texto: o link relativo ao embaixador não está a apontar para o dito-cujo mas sim para a notícia do Expresso no parágrafo seguinte.
Obrigado João, fui corrigir, não fosse alguém ficar impedido de conferir a cara de parvo do embaixador dos covilhetes, grossista de tachos sortidos.
Depois do recorde de superavit, recorde de crescimento.
Costa, o Bolt lusitano. Obrigado Costa por teres aceite o desafio de reerguer Portugal após 4 anos desastrosis, e nao abandonares o pais nesta altura difícil.
Este Governo voltou a colocar Portugal no pelotão da frente. Estamos lá entre os melhores. Com uma volta de atraso, mas entre eles.
Essa do crescimento de 15,5 faz lembrar a do miserável que por ter iniciado uma refeição ao dia subiu de nível.
Já uma TAC é um fenómeno mais intelectualizado. Pois bem, sabendo-se que os covids podem espalhar-se através das bufas admira-me que nenhum prócere sanitário tenha vindo a público advogar pelo uso da rolha de cortiça no dito. ews/coronavirus-can-spread-through-farts-2 1852204
https://www.dailystar.co.uk/news/latest-n
A máscara pode ser incómoda, mas não aumenta as dificuldades respiratórias. Disse que tinha dificuldade em encher o peito de ar, por isso pedirem-lhe para o encher era inépcia. Se tivesse dificuldade para respirar e lhe pedissem para respirar também era inépcia?
Estar doente não lhe dá o direito de infetar os outros com a sua doença, logo infelizmente tem de continuar a utilizar mecanismos de proteção, não o fazer seria abuso.
A profissional estava vacinada, como aliás eu, não fazendo qualquer sentido os vacinados continuarem a viver como se estivessem a correr algum risco sério; o diálogo (por cuidado da técnica – era decerto hipocondríaca, tal como, aparentemente, o amigo é) foi breve e a distância superior à que a OMS recomenda como mínima; o juiz das dificuldades respiratórias não é o técnico nem muito menos um comentador, é quem delas se queixa, no caso eu; e o incómodo do uso das máscaras varia com as pessoas e, na minha opinião, é maior para quem as sente como uma intromissão na liberdade, por não ter alma de oriental nem de maria-vai-com-as-outras. Não tenho absolutamente nada contra quem vive tolhido de medo e toma precauções exageradas, comprando quanto disparate anda no ar da histeria colectiva pilotada a ignorância e interesses; tenho contra quem se intromete na minha vida sob pretexto de um imaginário risco.
O problema é que como não gosta da máscara o risco é para si imaginário.
Se ler os posts neste blog que se publicaram no principio do ano vai descobrir que todos acharam que se foi criminosamente permissivo, no fundo estava-se a tentar aliviar as regras, e nem se chegou a tocar nas máscaras. Se a epidemia der para o torto outra vez vamos ouvir outra vez os que se queixam da máscara a dizer que inconsciência foi deixar de a usar.
Todos esperamos que a vacina pare a epidemia mas isso não está absolutamente nada garantido, não sei se tem reparado mas há pessoas vacinadas a adoecerem e variantes mais resistentes à vacina a aparecerem, é chato mas é assim.
Além disso os funcionários dos centros de saúde têm de cumprir normas, não se podem comportar como querem só porque o doente assim o exige, a vida em sociedade é chata, mas é assim.
Por partes: O risco para mim não é imaginário, tem a medida que a baixa taxa de letalidade da doença dá, menor ainda até ao ponto da irrelevância com as taxas de vacinação já atingidas nos grupos de risco; o que “todos acharam”, aqui ou em qualquer outro lugar, tem, para o efeito de determinar a minha opinião, uma importância igual a zero – uma opinião absurda não passa a ser razoável se for ecoada por um milhão de repetições. De resto, na litania de textos que eu próprio desde o princípio escrevi sobre a Covid não há uma linha a embarcar na pan-histeria; se a epidemia der para o torto (isto é, se aparecerem variantes mais perigosas, o que é pouco provável) as pessoas papaguearão as tolices a que a comunicação social escolher dar cobertura, a que refere e outras, não constituindo isso qualquer novidade; nada indica que as variantes “mais resistentes” sejam mais letais, e tudo indica que a doença se vai juntar ao catálogo daquelas infeciosas com as quais já convivemos sem que sejam o mono-tema das notícias; o “Hospital Velho” referido no texto não é um Centro de Saúde, é privado. Não que faça diferença – o abuso, a prepotência e a estupidez não são infelizmente um exclusivo dos estabelecimentos de gestão pública.